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Economia
Após anúncio de Trump sobre interrupção de pacote fiscal, mercados internacionais têm instabilidade
Governo da Austrália anunciou sua proposta de orçamento para o próximo ano fiscal, com aumento do déficit público para cerca de 213,7 bilhões de dólares australianos (US$ 151,8 bilhões), ou 11% do Produto Interno Bruto (PIB) local
Estadão
07/10/2020 | 07:46

A maioria das Bolsas da Ásia encerrou o pregão desta quarta-feira, 7, em alta, ajudada pela proposta de orçamento australiano, bem recebida pelo mercado, e por ganhos em ações do setor de tecnologia. A exceção se deu no mercado de Tóquio, onde a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper as negociações com a oposição em torno de um novo pacote fiscal para o país teve peso maior.

O governo da Austrália anunciou sua proposta de orçamento para o próximo ano fiscal, com aumento do déficit público para cerca de 213,7 bilhões de dólares australianos (US$ 151,8 bilhões), ou 11% do Produto Interno Bruto (PIB) local. Serão concedidos US$ 257 bilhões em apoio econômico direto, em cortes de impostos e programas sociais. A disposição do Executivo local de elevar o estímulo fiscal para apoiar a economia repercutiu positivamente no mercado e deu força às Bolsas asiáticas. O índice S&P 500/ASX, da Bolsa de Sydney, encerrou o dia em alta de 1,25%, aos 6.036,40 pontos.

Bolsas da Ásia

Acompanharam o tom o australiano o índice Hang Seng, de Hong Kong, que subiu 1,07%, aos 24.238,00 pontos, e o índice Kospi, de Seul, que avançou 0,89%, aos 2.386,94 pontos. Na capital sul-coreana, o setor de tecnologia puxou os ganhos, com as ações da Samsung subindo 1,50% e as da LG, 1,80%.

Contrariando os pares, o índice Nikkei, da Bolsa da capital japonesa, fechou o dia em leve queda, de 0,05%, aos 23.422,82 pontos, com a canetada de Trump afetando o humor.

Os índices acionários da China continental seguem fechados, em virtude do feriado do Dia Nacional. Os negócios devem ser retomados apenas na semana que vem.

Bolsas da Europa

A tensão global disparada nos mercados acionários pelos tuítes do presidente americano, Donald Trump, que ordenou suspender as negociações com os democratas de um novo pacote de estímulos à economia antes das eleições, conduz as principais Bolsas da Europa ao território negativo na manhã desta quarta-feira. Prevalece o mau humor dos investidores, que tentam digerir eventuais desdobramentos da decisão, ainda que boa parte não vislumbrasse um acordo antes da corrida presidencial nos Estados Unidos.

Como os mercados europeus já estavam fechados após a série de tuítes de Trump, o reflexo aparece nesta manhã. Às 6h55, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 tinha baixa de 0,07%, aos 365.62 pontos. “Esses tuítes parecem ter interrompido o movimento de redução de risco”, observa o holandês Rabobank, em relatório a clientes.

O presidente dos Estados Unidos afirmou que os republicanos fizeram uma oferta generosa de US$ 1,6 trilhão e acusou a presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, que pediu US$ 2,4 trilhões, não estar negociando com boa fé. “Instruí meus representantes a pararem de negociar até depois das eleições, quando, imediatamente após eu ganhar, aprovaremos um grande projeto de lei de estímulo que se concentra nos trabalhadores americanos e nas pequenas empresas”, disse Trump.

Não bastasse a disparada de tuítes, um pouco antes, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, chamou atenção para consequências possivelmente trágicas sem um eventual novo socorro às famílias e empresas por conta da pandemia.

“Os mercados têm lutado para encontrar uma direção clara nas últimas semanas devido à falta de catalisadores positivos e ao aumento do número de incertezas que afetam o humor”, avalia o analista de mercados da australiana AxiCorp, Milan Cutkovic. “A volatilidade só vai aumentar antes das eleições nos EUA e o rali está com pernas trêmulas”.

No horário acima, em Frankfurt, o DAX recuava 0,10%. Por lá, além do “fator Trump”, o resultado da produção industrial desagradou, com queda de 0,2% em agosto ante julho, em termos ajustados, como informou nesta quarta-feira, a Destatis, agência oficial de estatísticas da Alemanha. A expectativa era de alta do indicador em 1,5%.

Quanto ao noticiário local, os investidores também devem monitorar discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, no Fórum Financeiro Internacional, às 09h10 de Brasília. Na terça-feira, 6, ela reforçou que a recuperação econômica na zona do euro será “incompleta, incerta e desigual”.

Nas demais Bolsas do ocidente, a Bolsa de Londres tinha queda de 0,01%, e o índice CAC 40, de Paris, recuava 0,04%, aos 4.893,50 pontos. O FTSE MIB, de Milão, baixava 0,02%, a 19426,57 pontos. Enquanto isso, o Ibex 35, de Madri, tinha declínio de 0,49%, a 6.902,50 pontos. Apenas o PSI 20, de Lisboa, é um ‘outlier’ na manhã destra quarta em meio ao mau humor dos mercados, com alta 0,03%, a 4.183,95 pontos. Dentre os destaques de alta da Bolsa portuguesa, estão as ações ds EDP, do setor de energia.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo operam em queda nesta quarta-feira, reagindo à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper as negociações com a oposição por um novo pacote fiscal no país. O tema deve ser retomado apenas depois das eleições presidenciais, disse o republicano. O anúncio foi feito ontem após o fechamento do mercado de petróleo e, por isso, incide sobre os contratos da commodity apenas hoje. Às 04h48 (de Brasília), o barril de petróleo WTI para novembro marcava queda de 1,45%, a US$ 40,08, enquanto o de petróleo Brent para dezembro cedia 1,13%, a US$ 42,17.

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