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Opinião
Álvaro Dias pode sobrar no pleito de 2024; leia análise de Daniel Menezes
Daniel Menezes
16/12/2023 | 05:00

Com a avaliação que tem hoje, apesar de toda a espuma que solta no noticiário, o prefeito Álvaro Dias (Republicanos) corre o risco de não colocar alguém diretamente no segundo turno no pleito municipal de 2024 em Natal. Diferentemente de 2020, quando ele garantiu sua reeleição em primeiro turno com 60% dos votos válidos – o mesmo atingido por Carlos Eduardo (PSD) em reeleições anteriores –, agora ele é mais reprovado do que aprovado, conforme diversos institutos de pesquisa.

Há, por um caminho, a candidatura da deputada federal Natália Bonavides, que terá uma boa votação pelo PT. Por outro, uma postulação pela extrema direita, que deve chegar aos dois dígitos, provavelmente o General Girão (PL). Lá na frente, segue ainda em crescimento o ex-prefeito Carlos Eduardo. A depender da escolha do prefeito de Natal, ele pode sobrar em um segundo turno.

Lançar novo nome? Este colunista acredita ser improvável. O prefeito alimenta tal possibilidade apenas para dizer que seu leque é amplo, o que é objetivamente falso. Alguém já com musculatura? Sim, é possível. Mas quem há no mercado? Rafael Motta (PSB)? Ele iria para o segundo turno? O risco permanece.

O pleito de 2024 é movido fortemente pelas intenções dos agentes que já olham para 2026. O prefeito Álvaro Dias não pensa de forma estrategicamente distinta. Se sair de 2024 sem nada concretizado, não terá muito o que fazer na próxima campanha estadual. Um percurso possível seria a reaproximação com Carlos Eduardo. Ele segue aberto para Álvaro Dias e este atraiu Rafael Motta, que lidera o PSB, para sentar em qualquer mesa de negociação com mais força de pressão. Lance correto. Só que, se demorar demais, a porta pode se fechar. O União Brasil de Paulinho Freire já articula com o PSD de Carlos Eduardo e, se a carruagem seguir o seu caminho, a chapa será sacramentada e não haverá mais espólio para dividir.

Uma indicação de vice-prefeito pode não estar mais disponível, por exemplo. Há muito envolvido: futuro de Álvaro Dias; pleito municipal em Natal; e a aproximação entre União Brasil e PSD, o que passa pelas configurações de apoio, aproximação e/ou distanciamento entre o prefeito Allyson Bezerra, em Mossoró, e a reeleição da senadora Zenaide Maia em 2026.

Para onde irá o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB)? Do mesmo lado (ou do outro), há uma possível postulação da governadora Fátima Bezerra (PT) ao Senado e de de Walter Alves (MDB) ao Governo.

São diversos lances envolvidos e tudo isso está sendo devidamente concertado. O acaso incontrolável se faz presente. O dado concreto é que a situação de Álvaro Dias hoje é menos confortável do que a imagem que ele de modo inteligente construiu para a plateia.

Emagreceu

O prefeito Álvaro Dias fez uma confusão danada, disse que já estava com o dinheiro ouvindo a conversa e fez protesto pela licença do Idema. Alegou que a obra da engorda de Ponta Negra só dependia da licença. Após ela sair, falou em falta de recursos. Cadê a obra da engorda que habitou o noticiário durante meses?

Insatisfação

A insatisfação é geral no Partido Verde. Os deputados estaduais Eudiane Macedo e Hermano Morais alegam aos seus interlocutores que não estão sendo prestigiados com espaços no governo estadual. Além disso, se ressentem de não serem chamados para debater o pleito municipal com o PT, que lançou o nome da deputado federal Natália Bonavides em Natal. As duas agremiações se encontram federadas.

*Daniel Menezes é cientista político, professor da UFRN

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