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Trânsito
Após lançar Maio Amarelo, STTU quer malha cicloviária de 300 km em Natal até o final de 2024
Em 2021, campanha traz o tema “Respeito e Responsabilidade: pratique no trânsito”. Em entrevista ao Agora RN, secretário de mobilidade urbana adiantou planos de ciclovias e ciclofaixas na capital potiguar
Redação
03/05/2021 | 17:14

Chegou o Maio Amarelo, mês de conscientização sobre segurança no trânsito. Em Natal, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) começou os primeiros movimentos da  campanha que em 2021 traz o tema  “Respeito e Responsabilidade: pratique no trânsito”. Em entrevista ao Agora RN, Paulo César Medeiros, secretário da STTU, projetou 150 km de ciclovias e ciclofaixas até o final de 2021 e que a malha cicloviária alcance os 300 km no fim de 2024.

O objetivo é promover a empatia e a humanização, diminuir as estatísticas de acidentes de trânsito e chamar atenção sobre como a impaciência e a intolerância refletem nas atitudes das pessoas quando estão dirigindo.

O foco principal do movimento Maio Amarelo é a redução dos acidentes de trânsito, e para isso, a cidade de Natal atingiu a meta determinada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em reduzir em 51% o número de acidentes de trânsito nos últimos dez anos, como apontam as estatísticas da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU).

A  Assembleia Geral das Nações Unidas editou em março de 2010 uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito”, que tinha a meta de reduzir pela metade o número global de mortes e lesões no trânsito. O documento foi elaborado com base em um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes e 50 milhões de sequelas por acidente de trânsito em 178 países.

O Agora RN conversou com Paulo César Medeiros, secretário municipal de Mobilidade Urbana de Natal, que abordou vários aspectos de como a campanha acontecerá em Natal em meio à pandemia de Covid-19 e também sobre incentivo à formas alternativas de mobilidade, como o uso de bicicletas de uma forma segura na capital potiguar.

Agora RN: Qual a importância do Maio Amarelo no combate aos acidentes, principalmente aqueles fatais?

PAULO CESAR MEDEIROS (PCM): Ela trata como tema respeito e responsabilidade. A gente tem como certo que as pessoas no trânsito perdem muito o controle da situação e às vezes usam até o carro como uma arma. E isso preocupa a todos. 

Participemos ou não dos órgãos de trânsito e transporte. É um problema das cidades modernas. Essa campanha vai fazer este esforço que se faz no sentido de as pessoas estarem atentas ao trânsito e mais do que isso, se preocupando com o aspecto de cidadania. Não adianta ter o carro mais moderno, tecnologia mais moderna, se não age enquanto motorista e condutor de forma cuidadosa.

Temos que lembrar sempre que o objeto principal desta relação toda é o homem. O carro é o meio, é o veículo para se locomover. Assim como os outros modais, como transporte público, os apps de mobilidade. 

As pessoas que dirigem os carros precisam estar atentas aos seres humanos, que são os principais. O carro é o meio e a gente deve ter uma atitude respeitosa e cuidadosa quando a gente tá na condução.

De que forma as campanhas educacionais serão feitas em 2021? Elas vão se estender ao restante do ano?

PCM: Esse ano e o ano passado foram anos excepcionais por conta das aglomerações, que as pessoas possam se contaminar. Em outras épocas fazíamos ações nas escolas. Levávamos crianças para o centro de treinamento.

Em 2021, não vamos poder fazer como nos outros anos, porque temos que ter ações que evitem contatos. Vamos usar as redes sociais, mas intervenções nas ruas sem juntar pessoas. Fazemos ações nas faixas de pedestres com grupo mambembe. Usamos megafone para evitar que os artistas não fiquem próximos uns dos outros para preservar as pessoas. 

Outra questão é a ausência de ciclovias em algumas partes da cidade. Eu vi um anúncio recente de aumento de 15 km de ciclovias na Zona Norte da cidade. Há planejamento para mais ciclovias em Natal?

PCM: Hoje temos 85 km de ciclovias e ciclofaixas. Queremos até o final do ano queremos chegar aos 150 km. É óbvio que esta meta é ambiciosa. E ao longo dos quatro anos, queremos pelo menos chegar a 300 km.

O grande desafio é integrar essas ciclovias e ciclofaixas porque muitas estão segregadas a regiões. O objetivo é que as pessoas possam se deslocar para todos pontos. 

Em algumas vias como na marginal da Salgado Filho, que é estreita e escura em alguns pontos, os ciclistas precisam tomar cuidados extras para evitar acidentes. De que forma a STTU planeja melhorar esta situação?

PCM: A primeira providência é alertar aos ciclistas para que se mantenham visíveis. Nós não estamos imaginando que alguém atropele outra pessoa por querer. Isso acontece por falta de atenção ou visibilidade. Fizemos a recomendação inicial para que os ciclistas se tornem visíveis.

Outros aspectos, como ciclofaixas são usadas porque é impossível você tendo uma cidade posta, construir ciclovias em todos os lugares. Estamos desenvolvendo atividades com motoristas de ônibus, de educação, no sentido de você colocar o motorista de ônibus que se dispõe  e transitar nos lugares onde as faixas são compartilhadas. Isso faz com que o motorista de ônibus tenha a percepção do ciclista, que faz com que ele comece a se ver como ciclista.

Nós acreditamos que esse problema do respeito ao ciclista é um processo educativo que não é tão rápido quanto gostaríamos mas que começa a acontecer. No passado era meio exótico falar dos cuidados, mas é uma agenda que está em todas as pautas por aí.

Deixar de dar passagem pela esquerda é infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Há também a intenção de campanhas educativas sobre o uso da faixa esquerda de rolamento apenas para ultrapassagem? O que a STTU pretende fazer em relação a este assunto?

PCM: Também passa por campanhas de conscientização do tipo dizer: “evite a faixa da esquerda” e deixe que as pessoas ultrapassem em condição segura. Isso daí é bastante factível com o trânsito mais livre. 

Em alguns lugares da cidade, isso nem é um objeto de preocupação, porque o trânsito já está bastante cheio. Especialmente nas vias estruturantes da cidade, tipo a Avenida Engenheiro Roberto Freire, que é um lugar de trânsito intenso, ou a Prudente de Morais, você não tem tantas oportunidades de fazer ultrapassagens.

No caso de uma ambulância precisar de passagem, isso pode custar uma vida…

PCM: O problema das ambulâncias é um trabalho de todos os dias fazer uma conscientização. Ao longo dos últimos anos, isso tem melhorado. As pessoas percebem uma ambulância e começam a afastar os carros. Mas ainda assim é um problema. Isso pode causar mortes. Mas em Natal tem um trânsito satisfatório, mas em cidades como SP e RJ você pode ficar retido por mais de hora.

Natal é uma cidade que tem ainda alguns pontos de estrangulamento, mas o trânsito não para completamente.

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