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Editorial
Armas têm lado

21/02/2020 | 09:06

O episódio surreal envolvendo esta semana o senador licenciado Cid Gomes propõe uma reflexão que vai muito além dos excessos e das flagrantes ilegalidades cometidas, que por pouco, aliás, não decretaram uma tragédia.

No fim do governo Robinson Faria, o RN viveu um clima tenso de negociação com sua área de segurança, que não chegou nem perto do desfecho de quarta-feira em Sobral, no Ceará, mas nos alerta desde já para o imenso precedente que se abre ao se negociar greves com uma corporação armada.

Servidores públicos, em geral, jamais deveriam pautar suas reivindicações por meio de paralisações, sendo eles os agentes públicos mais próximos da população, sempre severamente atingida por suas ações, estejam elas ou não cobertas de razão. Seja na educação, na saúde ou qualquer outra área de governo, greves são sempre péssimas para o conjunto da comunidade e ponto final.

Mesmo assim, vários setores usam as paralisações como forma de expressar seu descontentamento, às vezes obstruindo o tráfego, às vezes depredando o patrimônio público e privado. E quase sempre atrapalhando a vida de quem está na ponta, sem os mesmos recursos a seu favor.

Com a segurança pública é ainda mais grave na medida em que esses movimentos, que deveriam proteger a população, abrem criminosamente espaço para que outros interessados tirem proveito da ausência do Estado das maneiras mais funestas.

Agora mesmo, no Ceará, essa situação se traduziu imediatamente no aumento de homicídios e sabe-se lá quantos outros prejuízos. Em 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o direito de greve de servidores públicos de órgãos de segurança pública e proibiu qualquer forma de paralisação nas carreiras policiais. E é correto que seja assim.

No caso cearense, o governador Camilo Santana chegou a anunciar um acordo pelo qual o salário-base de um soldado passaria a ser de R$ 4,5 mil, com aumento progressivo até 2022, parcelado em três vezes.

A remuneração atual da categoria, só para constar, é de R$ 3,2 mil, sendo que o impacto do reajuste no orçamento chegaria a R$ 149 milhões.

Mesmo assim, parcela do movimento continuou nas redes sociais até o incidente desta quarta-feira, quando um senador licenciado da República foi alvejado duas vezes, após tentar romper um bloqueio de policiais amotinados que, horas antes, intimidavam pessoas nas ruas em nome de seu movimento. Tudo errado. Perigosamente errado

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