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Editorial
Aproveitar a oportunidade
Redação
09/04/2020 | 04:00

O coronavírus atingiu oficialmente mais de dois terços dos municípios rurais dos EUA, com um em cada dez relatando pelo menos uma morte.
A notícia, estampada num dos títulos de primeira página do New York Times desta quarta-feira (8), em alguma parcela, também nos diz respeito, quando as autoridades aqui planejam liberar o isolamento social de municípios onde os efeitos da pandemia ainda não chegaram ou sejam substanciais para comprometer o atendimento médicos de emergência.

Embora a decisão faça todo o sentido neste momento do ponto de vista das já debilitadas economias regionais, é preciso lembrar as deficiências históricas que cercam a maioria dos municípios potiguares e brasileiros.

É preciso estar preparado para ondas tardias do contágio em regiões tradicionalmente vulneráveis nas quais funcionam até hoje o sistema único da “ambulancioterapia”, o mesmo que faz com que alguns municípios estampem orgulhosos nas viaturas slogans com frases grandiloquentes de clara promoção política.

Substantivos como “futuro” e verbos como “trabalho” é o que não faltam nas frases decalcadas nessas ambulâncias, que se estabeleceram indevidamente como políticas públicas de saúde, quando não passam de mero deslocamento de problemas.

Depois de anos de descaso, precisou uma pandemia para evidenciar o grau de mentira e manipulação na saúde pública no Brasil, cujo Sistema Único, apesar de maltratado nos últimos anos, é a única coisa ainda boa que existe e parte de cima para baixo.

Se o sinal vermelho da pandemia do novo coronavírus nos EUA já acendeu o alerta nas comunidades rurais para uma onda de contágios tardios, o que podemos esperar dos pobres municípios do RN, a maioria dos quais situados no semiárido?

Não se trata mais de discutir a histórica concentração de recursos do governo federal e as parcelas que cabem aos estados e municípios. Com a pandemia, precedendo reformas necessárias como a administrativa e a tributária, é preciso fazer com que recursos cheguem rapidamente na ponta. Esta é a prioridade.

A ponta, nesse caso, são as cidades médias, milhares delas, que neste momento são as únicas capazes de dividir a pressão econômica negativa provocada pela pandemia entre o interior e as capitais ou principais polos regionais.

A discussão, portanto, não deve ser centralizada mais somente entre municípios e os estados onde os primeiros estão circunscritos.
As federações que representam as prefeituras não devem enfraquecer institucionalmente a posição dos Estados, reforçando debates inúteis neste momento, eivados de recriminação.

Ao contrário, mais do que nunca, estados e municípios devem se unir numa das raras oportunidades de realmente mudar seus destinos perante a Federação.

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