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Editorial
A panela está queimando
Redação
04/03/2020 | 00:10

Dois ingredientes em especial pesam na receita da economia e contribuem para solar o bolo ainda no forno: falta de vitalidade do fermento da economia e o envelhecimento dos ingredientes.

O jornal O Globo trouxe na segunda-feira alguns indícios de que esse problema, que veio para ficar, já atingiu dimensões preocupantes nessa cozinha um tanto exótica do governo Bolsonaro, aquela que gasta tempo e energia demais em problemas desimportantes, enquanto deixa a panela queimar no fogo.

O cruzamento feito pelo jornal, com base em dados da Secretaria da Previdência e do IBGE, apontou que, em 2017, último ano disponível desse tipo de informação, os benefícios da seguridade representavam mais de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 693 municípios brasileiros.

É o maior patamar da série histórica, iniciada em 2002, sendo que, naquele ano, havia 349 cidades nessa situação. Isso indica que, apesar de algum crescimento na economia nas últimas décadas, ele não ocorreu de maneira homogênea no País.

Por exemplo, em 2010, quando o PIB registrou alta de 7%, os benefícios pagos pelo INSS — como aposentadorias, pensões, auxílio-doença e BPC, pago a idosos e deficientes de baixa renda — representaram mais de um quarto de tudo o que foi produzido em 487 municípios. Já em 2014, quando o País praticamente não cresceu, eram 500 nessa situação.

Ou seja, com uma expansão maior que a de outros recursos, os benefícios do INSS ganharam protagonismo no consumo das famílias, um dos pilares do PIB, e também na redução de desigualdades – duas questões sobre as quais a política liberal do governo pretende exercer forte pressão.

Segundo apurou O Globo, em 2017, nas 4.101 das 5.570 cidades brasileiras, o volume de pagamento de benefícios previdenciários já superava o de transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que repassa valores de impostos aos erários locais.

Se, em 2010, os benefícios previdenciários correspondiam a 6,3% de tudo o que é produzido no país, em 2018 já equivaliam a 8%, num processo em constante evolução, descolado do ciclo econômico.

Trata-se de um problema nacional, mas concentrado no Nordeste, sobretudo nas cidades com até 50 mil habitantes. O grave aqui é que cidades com mais de 100 mil habitantes no Sudeste já integram esse cardápio do desastre.

Quando o bolo não cresce no forno e as panelas começam a queimar, é sinal de que a cozinha precisa de reforma. Ou o cozinheiro, trocado.

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