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Curioso
Anomalia magnética: tempestade solar no Brasil poderia derrubar energia elétrica
A chamada Amas deixa regiões brasileiras mais expostas às tempestades, que causariam queda de energia elétrica, problemas tecnológicos e até mesmo financeiros
CNN Brasil
05/04/2021 | 08:48

Imagine a seguinte situação: o Sul e o Sudeste do Brasil ficam sem energia elétrica por 12 horas após uma tempestade magnética (ou solar) de alto nível.

Milhares de pessoas ficam sem televisão, sem internet, sem celular … Basicamente incomunicáveis, em uma época onde a comunicação é tudo e a internet tem se tornado cada vez mais importante em tempos de distanciamento social. As empresas do setor perdem bilhões de reais conforme as horas vão passando e o caos se aproxima.

É claro que a situação é (ainda bem) totalmente hipotética – e, para o cientista Marcel Nogueira, pesquisador do Observatório Nacional, em entrevista à CNN , deve continuar assim por muito tempo – mas é o suficiente para levantar a pergunta: será que a humanidade está pronta para um forte tempestade solar ?

Em 1989, em Québec, no Canadá, a resposta era não. Por conta de uma tempestade do tipo, correntes carregadas de radiação transitadas pontos fracos na rede elétrica do local e cerca de 6 milhões de pessoas na costa leste do país suportado sem luz por metade de um dia.

O processo para a recuperação canadense foi custoso e libertado uma lição em ditado popular: é melhor prevenir do que remediar. Nos Estados Unidos, à época, mais de 200 problemas de rede elétrica foram registrados – sem apagões.

Agora leve em conta que tudo isso aconteceu sem um agravante que somente o Sul e o Sudeste do Brasil têm: ambas as regiões têm uma defasagem em sua proteção magnética chamada de Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas) , o que faz com que chuvas do tipo se tornem mais intensas.

“A Amas não afeta o nosso dia-a-dia de forma tão direta. Com o nosso campo magnético enfraquecido interagindo com o campo magnético da Terra, há sinais de que o impacto de uma tempestade magnética aqui seria mais intenso, então você correria o risco de apagões, apagões, então isso pode ser uma atenção extra para fortalecer a energia elétrica “cientista Marcel Nogueira

Segundo ele, uma anomalia é “uma fragilidade no escudo magnético da Terra”. É por isso que, quando os satélites cruzam uma área afetada pela Amas, é comum que os mecanismos mais sensíveis sejam desligados para evitar efeitos graves causados ​​pela forte radiação emitida.

“É claro que isso pode afetar os satélites de TV a cabo de internet, mas o que acontece é que, muitas vezes, ou eles são preparados para evitar essas anomalias, ou evitam a todo custo essa órbita”, explica.

Para Nogueira, uma preparação dos equipamentos e o fortalecimento da energia elétrica na Terra devem ser adequados para minimizar os impactos de uma eventuam tempestade magnética. “Se vier uma nuvem magnetizada para o nosso planeta, não temos como impedi-la, ela vai vir e temos que aceitar que vamos ser impactados. Mesmo assim, podemos proteger os sistemas de linhas de transmissão e podemos criar um sistema de anti-blackout mais eficaz “, conta.

Nogueira também afirma que, do lado da ciência, é possível “saber com antecedência de dois a três dias quando algo pode afetar a Terra”. “Quando vemos uma erupção solar muito intensa, a gente pode rastrear a rota e se preparar para isso, desencadeia por desligar as coisas do que por tomar um curto-circuito”, diz.

Uma tempestade magnética é difícil de prever. Nogueira explica que as mais intensas ocorrem geralmente quando “estamos na parte máxima do ciclo Solar”, que dura 11 anos – em 2021, a Terra está longe do pico mais alto. As menos intensas causam pequenas perturbações e alguns animais podem ficar desorientados, como aves e baleias.

“A Amas é mais um desafio tecnológico por parte dos satélites que orbitam a região porque necessita uma dose maior de radiação do que em outras partes da Terra. No mais, preciso estudar como tempestades magnéticas”, diz.

A Amas, o Triângulo das Bermudas e o GPS

Ao ouvir falar da Amas, muita gente nas redes sociais começou a pensar sobre o que isso implicava para o GPS e para o Triângulo das Bermudas. Segundo Nogueira, o fenômeno não tem nada de místico.

“A Amas não afeta aviões e aviões, também não faz com que aviões desapareçam em viagens de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, por exemplo”, diz. “O mesmo vale se você pedir um Uber ou uma comida por aplicativo: vai chegar tudo normal, porque o GPS vai continuar funcionando. Apesar de estarmos em uma região de anomalia, ela não vai impactar diretamente na nossa vida”, brinca.

O Triângulo das Bermudas também é outra teoria que deve ser descartada, segundo Nogueira. Para ele, é preciso levar em conta as evidências – que, até o momento, para o cientista, mostra que “tudo funciona muito bem nas regiões afetadas pela Amas”.

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