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Editorial
A regra de voltar atrás
Redação
24/03/2020 | 00:05

Poucas horas depois de editar uma medida provisória determinando a suspensão dos contratos de trabalho por quatro meses, sem nenhum tipo de compensação ao trabalhador, o presidente Jair Bolsonaro decidiu voltar atrás.

Contribuiu para isso o puxão de orelhas dados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, além de centenas de críticas recebidas, apesar do elogio do governador de São Paulo, João Doria, dado inadvertidamente durante sua coletiva desta segunda-feira (23). Não é segredo para ninguém que a crise está posta.

Com a economia paralisada, o desemprego no Brasil, que já estava alto, promete disparar. Já há quem fale em 40 milhões de desempregados, um número absolutamente devastador, mas não exótico para um país com as fragilidades socioeconômicas sabidas.

Com as medidas até agora adotadas pelo governo, de imediato, haverá uma substancial perda de renda dos trabalhadores, exceto aqueles servidores públicos da elite, que tiveram tempo suficiente, com seus altos salários e penduricalhos, para amealhar uma boa poupança.

Estes, mesmo sem poder sair de casa, estão de férias. O que está em questão aqui são milhões de brasileiros que não terão dinheiro mais para pagar contas básicas.

Quando um trabalhador perde o emprego, ele recebe um salário desemprego por alguns meses até se reorganizar numa situação normal da economia. Isso já rende a ele terríveis preocupações, já que as vagas de trabalho estavam em falta antes da pandemia.

Agora que as coisas pioraram de forma rápida e absoluta, a simples decisão do governo de divulgar uma MP autorizando empresas a suspenderem o pagamento de seus empregados, acenando com uma compensação mínima dos salários, ascendeu o pânico e colocou em dúvida a competência das autoridades econômicas.

O correto – e parece que isso vai acontecer – são políticas setoriais que injetem ânimo na economia como um todo e não apenas na tranquilidade das empresas ou crédito para elas passarem a tempestade. Os trabalhadores fazem parte dessa equação.

A ideia de que o consumo tem relevância inferior à produção é um argumento ingênuo, mas recorrente no Brasil. Aqui, as coisas sempre funcionaram para atender lobbies com poder de falar alto em Brasília, e não é de hoje.

Nos EUA, as pessoas recebem para ficar em casa e o problema de lá é mais a falta de leitos da UTI, que é um problema de vários países.

Aqui, no Brasil, além de ficar em casa e não poder produzir, os trabalhadores têm que encarar como normal a inadimplência e a fome.

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