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Após meses longe dos palcos, músicos retomam apresentações em Natal
Apresentações ao vivo em bares e restaurantes estão autorizadas desde julho em Natal. No entanto, a volta dos artistas aos palcos demorou mais para acontecer por falta de segurança sanitária em meio à pandemia da Covid-19. Agora, com a retomada, os músicos profissionais estão movimentando o segmento do lazer e do entretenimento
Ana Luiza Vila Nova
13/02/2021 | 08:01

Shows ao vivo em bares, restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação da capital Natal estão autorizados a acontecer desde o dia 28 julho, quando o setor da alimentação entrou na fase 2 de sua reabertura gradual e permitiu apresentações ao vivo que não gerassem aglomerações com mais de 50 pessoas. Entretanto, a volta dos músicos aos palcos demorou um pouco mais para acontecer, por falta de segurança sentida por esses profissionais ou por falta de convite dos estabelecimentos, que ainda estavam se recuperando do prejuízo sofrido durante os cinco meses que passaram fechados.

Mais recentemente, o som acústico saindo das portas e janelas desses locais já se tornou uma cena mais comum na vida noturna da cidade, voltando a movimentar um dos setores mais afetados pela pandemia causada pela Covid-19: o entretenimento.

O cantor e compositor Diego Libra, de 33 anos, toca em bares há cerca de 5 anos e, como diversos outros amigos de profissão, se viu obrigado a buscar outro tipo de emprego durante a pandemia causada pelo novo coronavírus. Sem poder fazer shows e sem receber o auxílio emergencial pago pelo Governo Federal, o músico ainda fez lives e apresentações em condomínio antes de conseguir um emprego como porteiro.

“Algum tempo antes da pandemia começar, pedi demissão da empresa onde trabalhava há 7 anos como vigilante para se dedicar em tempo integral à arte. Finalmente decidi investir na minha música, em clipes e álbuns de sons autorais. A agenda de shows em bares e festas particulares estava cheia. De repente tudo parou, a agenda começou a cair e então me vi sem saída, tive de procurar outro emprego novamente. Sou grato por ter conseguido, mas, mais uma vez, tive que conciliar a carreira musical com o expediente de porteiro e não pude me dedicar integralmente a ela, como havia planejado”, declarou.

O músico, com 15 anos de experiência, voltou a tocar em outubro, após sete meses sem contato com o público. Para ele, a situação começou a melhorar a partir desse ano, mas ainda assim está longe de ser o ideal.

“Neste ano a agenda já melhorou, tenho feito cerca de 5 a 6 shows por semana, mas muitos bares ainda estão com grandes dificuldades financeiras, querem pagar só um músico por show, e com o valor reduzido. Na maioria das vezes estamos tocando com um cachê reduzido em 20%. Às vezes, tocando em bares quase vazios. A gente vive ainda uma situação pandêmica, claro, mas eu sinto que os bares e restaurantes estão tendo bastante controle sobre a situação, com muita fiscalização”, defendeu.

Outro músico que demorou a voltar para os palcos foi Jailson Aguiar de Lima, de 50 anos. Profissional há mais de 20 anos, ele só voltou a tocar seu repertório eclético nas noites há cerca de um mês. Ele acredita que a classe de músicos foi a mais impactada pelas paralisações que se seguiram em todo o país.

Após meses longe dos palcos, músicos retomam apresentações em natal
Jailson Aguiar de Lima, de 50 anos, tem duas décadas de carreira e só voltou a tocar em restaurantes há cerca de um mês. Foto: Ana Luiza Vila Nova

“As coisas ainda estão muito ruins para a classe musical, muito mesmo. Tenho muitos amigos músicos que ainda precisam ficar parados e estão passando até por necessidades. Não temos nenhuma entidade ou sindicato por nós, então tivemos que nos reinventar mesmo, infelizmente muitos ainda não conseguiram se recuperar”.

Ele, que toca de bolero a pisadinha, só não passou por dificuldades porque também exerce a profissão de protético, e isso garantiu sua estabilidade durante os mais de 10 meses longe dos bares e eventos.

OS BARES

Cientes do contexto de pandemia ainda existente e para garantir o cumprimento das medidas de higiene recomendadas pelos órgãos públicos e a segurança dos clientes e colaboradores, os bares e restaurantes, que estão operando com música ao vivo, estão tendo seus cuidados redobrados.

Segundo Heitor Almeida, proprietário de um bar em Ponta Negra que tem show acústico todos os dias, o mais desafiador é evitar o contato físico entre os clientes durante os shows.

“Nós não permitimos que o cliente dance no bar, que haja contatos físicos. A orientação é que cada um fique na sua mesa e se precisar se locomover no bar, que use a máscara. E se acontecer algo que consideramos inadequado, temos uma equipe de funcionários preparados para abordar os clientes e pedir a colaboração deles no cumprimento das medidas”, reforçou.

Ainda de acordo com ele, os bares são fiscalizados diariamente pelos órgãos da Prefeitura, onde é medido a distância entre as mesas, a quantidade de pessoas por mesa e a disponibilização de álcool em gel.

De acordo com os decretos da Prefeitura do Natal, os bares e restaurantes podem ter música ao vivo com no máximo 4 profissionais por apresentação, e não podem ter interação com o público. Além de serem limitadas o número de mesas e clientes por mesa, de acordo com o tamanho e a finalidade de cada estabelecimento.

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