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Evangelismo
Artigo: “A Palavra de Deus e a missão”
Dom Jaime Vieira Rocha analisa Carta Apostólica Scripturae Sacrae affectus do Papa Francisco sobre a lembrança dos 1600 anos da morte de São Jerônimo
Redação
01/10/2020 | 10:29

Prezados leitores/as

Com data de 30 de setembro último, o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Scripturae Sacrae affectus, na comemoração dos 1600 anos da morte de São Jerônimo. E afirma, no início: “O afeto à Sagrada Escritura, um terno e vivo amor à Palavra de Deus escrita é a herança que São Jerónimo, com a sua vida e as suas obras, deixou à Igreja”. Vivenciando o mês missionário, em outubro, é importante que reconheçamos que Palavra de Deus e missão estão em perfeita relação. De fato, é a Palavra de Deus que nos apresenta a missão da Igreja como continuação da missão de Jesus Cristo, Palavra eterna do Pai, encarnada na nossa história. A Igreja vive da Palavra e vive para a missão, isto é, por escutar na Palavra que Deus enviou seu Filho e seu Espírito (cf. Gl 4,4-6) e que assim como o Pai enviou o seu Filho este nos envia também (cf. Jo, 20,21), ela encontra o fundamento de sua missão na revelação da missão do Filho e do Espírito. Na verdade, só existe a missão da Igreja porque existe a missão do Filho. Isto é, somente porque Jesus foi enviado pelo Pai no poder Espírito é que podemos ser também. E isto vale também para o Antigo Testamento: os patriarcas, os profetas, os sábios, todos eles viveram a missão de povo de Deus em vista da missão do Filho. Deus agiu no povo de Israel para preparar este povo para o momento de sua revelação em Jesus Cristo, enviado pelo Pai. 

O discípulo missionário viverá sempre da Palavra. Como não entendemos a missão como uma simples função, não se trata de fazer algo unicamente, é imprescindível que o missionário esteja sempre na escuta de Palavra. Se assim não for, não existe missionário, pois ele é o ser humano que é enviado. A palavra do missionário deve ser a Palavra daquele que o envia. O nosso grande exemplo é o próprio Jesus: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’, e que nada faço por mim mesmo, mas falo apenas aquilo que o Pai me ensinou” (Jo 8,28). O missionário é aquele que ouve o que o Pai ensinou ao seu Filho, isto é, a revelação de sua ternura e de seu amor. 

De acordo com o Documento de Aparecida e o sentido da nova evangelização, o missionário é aquele que vive da relação com Deus. Novamente, é o mesmo Jesus que afirma: “Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim” (Jo 6,57). Viver por meio de Jesus e ser enviado por Ele é a mesma coisa. Ser missionário é ser enviado por Deus para que viva por meio de Cristo. Esta relação entre ser em Cristo e ser enviado é algo fundamental para se entender a missão. Somente na escuta da Palavra, na abertura de coração para deixá-la entrar e criar suas raízes ou deixar que ela semeie na terra fértil de nosso coração é possível ser missionário. Nós vivemos desta ação de Deus de dirigir sua Palavra até nós. Deus envia sua Palavra e ela vem com seu Espírito. Eis o que meditamos neste mês e o que deve permanecer em nossos corações para que vivamos a missão que nos foi confiada. Não esqueçamos também que a missão nunca é uma posse nossa, mas um dom oferecido a nós. E como ela consiste na vida em comunhão com a Palavra é necessário que vivamos, não mais para nós, mas para ele, Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou (2Cor 5,15; cf. Oração Eucarística IV). “Sejam missionários!” É o convite de Cristo a todos nós.

Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

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