BUSCAR
BUSCAR
Editorial
Autoritarismo, não
Redação
10/03/2020 | 03:05

Exceção feita a palavra “ambulância”, escrita de trás para frente nas viaturas para facilitar a leitura pelo espelho retrovisor do carro que está à frente, a utilidade dos sinais trocados para por aqui.

Ronaldinho Gaúcho, que era o mestre em olhar para um lado antes de passar a bola para o outro, foi uma referência nas quatro linhas, mas sua engenhosidade não foi suficiente para livrá-lo de problemas com as autoridades paraguaias.

Em outras palavras, um dia a casa cai.

A ideia de que é possível endossar uma manifestação originalmente concebida para desancar as instituições da República e depois simplesmente negar esse intuito, mantendo a chama desse propósito viva, é “non sequitur”, uma falácia lógica cuja conclusão não decorre de uma premissa razoável.

A ideia de que a democracia representativa pode ser recriada a partir de uma agenda destrutiva de internet, de extrema direita, é mais ou menos – guardadas as devidas proporções – parecida com as estratégias usadas pelo PT no passado recente para manter coagidas as instituições.

Quem tem um mínimo de memória sabe o papel de relevância do Movimento Sem Terra (MST) nessa política de coação. Ela prosperou muito ainda durante o governo FHC que, por seu conteúdo social democrata, não o reprimiu as invasões e manifestação que se davam por qualquer motivo.

Pressionado pelo slogan “herança maldita”, o social democrata não conseguiu governar, a despeito do sucesso do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal, amplamente combatidos à época pelo PT.

Hoje, à luz de um governo de extrema direita, que nunca conversa, é até estranho que movimentos sociais de esquerda tenham um comportamento mais civilizado, que teria caído muito melhor lá atrás, quando FHC fez as primeiras privatizações, por exemplo.

Com a eleição e reeleição de Lula, ajudado por um período de aquecimento das commodities, o Brasil construiu o superávit primário que ainda hoje protege o país. Entre erros, houve também muitos acertos.

E a política de coalizão exercitada nesse tempo permitiu um fortalecimento institucional tão substancial que acabou se voltando contra Lula no caso do Mensalão e pegou em cheio a sucessora Dilma Rousseff, fragilizada por um governo desastroso do ponto de vista econômico.

Em nome de uma mudança total, o governo Bolsonaro agora quer implodir tudo o que foi criado para reinstituir um novo aparelhamento estatal, mesmo passando por cima dos acertos, em nome de uma agenda puramente ideológica.

Esse é o problema da polarização política. Em nome de um novo que nunca existiu, invertem-se sinais, indicando sempre o indesejável caminho para o autoritarismo.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.