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Esportes
Torcedores do ABC criticam demora em investigação de morte de Leonardo Lucas
Leonardo foi vítima de disparo de fuzil no dia 15 de setembro, no bairro Ponta Negra, durante um jogo entre ABC e Sport
Redação
07/12/2023 | 07:50

A morte de Leonardo Lucas de Carvalho, de 26 anos, por um tiro de fuzil, segundo apontou investigação da Polícia Civil, ainda repercute. A Garra Alvinegra, uma das torcidas organizadas do ABC, fez críticas ao que chamou de “demora” na investigação do caso. Em entrevista ao AGORA RN, a Diretoria da Garra Alvinegra, torcida organizada do time, falou sobre como encara a busca por uma resolução do caso.

“Demorou bastante para solucionar um caso que tinha todas as evidências desde o primeiro dia de que o disparo não foi efetuado por outro torcedor”, informou a diretoria da Garra Alvinegra. “No fim, o que todos nós já sabíamos foi ratificado, agora é aguardar a punição dos envolvidos pelo devido rigor da lei”, completou.

De acordo com a Garra, a torcida cobrou desde o início das investigações que tudo fosse apurado de forma clara, além de organizarem protestos e movimentar a imprensa, para que não deixassem o caso “esfriar”.

RACISMO ESTRUTURAL

Sobre a conduta do policial militar, a direção da Garra Alvinegra declara que preconceitos estruturais da sociedade influenciam na ocorrência de situações violentas em dia de jogo. “Quantos casos de disparo de arma de fogo existem em nossa cidade em eventos onde a classe média branca se envolve em algum tipo de confusão, tumulto, que acabam dessa forma? Shows, carnatal, carnaval, quantos e quantos eventos não tem distúrbios sociais, e a gente não vê a polícia atirando de fuzil pra apaziguar? Mas contra o torcedor que em sua maioria é pobre, preto e favelado, o racismo estrutural sempre pesa”, disse.

A diretoria da Garra frisou que Leonardo não tinha ligação direta com a torcida organizada. “O vínculo de Leonardo com a torcida era o mesmo de todos os torcedores que frequentam nossa casa e amam o ABC Futebol Clube, sem ligação direta com a nossa torcida organizada”, concluiu.

RELEMBRE

Leonardo foi atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça durante um confronto entre torcedores e a Polícia Militar, ao final do jogo entre ABC e Sport que ocorreu no estádio Frasqueirão. O torcedor tinha uma barbearia e morava no bairro Pajuçara, na Zona Norte de Natal. Leonardo era casado e deixou uma filha de dois meses de idade.

De acordo com a Polícia Militar, o órgão abriu um procedimento interno (sindicância) para apurar as ações dos policiais militares que estiveram presentes na ocorrência. Ao identificarem indícios de possível crime militar, a sindicância foi convertida em Inquérito Policial Militar.

Nesta terça-feira 5, a PM recebeu via Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do Estado o documento da Polícia Civil que identificou e indiciou por homicídio o policial suspeito de ter efetuado o disparo. A investigação por parte da Polícia Civil contou com a análise de imagens, provas periciais fornecidas pelo laudo do Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP) e depoimentos de testemunhas para afirmar que o tiro que causou a morte de Leonardo veio de um fuzil calibre 5.56.

Segundo a PM, com a conclusão, o inquérito é encaminhado ao MP que, em seguida, direciona para a Justiça Militar, onde ocorre uma auditoria militar sobre o caso. “Destaca-se que a finalização do Inquérito aguarda a conclusão do laudo a ser enviado pelo ITEP – para que se possa oferecer uma análise mais completa e embasada sobre o ocorrido”, informou a Polícia Militar.

Em nota, a PM salienta que, após o recebimento do documento pelo SEI, a Polícia Militar vai identificar e afastar o policial do serviço operacional, permanecendo à disposição da Justiça. Além disso, a entidade reafirma seu compromisso com a transparência e rigor dos fatos, comunicando que irá responsabilizar os envolvidos e preservar pela ordem da segurança pública.

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