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Marcelo Hollanda
A inflação deste ano não faz outra coisa a não ser avançar
Leia a coluna de Marcelo Hollanda desta terça-feira 22
Marcelo Hollanda
22/02/2022 | 09:50

Simbiose direita e esquerda

Com o título “Líder do PCO defende liberdade de expressão da direita e critica partidos de esquerda”, a “Gazeta do Povo”, o mais antigo jornal de Curitiba (de linha bolsonarista) deu recentemente um jeito para divulgar as ideias de Rui Costa Pimenta, fundador do Partido da Causa Operária (PCO), de extrema esquerda.

Isso só foi possível graças à simbiose pela qual passam esses dois espectros ideológicos no Brasil.

Ambos são a favor de armar o país até os dentes e permitir total liberdade de expressão, mesmo que seja para propagar mentiras e desinformação, pregar o nazismo e o genocídio de raças.

A entrevista de Rui Pimenta (um beneficiário direto do fundo partidário) deve ser lida como se fosse um remédio, aos poucos, homeopaticamente, para não dar efeitos desagradáveis.

O desejo pela volta de uma ditadura, como foi a de Stálin, que ainda muita gente de esquerda reverencia no Brasil, é implícito na entrevista de Pimenta, onde ele é quase gentil com figuras como Donald Trump.

Até a invasão do Capitólio nos EUA ele justifica, criticando quem deu a ela contornos de um golpe de Estado, aproveitando para atacar a imprensa, um dos esportes favoritos de Bolsonaro.

Mas há um trecho em especial que ilustra bem como Pimenta vê o mundo.

“Acho que hoje em dia a gente deveria se preocupar mais com a liberdade do que com qualquer tipo de limite. Você não pode fazer acusações falsas de crimes contra as pessoas, calúnias. Mas esse conceito de a pessoa ser estritamente cuidadosa com a liberdade de expressão, isso não existe. O correto é lutar por uma liberdade de expressão total: a pessoa falou você fala outra coisa”.

(Durante a ascensão de Hitler na Alemanha os ‘camisas pardas’ não esperavam réplicas para sair espancando e assinando pessoas).

Pimenta só não explicou o que fazer com as consequências de tanta liberdade de expressão quando existem forças organizadas, que ganharam espaço pelas vias da democracia, pregando abertamente a volta da ditadura militar, o fechamento do Congresso e do SFT. Desde a redemocratização, o próprio PCO de organizou, deixando de lado a possibilidade de manter uma luta armada como fizeram grupos de esquerda durante a ditadura militar.

Por quê?

Porque não faz nenhum sentido.

Gosto duvidoso

A semana começa com mais uma brincadeira de mal gosto. O convite de Bolsonaro para que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, visite o Brasil em março. A justificativa dada pelo presidente é verdadeira: “certa afinidade” com um regime islâmico. E, de quebra, apontado como suspeito do assassinato de um jornalista dissidente no país dentro de um ambiente diplomático.

Não é a primeira vez que Bolsonaro se encontra com Mohammed bin Salman. A primeira vez foi em junho de 2019, durante encontro do G-20 (grupo das vinte maiores economias do mundo) no Japão. Em outubro do mesmo ano, o presidente brasileiro viajou ao Oriente Médio quando descreveu um encontro com o príncipe como “muito bom e descontraído”.

Mário é uma ‘Frias’

Pois é: o secretário de Cultura Mário Frias, não satisfeito em gastar R$ 39 mil de dinheiro público numa viagem para Nova Iorque, em dezembro, quando se encontrou com um lutador de jiu-jitsu, resolveu cobrar uma indenização de R$ 33 mil da American Airlines e da Gol por supostos problemas em sua viagem. A informação está na coluna de Ancelmo Góis, de O Globo.

A ação foi apresentada em 7 de fevereiro no TJ de SP, mas, dias depois, o secretário desistiu e tirou o time de cena.
As queixas de Mário Frias: atraso no primeiro trecho da viagem feito pela Gol, de Brasília para SP e ofensas por tripulantes, chegando a ser “empurrado”.

Já em Nova York a American Airlines teria atrasado a entrega de sua bagagem, fazendo com que fosse obrigado a desmarcar compromissos.

Inflação. A inflação deste ano não faz outra coisa a não ser avançar bem acima do teto da meta, a despeito da folga de alguns preços administrados. A informação está no último boletim Focus do Banco Central (21).

Segundo o levantamento, a alta do IPCA este ano agora é de 5,56%, 0,06 ponto porcentual a mais do que na semana anterior. Para 2023, a expectativa de inflação segue sendo de 3,5%.

O centro da meta oficial para a inflação em 2022 é de 3,5%, e, para 2023, é de 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Endividamento

O endividamento das famílias brasileiras cresce como fogo em palha e já abrange metade dos rendimentos de todo mundo.

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