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Declaração
‘Agi e respeitei totalmente o sigilo das vítimas’, diz Adnet sobre caso Marcius Melhem
No relato, consta que Adnet teria se solidarizado com algumas das vítimas, que incluiriam sua ex-esposa, Dani Calabresa, mesmo sem ter dado declarações enérgicas em relação ao caso
Estadão
04/12/2020 | 19:20

Marcelo Adnet usou seu Twitter para comentar novas informações que vieram a público a respeito das acusações de assédio sexual e moral envolvendo Marcius Melhem, publicadas nesta sexta-feira, 4, pela revista Piauí.

No relato, consta que Adnet teria se solidarizado com algumas das vítimas, que incluiriam sua ex-esposa, Dani Calabresa, mesmo sem ter dado declarações enérgicas em relação ao caso quando questionado em entrevistas ou redes sociais.

“Fiz o mínimo, agi e respeitei totalmente o sigilo que as vítimas pediram. A história é muito pesada e traumática para os envolvidos”, afirmou.

Em outro tuíte, Adnet comentou: ” Pô, tua amiga te conta um negócio e pede sigilo. Serei leal a ela. Não vou expor a história dela contra sua vontade”. Em resposta a um seguidor, ressaltou: “Não fui líder, apenas aliado”.

A publicação afirma ter colhido depoimento de 43 pessoas, entre vítimas e testemunhas, muitas das quais na condição de anonimato. Entre os relatos, há detalhes dos supostos assédios que teriam sido praticados por Melhem e relatados ao compliance da emissora. 

Também há relatos de medidas que teriam sido tomadas por funcionários da Globo em relação à situação, como uma sugestão de que Marcius Melhem fizesse terapia após uma acusação.

Em março, a Globo emitiu um comunicado informando o afastamento de Marcius Melhem de sua função durante quatro meses por questões pessoais. Já em agosto, foi anunciado o desligamento de Melhem da emissora.

No comunicado final, a Globo destacou a “parceria de 17 anos de sucessos” e a “importante contribuição para a renovação do humor nas diversas plataformas da empresa”. A ausência de comentários sobre as acusações de assédio teria gerado indignação em um grupo de artistas.

Uma carta chegou a ser enviada para Carlos Henrique Schroder, diretor de Criação e Produção de Conteúdo da Globo, assinada por diversas pessoas, sem mencionar o nome de Melhem, mas falando sobre “recentes acontecimentos no núcleo do humor” e propondo “criar um ambiente de trabalho saudável, transparente e digno para todas e todos”, já que “muitos sofrem diariamente e precisam de apoio para debater junto à empresa novas medidas e mecanismos que garantam um ambiente de trabalho onde haja respeito e segurança”.

O texto foi enviado a Schroder justamente por uma conta de e-mail de Marcelo Adnet, com cópia para a advogada Mayra Cotta, que cuida de um grupo de pessoas que alegam terem sido vítimas.

O e-mail teria sido enviado no mesmo dia em que Adnet participou do Roda Viva, ocasião em que foi questionado sobre as acusações de Marcius Melhem, o que gerou críticas por diversos usuários de redes sociais por sua resposta.

Em entrevista ao Estadão em 2 de novembro, Marcelo Adnet foi questionado se poderia falar sobre as acusações contra Marcius Melhem. “Prefiro não dar dealhes, porque estaria expondo as vítimas, mas presto todo meu apoio e solidariedade a elas”, respondeu, na ocasião.

O Estadão entrou em contato com a assessoria da Globo em relação às novas informações divulgadas pela revista. A emissora diz que “não comenta questões de compliance”, mas apura “todo relato de assédio moral e sexual assim que a empresa toma conhecimento”. Confira a íntegra do comunicado abaixo.

“A Globo não comenta questões de compliance, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento. A Globo não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e incentiva que qualquer abuso seja denunciado. Neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do Código de Ética do Grupo Globo. Por esse Código, assumimos o compromisso de sigilo do processo, assim como o de investigar, não fazer comentários sobre as apurações e tomar as medidas cabíveis, que podem ir de uma advertência até o desligamento do colaborador. Mesmo nas hipóteses de desligamento, as razões de compliance não são tornadas públicas.

Somos muito criteriosos para que os estilos de gestão estejam adequados aos comportamentos e posturas que a Globo quer incentivar e para que as medidas adotadas estejam de acordo com o que foi apurado. Não foi diferente nesse caso. O acolhimento e a empatia com quem relata situações de violação do Código de Ética são pontos essenciais do programa de compliance da empresa. 

Isso não quer dizer que os processos de compliance sejam estáticos. Ao contrário. Eles evoluem constantemente para acompanhar as discussões da sociedade. As práticas e as avaliações são revistas o tempo inteiro, assim como são propostas e acolhidas sugestões de melhoria nos mecanismos de comunicação interna. A própria sociedade está se transformando e a empresa acompanha esse processo.”

A advogada Mayra Cotta também foi contatada, mas não trouxe novas declarações. Questionada se as acusações de assédio foram levadas à Justiça, informou: “Até onde sabemos, não há inquérito penal tramitando. Somente a investigação interna da compliance [da Globo]”.

Marcius Melhem se pronunciou sobre as acusações de assédio pela primeira vez em 25 de outubro. “Mesmo abraçando profissionalmente a causa feminista, ainda combato o machismo dentro de mim, erro, posso ter relações que magoem”, disse, à época.

Em carta enviada à Piauí, Melhem falou novamente sobre o caso nesta semana. Confira a íntegra abaixo:

“Quando recebi as perguntas da revista piauí, percebi que a sentença já estava dada. Então, nada que eu diga sobre fatos distorcidos ou cenas que jamais ocorreram vai mudar esse perfil construído de abusador, quase psicopata.

Qualquer pessoa que tenha convivido comigo sabe que eu jamais cometeria algum ato de violência e que nunca forcei ninguém a nada. Mas parece que o único objetivo está sendo bem-sucedido: a minha condenação na opinião pública.

Quero pedir desculpas a pessoas que eu magoei, mas sequer tive o direito de saber quem são elas. O mundo mudou, comportamentos antes naturais estão sendo revistos, e todos precisamos aceitar as consequências de nossos excessos.

Venho há um ano trabalhando esse entendimento e estou disposto a assumir qualquer erro ou dano que tenha causado. Mas é preciso que a conversa seja transparente, sem omissões, mentiras ou distorções sobre as relações. É o que eu vou buscar: justiça.”

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