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‘Ninguém pediu recontagem da eleição de 2018. É ingênuo achar que o voto impresso vai calar discurso de fraude’, diz advogada
“Quantos candidatos derrotados vão pedir recontagem e vão querer questionar o resultado na Justiça?", indaga Aline Osório
O Globo
09/07/2021 | 13:45

A advogada Aline Osório tinha 32 anos e engrenava uma carreira internacional num escritório em Paris quando decidiu interromper tudo para voltar ao Brasil bem no início da pandemia. Ela aceitou um convite do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luis Roberto Barroso, para assumir uma missão inglória: defender a segurança das urnas eletrônicas e combater a desinformação sobre as eleições no Brasil.

Depois de pouco mais de um ano na função, a convidada deste episódio de A Malu Tá ON constata: no atual ambiente de polarização política, mesmo que se adote o voto impresso, a segurança das eleições continuará sendo questionada. “É ingênuo achar que a implantação do voto impresso vai calar algum discurso de fraude.”

O problema, diz Aline, é que, se não for combatido, tal discurso pode alimentar o descrédito sobre o sistema eleitoral e, no limite, sobre a própria democracia. “Quantos candidatos derrotados vão pedir recontagem e vão querer questionar o resultado na Justiça? As eleições ao final vão ser decididas por juízes, não pelos cidadãos. A política vai se tornar uma grande guerra de liminares e não de propostas, ou de disputa legítima de candidatos”.

Com a certeza de quem acredita que, no sistema atual, a fraude nas urnas eletrônicas é “impraticável”, Aline coloca em seu devido lugar as alegações do presidente Jair Bolsonaro de que teria ganhado as eleições de 2018 no primeiro turno.

“As entidades podem pedir depois das eleições todos os arquivos que foram usados nas eleições, para verificar. Se os partidos que questionam o resultado tivessem interesse em conferir, o fundo partidário tem dinheiro suficiente para contratar especialistas para isso. E nas eleições de 2018 não houve pedido. Isso poderia ter sido feito”, ela afirma. “Ninguém fez”.

Alçada ao comando de uma equipe de mais de mil pessoas, Aline teve de lidar com situações típicas do machismo na corte que só recentemente recebeu a primeira ministra mulher: “Já fiz audiências em que antes de me darem bom dia perguntavam ‘mas quantos anos você tem’? Ou que tentavam me arrumar marido”.

O podcast A Malu Tá ON traz, toda semana, entrevistas sinceras e diretas com gente que está fazendo a história acontecer. O programa está disponível às sexta-feiras a partir das 12h, na página de Podcast do GLOBO, no Spotify, no Apple Podcasts, na Amazon Music, no Google Podcasts, no Deezer ou em qualquer outro agregador.

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