BUSCAR
BUSCAR
Marcelo Hollanda
À Folha de S. Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deu um trato na iniciativa eleitoreira do chefe
Confira a coluna de Marcelo Hollanda desta sexta-feira (22)
Marcelo Hollanda
22/10/2021 | 08:50

Populismo necessário do auxílio
As coisas no Brasil andam tão enviesadas ultimamente que mesmo o populismo do presidente Jair Bolsonaro de conceder um auxílio emergencial que vai arrombar o teto de gastos não pode ser considerado um mal, mesmo solapando as finanças do país.

Mesmo os economistas mais ortodoxos já aceitam o fato que o Brasil está pela bola sete, em grande parte pela incompetência do governo, cujo líder só vai liberar um auxílio que ele mesmo no passado considerou inaceitável para tentar se reeleger.

Tanto é verdade que terá a duração exata do final do ano que indicará pelas urnas se Bolsonaro fica ou sai. Depois esse brutal dispêndio financeiro será o seu grande problema se ele ficar ou a dor de cabeça de quem vier.

Fora desse auxílio, o governo federal não tem nada a apresentar, exceto as grosserias e a soberba do clã que se apossou legitimamente do poder, não há dúvida, mas que vem abusando de todos os limites generosamente concedidos pelo presidencialismo no Brasil.

Não há quem não sonhe com o cargo que tirou Bolsonaro do esgoto do baixo clero e o transformou em assunto obrigatório de milhões de brasileiros todos os dias.

Se tivesse permanecido onde estava, certamente, a presença dele estaria sendo sonoramente ignorada pelos setoristas que cobrem o Congresso tamanho e exponencial era a sua insignificância até as fatídicas eleições de 2018.

Agora, não. O presidente da República é uma pauta obrigatória, o que não tem sido agradável para ele.

Mas fazer o quê?

Agora, com a viola da economia em cacos, o auxílio que pode tirar milhões de brasileiros da lama em que se encontram, mesmo oferecendo a popularidade que Bolsonaro deseja, é bem vindo.

Tão benfazejo que o principal rival nas eleições de 22, ele mesmo, Lula, apressou-se a dizer que daria 600 Reais e não 400 por mês.

Pelo menos o ex-presidente foi quem reuniu todos os benefícios dados pelo seu antecessor, FHC, num único e robusto programa de transferência de renda chamado Bolsa Família.

Nessa época, entre pregar o fuzilamento de políticos e defender milícias, o que Bolsonaro fazia era atacar os benefícios agressivamente.

Isso aconteceu até o primeiro ano na cadeira de presidente, não é difícil lembrar.

Resta saber se a “esmola” vai tirar o homem do atoleiro político que ele cavou.

Lembrar é viver
Uma frase que ainda está fresquinha na memória foi dita quando ele já era presidente “Chegou-se à conclusão que o desenvolvimento intelectual dessa garotada, de 0 a 3 anos, filhos de Bolsa Família, equivaliam a 1/3 da média mundial”, explicou. Bolsonaro estava citando de uma maneira um tanto peculiar, mas compreensível se tratando dele, de um estudo elaborado pelo Ministério da Cidadania com 3 mil crianças, analisando o desenvolvimento cognitivo na primeira infância a partir de condições socioeconômicas. No caso, o estudo servia somente para indicar situação de vulnerabilidade social e nada mais.

Quem fala
Por falar em desenvolvimento cognitivo, é digno de nota o que abunda no presidente em matéria de poder de comunicação, restrita a meia dúzia de palavras como “no tocante”, “disso daí” e “cala a boca”.

Mais no passado
Numa entrevista à Record News, em 2012, Bolsonaro afirmou que o programa social é uma mentira e sugeriu que os beneficiários não aceitam trabalhos por conta do valor recebido do governo.
“O Bolsa Família é uma mentira, você não consegue uma pessoa no Nordeste para trabalhar na sua casa. Porque se for trabalhar, perde o Bolsa Família”, palavras dele.

E mais
Outra frase do presidente sobre o assunto: “Devemos colocar um fim, uma transição para o Bolsa Família, porque, cada vez mais, pobres coitados, ignorantes, ao receberem Bolsa Família, tornam-se eleitores de cabresto do PT”. (2011).

Ou isto
“Para ser candidato a presidente tem de falar que vai ampliar o Bolsa Família, então vote em outro candidato. Não vou partir para demagogia e agradar quem quer que seja para buscar voto.” (2017, já de olho no butim). Como se sabe, o novo programa foi anunciado nesta quarta-feira pelo ministro da Cidadania, João Roma, no valor mensal de R$ 400 até dezembro de 2022, tem prazo para acabar: depois da eleição.

Ah tá
À Folha de S.Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deu um trato na iniciativa eleitoreira do chefe. Disse: “Qualquer que seja a solução, é uma decisão política. Nós oferecemos a solução técnica, [que era a aprovação de] precatórios e IR. Mas quem tem voto é a política”.

Como é?
A mesma Folha traz uma notícia sui generis, que merece alguma atenção. Diz que “uma Investigação feita pela Polícia Civil do Ceará afirma que a loja Zara do Shopping Iguatemi, em Fortaleza, criou um código secreto para funcionários ficarem atentos e acompanharem pessoas negras ou com “roupas simples” que entrassem no estabelecimento. O “alerta” era dado pelo sistema de som da loja, por meio do código “Zara Zerou”.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.