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Pandemia
Atraso na divulgação de casos de Covid pode ser de até 27 dias no RN
Isto ocorre devido à instabilidade do sistema de notificação, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde Pública, que diz que atraso chega é de apenas duas semanas
Redação
26/08/2020 | 05:02

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou levantamento nacional sobre a divulgação dos casos de Covid-19. O estudo indica que, em alguns estados, a divulgação dos casos da doença pode apresentar demora de até sete semanas entre o registro no sistema de saúde e a efetiva publicação nos boletins epidemiológicos levados ao conhecimento da população. 

O estudo foi feito por pesquisadores do projeto MonitoraCovid-19, do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz). O resultado explorou a cobertura do Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe) e do e-SUS VE – este último criado para atender à alta demanda de notificações devido à epidemia. 

No Rio Grande do Norte, de acordo com a Fiocruz, o atraso de divulgação dos números oficiais pode chegar a 27 dias. No entanto, ao Agora RN, a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) rebateu o dado e afirmou que a demora registrada para a divulgação de novos casos chega, em média, a duas semanas, segundo a mais recente análise realizada pela secretaria em julho. A inspeção da Sesap mostrou, no entanto, que há alguns casos de atraso na informação de óbitos que chegam a 30 dias.

Para a pasta, isto ocorre porque o sistema de registro e notificação é instável no RN. Alguns municípios possuem conexão precária de internet, o que dificulta o processo de notificação para síndrome gripal por meio do e-SUS VE. Além disso, há municípios que optam por centralizar a notificação nas respectivas secretarias municipais, o que pode gerar atraso na inserção da informação nos sistemas. A secretaria acredita ainda que a instabilidade do sistema, em alguns momentos, pode até inviabilizar a notificação.

A pesquisa da Fiocruz apontou também o Espírito Santo e o Paraná apresentam a maior variação percentual na comparação com os dados do Ministério da Saúde. Nestes estados, os números de casos divulgados nos boletins oficiais são muito maiores do que os casos registrados nos bancos de dados. Situação inversa é observada em Goiás, Piauí e Rio Grande do Norte, onde o volume de casos nos sistemas é superior ao observado nos boletins epidemiológicos.

Sobre este ponto, em um panorama estadual, a Sesap relatou que a limpeza das bases de dados, ou seja, o cancelamento das fichas duplicadas diretamente nos sistemas de informação de origem, não tem acontecido dentro da rotina esperada. O processo, contudo, é realizado diariamente na base de dados utilizada para a formulação dos boletins epidemiológicos.

A Fiocruz acredita que as diferenças flagradas pelo monitoramento, porém, não podem ser encaradas somente como resultado de falhas técnicas e operacionais, mas sim como inerentes aos desafios impostos pela própria complexidade da epidemia no país. O recomendado é que não seja modificada a forma de divulgação dos registros, mas que as divergências apontadas sejam levadas em conta pelos gestores públicos: “Esta análise não busca sugerir ou recomendar que os dados sejam alterados para divulgação, pois a população já se habituou a essa lógica, e alterar as datas neste momento do processo epidêmico traria mais desinformação do que ganho na comunicação. Contudo, as defasagens apresentadas devem ser consideradas pelos gestores públicos, sobretudo para tomada de decisão e orientação das intervenções”, diz a nota técnica da Fiocruz.

Vice-diretor do Icict/Fiocruz, Christovam Barcellos explica que o estudo é um chamamento às autoridades de Saúde para ações de melhoria na confiabilidade dos dados de saúde pública no Brasil: “Seria importante um esforço nacional, que poderia ser liderado pelo próprio Ministério da Saúde. Uma busca coletiva em prol da padronização na forma como são lançados os dados de saúde em todos os níveis, começando pela ponta, ou seja, nos postos de saúde e hospitais públicos dos municípios. Além de padronizar, seria preciso um esforço de treinamento de abrangência nacional, criando uma cultura mais sólida de registro das informações de saúde no Brasil”.

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