O Rio Grande do Norte, situado na esquina do continente, enfrenta atualmente uma acalorada discussão sobre a construção de novos portos, notadamente o ‘Porto Potengi’ e o ‘Porto Verde’ em Caiçara do Norte. Esse assunto tem despertado controvérsias e debates, mas é fundamental contextualizá-lo dentro de uma realidade mais ampla: a necessidade de investimento na infraestrutura básica primeiro.
Nesse sentido, chama a atenção o artigo assinado pelo ex-secretário de Planejamento do Rio Grande do Norte, Vagner Araújo, publicado ontem no jornal Agora RN. Nele, Vagner lembra que há uma série de projetos para melhorar a infraestrutura do estado que merecem prioridade.

Primeiramente, destaque-se a necessidade de recuperação das estradas do estado. Rodovias em más condições impactam negativamente a mobilidade e o desenvolvimento econômico. O próprio Terminal Pesqueiro, parado há 14 anos e agora com promessa de privatização para 2024, precisa ser colocado em pleno funcionamento para impulsionar a indústria pesqueira local.
A duplicação da BR-304 que liga Natal a Mossoró – e ao Ceará – e o acesso ao município de Guamaré, são lembrados para melhorar a conectividade entre as regiões e facilitar o transporte de cargas e mercadorias. A estrada parque da Pipa, um projeto que beneficiaria o turismo local e regional. Além disso, os aeroportos regionais também necessitam de atenção.
Investir na melhoria e expansão dessas infraestruturas, segundo o ex-secretário, é fundamental para a ligação aérea e o fortalecimento do turismo. A recuperação das ferrovias é outra frente importante para facilitar o transporte de cargas e promover a logística. Também há a demanda por instalação de um recinto aduaneiro no entorno do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, que poderia impulsionar o comércio internacional e atrair investimentos estrangeiros.
Enfim, são investimentos básicos mais exequíveis a curto prazo do que projetar e executar portos, que demandam investimentos bilionários, hoje somente viáveis se interessarem a grandes grupos privados internacionais.
Assim, a pergunta que surge é: faz sentido debater a construção de novos portos enquanto se tem essas demandas prementes na infraestrutura? A resposta, apesar de tudo, é sim, faz todo sentido, desde que seja feito de maneira equilibrada e estratégica – o que não tem sido o caso.
No passado, se perderam oportunidades de investimento em portos devido à falta de projetos bem estruturados e à influência política de estados vizinhos. É preciso aprender com o passado para não errar no presente, nem comprometer ainda mais o futuro.