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Coluna
Alex Viana: Instituto Pitágoras mostra o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves bem avaliado em Mossoró
Confira a coluna de Alex Viana desta terça-feira 15
Alex Viana
15/06/2021 | 09:41

Carlos Eduardo dá passo rumo ao isolamento

Na política, já dizia o extraordinário político pernambucano Marco Maciel, morto na semana passada, a ação deve ser precedida por muito cálculo e pela razão. O político deve procurar enxergar à frente, prevendo passos, se antecipando aos fatos. Além, é claro, de visar o desenvolvimento de sua nação, fortalecendo cada vez mais a democracia.

Afeito a leituras políticas, sobretudo biografias, e até certo ponto conhecedor dos meandros da política e da história, o presidente do PDT potiguar, ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, parece ter perdido essa aula com Marco Maciel, deputado federal, ex-presidente da Câmara, governador biônico de Pernambuco e por duas vezes vice-presidente da República – um político sem mácula, missionário e admirado por figuras como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de quem foi seu vice duas vezes.

No obscurantismo desde que sofreu sua última derrota eleitoral em 2018, quando perdeu a eleição para o governo para a então senadora Fátima Bezerra (PT), Carlos Eduardo vem tentando desde então se manter como opção política majoritária. Fomentou a divulgação de pesquisas em que aparece como nome competitivo para o Senado, e, nas últimas semanas, voltou ao noticiário admitindo disputar o governo ou o Senado.

Até aí, joga bem. Afinal, o momento é de plantar para colher no ano que vem. O problema (ou terá sido a solução?) parece ter dado as caras ontem, quando o pedetista resolveu sair de cima do muro e teceu críticas severas a Fátima, até então vista como potencial aliada dele em 2022. Disse o pedetista que o governo petista “está fadado ao fracasso” por “não ter capacidade de investimentos no Estado”.

Em primeiro lugar, é preciso dizer que, no aspecto da crítica, Carlos está cercado de razão. Afinal, um governo de um estado pobre e atrasado como o Rio Grande do Norte passar quatro anos apenas administrando a folha de pagamento do funcionalismo, sem realizar investimentos substanciosos, está realmente destinado ao fracasso em sua análise histórica. Mas esse é um assunto para outro comentário. Não se trata disso. O fato é que, para ser candidato, Carlos precisa de aliados e com esse comportamento termina excluindo o PT de suas opções.

Excluído eventualmente de uma alinça com o PT, o fato é que Carlos, pelo menos aparentemente, parece caminhar para um isolamento político. Isso porque os demais grupos da política potiguar, pelo menos os mais importantes, são antipáticos a ele e, de hábito, não abrem espaços para o pedetista, que não encontra terreno fértil para parcerias nem no governo Bolsonaro, tendo em vista sua já conhecida birra nutrida junto aos ministros Rogério Marinho e Fábio Faria, que representam o bolsonarismo por essas bandas; nem na Assembleia Legislativa, considerada uma casa de grande força político eleitoral; tampouco na prefeitura de Natal, com seu (ex?) aliado prefeito Álvaro Dias (PSDB).

Diz-se, de brincadeira, nos bastidores, mas com um fundo de verdade, que Rogério Marinho quer vez o satanás, mas não senta para um café com Carlos Eduardo. Na Assembleia Legislativa, os deputados que orbitam no entorno do presidente Ezequiel Ferreira desnutrem qualquer relação com o ex-prefeito de Natal – por culpa do próprio Carlos, que nunca foi adepto ao cultivo de boas relações políticas com a classe política do seu Estado. E o prefeito Álvaro Dias, que tinha tudo para ser um grande aliado do seu antecessor e até certo ponto criador, em verdade considera que encerrou seu dever de aliado com Carlos, ao aceitar dele a indicação da prima da esposa do pedetista, Aíla Cortez, como candidata a vice na eleição passada.

Ou seja, se for excluído de uma aliança com Fátima e o PT, tudo indica que não restarão parceiros para Carlos Eduardo nas demais searas, fazendo com que ele fique isolado no tabuleiro eleitoral de 2022.

Nesse contexto, diante das críticas do ex-prefeito contra a petista, houve quem suscitasse que Carlos poderia estar fomentando, mais uma vez, uma aventura eleitoral por meio de uma terceira via, como em 2018 – já que a primeira e a segunda seriam ocupadas por Fátima e por um candidato apoiado por Bolsonaro. No entanto, já há algum tempo, o senador Styvenson Valentim (Podemos) anuncia-se como candidato a governador por essa dita terceira via. Estaria então Carlos Eduardo de olho na possibilidade de uma candidatura ao Senado ao lado de Styvenson, disputando o governo? Ou ele poderia estar fomentando uma quarta via? A ver as cenas dos próximos capítulos.

Sem nomes
O fato de a oposição avaliar nomes como o da deputada federal Carla Dickson como candidata de Bolsonaro ao governo do Estado, mostra que os que foram citados até aqui não “pegaram”. É o caso das pré-candidaturas balões de ensaio do deputado Tomba Farias (PSDB) e do ex-deputado Fábio Dantas (Solidariedade).

Não, mas pode ser
Carla Dickson diz que não está em seus planos ser candidata a governadora, pois trabalha para ser reeleita deputada federal. Entretanto, admite que se for dentro de um contexto de discussão partidária, ela poderá avaliar a candidatura.

Rogério apoia
Ligada ao bolsonarismo, Carla Dickson poderá ser a opção da oposição. A parlamentar tem bom relacionamento com praticamente toda a classe política. Conta com a simpatia do ministro Rogério Marinho, que passaria a ter o apoio dela na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Bolsonaro aceita
Suplente do ministro Fábio Faria (Comunicações), Carla teria em Fábio um candidato forte ao Senado Federal, com o total e irrestrito apoio do presidente Jair Bolsonaro, um admirador do trabalho de Carla desde que ela assumiu uma cadeira na Câmara.

Bom desempenho
Carla tem tido um desempenho esplendoroso na Câmara, avaliam seus pares. É de longe a parlamentar mais bem avaliada da atual legislatura potiguar em Brasília, liderando todos os rankings de avaliação política – inclusive sendo atualmente a 27ª melhor parlamentar federal do Brasil, segundo institutos de credibilidade que medem o trabalho parlamentar.

Capilaridade
Carla assume todas as relatorias de matérias importantes na Câmara e, eleitoralmente falando, tem entre seus principais atributos pertencer à bancada evangélica. Só para se ter uma ideia, em todos os municípios do RN existem igrejas evangélicas, enquanto que nem todos os partidos têm representação em todos as cidades.

Desafio
O jornalista Bruno Martins assumiu a assessoria de comunicação da Prefeitura de Mossoró na gestão Alysson Bezerra (Solidariedade). Terá como meta organizar os processos e modernizar a gestão de comunicação da cidade. Bruno é especializado em mídias digitais, tendo sido social mídia e assessor de imprensa do atual prefeito até o ano passado, quando era deputado estadual.

Imagem
O prefeito de Macaíba, Emídio Júnior (PL), tem feito um trabalho consistente de reordenamento da gestão municipal, mas tem pecado pela inexperiência prática no executivo. A demora no fazer tem dado a tônica de sua gestão. Em todos os setores. Embora bem intencionado, começa a ser visto como pouco eficiente como gestor por causa disso.

Bem em Mossoró
O ex-prefeito Carlos Eduardo parece estar disposto a apostar seu nome na corrida eleitoral vindoura, naturalmente, para o governo ou o Senado. Confrontado com os dados da pesquisa Agora Sei, noticiados pela coluna no sábado passado, Carlos apresentou à coluna dados de uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Pitágoras (IPP), mostrando que ele pontua bem na capital do Oeste.

Líder para o Senado
Segundo o levantamento feito para o Senado, Carlos aparece com 15,4% das intenções de voto, à frente de nomes como Garibaldi Filho (11,2%), Fábio Faria (6,8%), Rogério Marinho (4,7%) e o empresário Luiz Roberto Barcellos (3,9%).

Bem para o governo
Para o governo, Carlos Eduardo também aparece com potencial não desprezível em Mossoró – ainda segundo o levantamento. Nessa amostragem, a governadora Fátima Bezerra desponta na liderança com 44,5% das intenções de voto, enquanto que Carlos aparece em segundo, com 11,7%, à frente do senador Styvenson Valetim, com 9,6%, Álvaro Dias, com 1,8%, e Rogério Marinho, com 1,1%.

Bom nome
Os dados apresentados por Carlos Eduardo são diferentes dos publicados na coluna de sábado. Nos dados do Agora Sei, o presidente do PDT só foi lembrado por eleitores de Natal e Parnamirim. Já os do IPP mostram que o eleitor de outras regiões do Estado, como Mossoró, não só lembram, como admitem votar em Carlos, para o governo e para o Senado.

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