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Trânsito
Aumento da gasolina força mudanças no orçamento doméstico, e potiguar começa a trocar carro pela moto
Irritada com as consequências de um ano de pandemia, população sente consequências das altas frequentes da gasolina no trânsito
Marcelo Hollanda
28/01/2021 | 07:35

Dizem – e provavelmente é verdade – que um bom observador parado vale mais do que um especialista em movimento. Enquanto o primeiro olha o mundo da esquina de casa, o segundo devora as estatísticas para tirar a mesma conclusão: com esse preço da gasolina, não dá.

Com o anúncio da última terça-feira 26, de um reajuste desta vez de 5%, a gasolina na bomba já acumula alta de 13,4% só neste ano que mal começou. O diesel também foi reajustado em 4,4%, com os valores passando a vigorar desde quarta 27.

Do ponto de vista do especialista, um percentual salgado a mais em meia à sopinha de números da economia. Para o observador do dia a dia das ruas, é o caos.

Por seus olhos passam a vida real, aquela que mostra a aglomerações nos pontos de ônibus, a precariedade evidente do sistema de transporte público, contrastando com o crescente número de motos na comparação com os carros que trafegam pelas ruas de Natal.

Segundo os números mais recentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), eram até a última terça-feira 26, 234.183 carros contra 100.071 motocicletas só na capital potiguar, em meio a uma frota total de 424.977 veículos, incluindo caminhões, ônibus e utilitários.

No estado inteiro, são 594.477 carros contra 465.633 motos, numa proporção que tende a se aproximar na exata medida em que o transporte público continua ruim e o valor dos combustíveis proibitivos para a população.

A bordo do carro de Ranieri Pinheiro, motorista de aplicativo, é possível contemplar essa realidade que cada dia mais invade o ponto cego dos automóveis. A horda de motos que só faz aumentar é hoje responsável pela maior parte das mortes no trânsito, sem falar do estresse.

Em parte, é culpa do preço do combustível, sim, e que drena do orçamento de Thiago Assis, que trabalha em Natal e mora em Parnamirim, quase R$ 800 por mês de gasolina. Considerando que os ganhos dele são em média R$ 3 mil, é muito.

“Com esses dois aumentos seguidos, é certo que logo estarei deixando um salário-mínimo inteiro no posto”, garante o profissional liberal, que examina a possibilidade de deixar o carro na garagem e comprar uma moto de segunda mão para trabalhar. Mais uma a povoar as ruas.

Com centenas de motoboys pelas ruas, um tipo de trabalhador que vem crescendo muito com a crise, a ideia de que em breve seremos um paraíso (ou inferno) das motos já assola os pesadelos dos motoristas que ainda não dominaram a arte dessa convivência íntima.

“Os caras cortam por ambos os lados do carro e se você não for muito atento acaba criando um problema para você e para a motociclista”, diz Ranieri, o nosso motorista de aplicativo, que acaba de fazer uma corrida curta – imagine só – de R$ 5,00. “Acabei de faturar menos de um litro de gasolina”, brinca ele, fazendo humor macabro.

Não se sabe se prevendo ou não as consequências junto à população desses aumentos automáticos guiados pela cotação do dólar, a Petrobras inaugurou este ano a política de não revelar os percentuais de aumento, somente os novos preços praticados nas suas refinarias.

Juntando-se a isto o fato de a companhia também não informar espontaneamente os reajustes, coisa que só faz apenas quando é demandada, a sensação de abandono da população que usa o carro para trabalhar é absoluta.

Esta semana, de olhos nas consequências políticas desses aumentos seguidos, o secretário de Tributação do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, o Cadu, fez o que já era esperado: no Twitter ele eximiu de culpa o governo estadual.

“Mais uma vez, após aumento expressivo no preço dos combustíveis por parte da @petrobras, rodam vídeos nos grupos de whatsapp culpando o @GovernodoRN pelo fato do combustível aqui no RN supostamente ser mais caro que nos demais estados vizinhos”.

E fez o esclarecimento: “Mais uma vez cumpre esclarecer que as alíquotas de ICMS que incidem sobre os combustíveis no RN são iguais às cobradas nos demais estados do NE. Portanto, não é a tributação estadual que justifica essa discrepância…”

Ainda no Twitter, @a_rinaldo não perdeu tempo: “Mas, há alguma explicação plausível para essa discrepância dos preços, considerando que a gasolina, geralmente, no CE é em torno de R$ 0,20 e na Paraíba em torno de R$ 0,40 mais barata?”

E @saul Regis sapecou: “Abra essa caixa preta e explique porquê dessa diferença de preço no NE”. É muita confusão vindo por aí.

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