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Coluna
Ex-governador Robinson Faria disse, durante entrevista, que o povo do RN clama por sua volta
Confira a coluna de Alex Viana desta quinta-feira 17
Alex Viana
17/06/2021 | 09:14

Fábio vice, Robinson governador e Rogério no Senado?

Aguarda-se, com ansiedade, a vindo do presidente Jair Bolsonaro ao Rio Grande do Norte, prevista para as próximas semanas. Vem cumprir agenda ao lado dos ministros potiguares Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) e Fábio Faria (Comunicações). Embora a tônica seja administrativa, no mundo político, espera-se um direcionamento político do presidente para as eleições de 2022 no Estado.

Nesse sentido, é bom lembrar que Bolsonaro já citou do nome de Rogério Marinho para ser seu candidato a governador, sinalizando, com isso, que Fábio seria o candidato ao Senado. Contudo, política é como as nuvens, muda de cenário o tempo todo, e a possibilidade de Fábio virar candidato a vice-presidente de Bolsonaro não estaria descartada. Divulga-se essa especulação. E onde há fumaça, pode haver fogo.

Jovem, bem aparentado, “dono” do SBT, com bom trânsito no Congresso, nordestino (embora com pouco orgulho, ao que parece), catequizado na cartilha do bolsonarismo (já foi petista de carteirinha), Fábio tenta se viabilizar como vice, algo difícil de acontecer, devido à falta de peso político para tanto. Mas em política tudo é possível e não se descarta a possibilidade.

Fábio como vice de Bolsonaro, portanto, seria pedra angular para a definição do quadro eleitoral potiguar. Muda tudo o que tem sido estudado. Inclusive com a possibilidade de o pai dele, o ex-governador Robinson Faria (PSD), poder disputar novamente o governo do Estado, com Rogério candidato ao Senado. “Tudo depende do presidente Bolsonaro”, diz uma fonte com trânsito livre no eixo político em Brasília.

Voando em céu de brigadeiro como candidata única ao governo em 2022, a governadora Fátima Bezerra (PT), no cenário atual, só perderia a eleição para ela mesma, diz a fonte. Com isso, dando a entender que basta a petista não errar na administração para garantir a reeleição nas urnas do ano que vem.

A bonança de Fátima, porém, poderia sofrer abalos a partir de uma intercessão direta do presidente no cenário local. “O presidente vindo aqui, e ele vem agora, vai dar um balanço mais claro nas posições dele”, diz a mesma fonte, acrescentando que existe indefinição quanto a que cargo Rogério deverá se candidatar.

Rogério é visto de longe como o ministro que tem mais realizações federais no portfólio a apresentar, devido ao extenso catálogo de obras que administra no Brasil, significativamente em municípios do Rio Grande do Norte e em Natal. Daria, pelas obras, um bom vice como representante do Nordeste. Mas a ele falta ainda uma definição de partido.

Nesse aspecto, Fábio está melhor. Se filiará ao PP, partido de peso, do chamado Centrão, que tem o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, entre seus quadros. E Rogério sonha mesmo em ser candidato ao Senado, para poder disputar o governo em 2026, fortalecido e sem risco, na chamada “candidatura dos sonhos”, que é aquela em que o político se licencia do mandato para disputar outro cargo, sem o risco de ficar sem mandato em caso de derrota. Isso só acontece no chamado “céu” que é o Senado, em que cada mandato tem duração de oito anos.

Dessa forma, uma surpreendente escolha de Fábio como candidato a vice de Bolsonaro não estaria descartada, e naturalmente reordenaria o palanque da oposição. E a grande novidade seria a entrada de Robinson como candidato de Bolsonaro ao governo. Sobretudo se nomes como Tomba Farias (PSDB), Fábio Dantas (Solidariedade) e mesmo Carla Dickson (PROS), lembrada para o cargo essa semana, não entrarem na simpatia do presidente.

Nessa semana, Robinson deu entrevistas dizendo que “o povo clama” por sua volta. Seria uma sinalização da articulação regada a vinhos feita pelo casal Fábio/Patrícia com o casal Jair/Michelle? Tudo é possível. Com o poder de influência que Fábio desfruta atualmente junto ao clã presidencial, definir o quadro eleitoral bolsonarista no Rio Grande do Norte é uma questão de conveniência simples de equacionar.

Suicídio político
O ex-governador Robinson Faria, presidente estadual do PSD, deu entrevista a emissoras de rádio dizendo que o povo do Rio Grande do Norte “clama” por sua volta. O ex-governador deixou o governo, após a derrota na tentativa de reeleição em 2018 para Fátima Bezerra (PT), com folhas quatro salariais em atraso – algo semelhante a suicídio político.

Decepcionado
Aliados de Robinson à época chegaram a comentar que acreditavam que Robinson entendia que não voltaria mais à atividade pública, devido à forma como tratou a gestão (sem preocupação com a imagem própria) nos últimos meses do mandato, após não ter sido sequer classificado para o segundo turno daquela eleição.

Tiro no pé
A razão para tal conclusão se deve ao fato de que nenhum político que pensa em se manter na atividade pública no futuro teria agido com tanto deszelo frente aos servidores públicos do Estado, considerados massa eleitoral de grande impacto num estado como o RN em que a grande maioria das famílias tem alguma dependência com o setor público.

Lavou as mãos
Em síntese, Robinson poderia ter minimizado o próprio desgaste, se tivesse se esforçado para não deixar tantas folhas salariais em atraso. Poderia ter feito um mutirão administrativo-financeiro, com foco no servidor, que naquele momento enfrentava grave penúria, com tantos meses sem receber. Pareceu, realmente, que “lavou as mãos”, dando outras prioridades administrativas ao apagar das luzes de sua gestão desaprovada nas urnas.

Sonho
Claro que erros do passado podem ser corrigidos no futuro. Nada como a experiência para aprender a acertar. E Robinson com certeza faria muita coisa diferente se tivesse nova oportunidade. Pelo visto, ele estaria disposto a uma nova aventura. Animado que está com a possibilidade do presidente Jair Bolsonaro, tal qual fez Lula em 2018, coloca-lo no colo para tentar reempossá-lo no governo.

Agenda patética
Os ministros da Comunicação, Fábio Faria, e da Cidadania, João Roma, pareciam dois patetas ontem em Mossoró. Vieram ao Estado para uma agenda chinfrim: ligar pontos de internet e entregar cestas básicas. Só.

Uso da máquina
Quem acompanha os meandros da política, porém, sabe bem que se tratou mais de ação político eleitoral do que qualquer outra coisa. Fábio quer aparecer no Estado, já que ainda conta com os votos dos norte-rio-grandenses, feitos de pateta por ele. Até agora, como ministro, Fábio nada fez pelo Estado. Ao contrário.

Politicagem
Podendo ajudar a governadora Fátima Bezerra a fazer uma gestão de grandes realizações, o que seria possível por meio de desarmamento, união e parcerias, ganhando com isso o Rio Grande do Norte e sua imensa maioria de miseráveis, Fábio desperdiça a enorme oportunidade que está tendo como ministro, para fazer apenas politicagem, pensando apenas nele, e nos votos dos patetas potiguares.

Bolha embriagante
Fábio Faria deveria ter vergonha na cara e sair da bolha em que se encontra: embriagado pelo poder, esquece do dever de casa básico de ajudar o seu estado.

União política
O melhor caminho para organizar essa ajuda ao RN seria, como dito acima, um desarmamento e uma união com a classe política para viabilizar investimentos. Em vez disso, Fábio prefere ser baba ovo do presidente da República.

Para quê?
Afinal, para que ter tanto poder se esse poder não é revertido em favor do povo que Fábio representa? Alguém poderia apontar algum benefício concreto que Fábio como ministro trouxe até agora para o RN?

Jogando contra
Muito pelo contrário. Simplesmente Fábio entra na guerrilha doutrinada pelo presidente e, para agradar o chefe, achincalha o governo do RN, como se isso não fosse jogar contra o próprio estado.

Atraso
Enquanto o RN tiver representantes políticos como Fábio Faria e outros estará fadado ao atraso. Infelizmente é a mais pura verdade.

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