O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, confirmou que agentes da Polícia Federal apreenderam um telefone celular, um notebook e dois HDs pessoais durante a Operação Mederi, que cumpriu mandados na manhã desta terça-feira 27 em sua residência. Segundo ele, a ação integra uma investigação iniciada em 2023, que apura possíveis irregularidades no fornecimento de medicamentos no município.
A confirmação foi feita pelo próprio prefeito, em vídeo publicado nas redes sociais. Segundo Allyson, os policiais foram recebidos de forma cordial e tiveram acesso a todos os ambientes da casa.

“Ao final, foi levado o meu celular, o meu notebook e dois HDs pessoais onde guardo recordações e memórias de toda a minha vida”, afirmou.
No pronunciamento, o gestor declarou estar tranquilo, em casa com a família, e afirmou confiar na Justiça. Ele também disse que está à disposição para apresentar documentos e colaborar com a investigação.
“Não tenho compromisso com o erro. Acredito na Justiça e por ela lutarei todos os dias da minha vida”, disse.
Allyson afirmou ainda que a investigação tem origem em um processo de 2023 e ressaltou que, naquele ano, editou um decreto determinando que todos os medicamentos distribuídos à população passassem por um sistema federal de transparência. De acordo com ele, a medida foi comunicada aos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) e o Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Até o momento, a Polícia Federal não divulgou detalhes oficiais sobre a investigação nem informou se há outros investigados.
Operação
Deflagrada nesta terça-feira 27 pela PF, a Operação Mederi foi realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A ação tem o objetivo de desarticular um suposto esquema criminoso voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios.
Ao todo, os agentes saíram às ruas para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Estado, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais determinadas no âmbito da investigação.
Segundo o último balanço divulgado pela PF às 18h, foram apreendido ao todo: 33 celulares, 34 dispositivos eletrônicos (notebooks, HDs e tablets), 4 veículos, 117 documentos e R$ 251 mil em espécie.
Parte do dinheiro apreendido foi encontrado em uma caixa de isopor na casa de Oseas Monthalggan, um dos sócios da empresa Dismed – que seria integrante do esquema.
Além de Mossoró, as fraudes teriam ocorrido em outros cinco municípios potiguares: José da Penha, São Miguel, Serra do Mel, Paraú e Tibau. Mandados foram cumpridas nessas cidades e também em Natal e Upanema.
De acordo com a PF, a operação tem como base auditorias realizadas pela CGU. Documentos do órgão apontam falhas na execução contratual, incluindo indícios de compra de materiais que não foram entregues, fornecimento inadequado de insumos e sobrepreço nos contratos analisados.