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Novelas
Após perder atores para plataformas de streaming, Globo corre para recontratar e promete plano de valorização
Emissora se preocupa com a demissão de antigos executivos que foram para plataformas de streamings com projetos de novelas
Alessandro Lo-Bianco
08/07/2021 | 19:31

De acordo com o colunista Alessandro Lo-Bianco, após a confirmação de que algumas plataformas de streamings começarão a produzir novelas, a TV Globo realizou recentemente uma reunião com executivos da empresa para avaliar o peso que os concorrentes trarão à emissora futuramente. Durante o encontro, diversos plenajementos foram traçados, entre eles um plano de retomada de contratações de “antigos medalhões da casa” que foram dispensados, e a aplicação de uma nova política de valorização da classe artística por parte da emissora.

Uma das preocupações da TV Globo que foi exposta na reunião – além da confirmação de que diversos atores que perderam seus contratos fixos foram contratados pelas plataformas – foi a notícia de que antigos executivos que faziam parte do alto escalão das novelas da Globo – e que também foram demitidos a partir da reestruturação financeira da empresa – também estão sendo absorvidos por essas plataformas para iniciarem a produção de novelas nos streamings.

Em um primeiro momento, a TV Globo começou a cortar custos a partir de uma nova política de gestão contratual liberando diversos atores dos seus contratos fixos. A justificativa era de que esses artistas passariam a receber por obra, ou seja, somente quando estivessem no ar durante as novelas.

Ao perceber que alguns artistas estavam sendo contratados para a produção de séries em plataformas como a Netflix, a TV Globo não se preocupou muito no início, até porque fez um bom plano para brigar com os concorrentes com as séries exclusivas destinadas ao Globoplay. Entretanto, como foi avaliado nesta última reunião, a emissora não acreditava no rápido potencial das plataformas para iniciarem um processo de produção de telenovelas com atores dispensados pela emissora.

Nomes como Reynaldo Gianecchini, Grazy Massafera, Bruna Marquezine, Vera Fischer, entre outros, começaram a aparecer em manchetes de diversos sites sendo contratados pelos stramings. Mas a novidade é que a TV Globo já sabe que esses atores foram avisados sobre a produção de novelas que começará ocorrer em breve. Junto a isso, a Globo ficou surpresa ao descobrir que quatro grandes executivos ligados às telenovelas e que foram recentemente dispensados também foram contratados.

Durante a reunião, a notícia de que Sílvio de Abreu – um dos principais autores da teledramaturgia brasileira e que também foi dispensado pela Globo – está sendo cotado para assumir a autoria de uma das primeiras novelas feitas para o streaming não foi recebida com bons olhos.

Os executivos consideraram que foi um “tiro no pé” deixar alguns atores sem contratos. Diferente do que pensavam anteriormente, nomes como Antônio Fagundes se sentiram tão desvalorizados que nem ao menos aceitaram participar das novas novelas ganhando por obra. Fagundes, por exemplo, não ficou satisfeito com a proposta feita para participar do remake de Pantanal, e em apoio aos colegas que estavam sendo “chutados” da empresa – como o amigo Stênio Garcia, Tarcísio Meira e Gloria Menezes – disse que não precisava de esmolas e se recusou a aceitar a participação, o que colocou a Globo extremamente reflexiva sobre a perda de antigos atores para concorrentes.

Durante a reunião foi decidido a necessidade de discutir um novo plano de valorização para os atores. A cúpula global entendeu que diversos artistas que foram dispensados – e muitos que ainda estão com os contratos vigentes – estão sentindo-se desvalorizados. Junto a questão dos artistas, a emissora chegou a concordância de que os antigos executivos – citando os que já foram dispensados e absorvidos pelas plataformas – também devem se sentir valorizados e por isso a ordem é repensar o corte de importantes nomes.

A ordem é preservar agora por meio de uma nova política de valorização esses executivos. Durante a reunião foi citado que importantes nomes que foram no passado responspaveis pela produção de novelas que chegavam a bater entre 60 e 70 pontos de audiência não podem mais serem “chutados” da empresa, como aconteceu com os quatro executivos, e autores como Sílvio de Abreu e Aguinaldo Silva.

Um dos executivos citou a perda de outro colega, também executivo, para uma plataforma de streaming e lembrou que o profissional dispensado foi um dos responsáveis pelo sucesso de Renescer, que chegou a bater 70 pontos no Ibope. Durante a reunião foi lembrado que, atualmente, deve acontecer praticamente um milagre para que uma novela atual alcance 30 pontos.

A emissora considerou nessa reunião a preocupação de que poderá perder terreno para os streamings vendo executivos e casting de grandes atores migrarem para as plataformas e, com isso, enfraquecer o ibope da faixa de horário das novelas na TV aberta.

Retomada de contratações e valorização dos atores

No final da reunião foi traçado um plano para retomar contratações de grandes atores perdidos, que tem também como objetivo segurar aqueles com contratos ainda vigentes. Um dos executivos irá ser responspavel por produzir uma lista com 250 a 300 atores que a Globo pretende manter novamente no seu casting fixo. Nessa lista entrariam novamente altos salários e a valorização pela estabilidade na carreira.

Foi conversado, inclusive, que existe um risco de grandes atores não quererem mais retomar após a mágoa que ficou com a forma como foram “chutados” da empresa, a exemplo do ator Miguel Falabella. A emissora reconheceu que errou quando deixou que alguns atores se sentissem desvalorizados. Nesse momento, um dos executivos disse na reunião: “Não renovar não significa não valorizar e respeitar, como fizemos com Faustão”.

Se antes a intenção da emissora era promover uma lista de cortes, com a ameaça das novelas nas plataformas de streamings – que estão se solidificando com força – a ordem agora é uma lista de contratações e uma virada de página com uma grande reformulação na gestão contratual e na política de valorização dos atores.

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