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Apagão no Amapá: crise no estado chega ao nono dia, ainda sem definição
Prazo definido pela Justiça para a situação voltar à normalidade acabou na terça, mas problema continua
Correio Braziliense
11/11/2020 | 06:30

O Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou, ontem, por meio de duas portarias publicadas no Diário Oficial da União, a liberação de R$ 21,6 milhões para o Amapá. O dinheiro é destinado ao aluguel de geradores e compra de combustível para operação dos equipamentos, utilizados nos rodízios de energia que acontecem no estado desde o último domingo, após o apagão que já dura nove dias.

As expectativas são de que os aparelhos aumentem a quantidade de energia distribuída à população, visto que 89% dos amapaenses contam com esse sistema. O estado segue sem energia restabelecida há nove dias.

O primeiro ato autoriza o empenho e o repasse de R$ 668,399 mil ao estado e o segundo, R$ 20,950 milhões. As portarias são assinadas pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério do Desenvolvimento Regional, que reconheceu, na sexta-feira, a situação de emergência decretada pelo governo local nos municípios amapaenses afetados pelo desastre.

A população do Amapá tem vivido, desde a terça-feira da semana passada, um drama pela falta de energia. O serviço sendo retomado gradualmente desde sábado, mas em sistema de rodízio. Na segunda-feira, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que não havia possibilidade técnica de restabelecer 100% da energia elétrica do estado até ontem.

No sábado, a Justiça havia determinado prazo de três dias para que a empresa privada espanhola Isolux, responsável pela energia elétrica do Amapá, resolvesse a situação. A população do estado conta, então, com um sistema de rodízio de energia dividido em dois turnos: de 0h às 6h e 12h às 18h ou das 6h às 12h e 18h à 0h.

Como medida paliativa, o governo federal tem enviado geradores termoelétricos ao estado por aviões da Força Aérea Brasileira e por barcaças. Na segunda-feira à noite, por meio de nota, o MME mencionou esforços para retomar a operação da unidade geradora da Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes, estimado para hoje. O trabalho deverá agregar 25 MW ao fornecimento de energia ao Amapá.

Aneel

Na terça-feira 10, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, afirmou que o órgão vai apurar com “todo o rigor” a responsabilidade dos atores envolvidos no episódio que resultou no apagão de praticamente todo o estado do Amapá. “Não descansaremos até que o povo amapaense tenha restabelecida a totalidade dos suprimento, e que todas as providências para apurar as responsabilidades dos atores envolvidos sejam tomadas e tomadas de maneira célere”, disse Pepitone no início da sessão ordinária da Aneel de ontem.

Longe de Brasília, a expectativa é diferente. “A energia nunca volta no horário previsto. Aqui no residencial onde moro, o rodízio funcionou corretamente no primeiro dia. A partir do segundo, a energia não voltou no horário previsto, à 0h, mas só por volta da 1h30”, conta o estudante José Vitor Carneiro, 22 anos, morador da capital, Macapá.

Ele não acredita que o problema possa ser resolvido hoje. “Não tem como resolver uma situação como essa em um curto prazo. Acho que eles estão querendo tapar o sol com peneira e resolver a situação da forma mais rápida o possível. Com esse reparo rápido, o problema pode vir a ocorrer novamente”, conta José.

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