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Entrevista
Vereadora avalia que gestão Taveira não escuta necessidades da população
Na opinião de Nilda Cruz, os pleitos dos parnamirinenses, ora convertidos em indicações da Câmara Municipal, não são apreciados o suficiente pelo Poder Executivo
Boni Neto
10/06/2019 | 08:48

A vereadora Nilda Cruz (PRP) tem se destacado por suas ações próximas ao povo. Preocupada com o que a Prefeitura de Parnamirim tem a oferecer aos seus cidadãos, ela avaliou que o prefeito Rosano Taveira (PRP) não tem feito uma gestão de diálogo com a população de Parnamirim. Na opinião dela, os pleitos dos parnamirinenses, ora convertidos em indicações da Câmara Municipal, não são apreciados o suficiente pelo Poder Executivo.

A parlamentar, que, por ser professora, tem como uma das principais bandeiras a Educação, concedeu entrevista ao Agora Parnamirim para discutir seu mandato, as virtudes e fraquezas do município, bem como a atuação da Casa Legislativa. Confira a seguir, a entrevista na íntegra:

AGORA PARNAMIRIM – Que avaliação a senhora faz da gestão do prefeito Taveira?

NILDA – Não faço uma boa avaliação do prefeito Taveira. Parnamirim precisa de alguém que esteja escutando o que o povo quer, e não é isso o que vejo acontecer. O que falta em Parnamirim não são leis, mas o cumprimento delas. Se todas as leis fossem cumpridas, nossa cidade não estaria como está.

AGORA – O prefeito tem implementado uma política de corte de gastos no intuito de enxugar a máquina. Como a senhora avalia essa estratégia?

NILDA – Se realmente as despesas com o pessoal estavam tão altas, por que foi preciso assinar um Termo de Ajustamento de Conduta para reduzi-las? O resultado é que todos que entraram na Prefeitura em 1983 foram exonerados, pois não tinham concurso público.

AGORA – A senhora tem se notabilizado por usar seu mandato para percorrer os bairros. O que tem ouvido do povo?

NILDA – A reclamação é que a Prefeitura não oferece o básico para a saúde. Não há medicamentos. Criaram-se em Parnamirim as “farmácias polos”. Se você mora em um bairro como Cajupiranga, por exemplo, é preciso ir ao Liberdade para conseguir antibiótico ou um anti-inflamatório. É inadmissível.

AGORA – E o que o povo diz sobre a educação?

NILDA – Na educação vemos outro caos. Não temos nenhuma quadra em condições adequadas para a prática do esporte de nossas crianças; não temos a entrega contínua do fardamento; não temos auxiliares para as crianças com necessidades especiais, não tivemos nem em 2017, nem em 2018, nem agora em 2019. Temos inúmeras crianças no município de Parnamirim que precisam de cuidados especiais que estão em casa. No entanto, estão matriculadas e os recursos do Governo Federal, seja para transporte, merenda, ou para livro didático vêm contando com a criança. A criança autista, por exemplo, fica esperando que a Prefeitura tenha a boa vontade de contratar um auxiliar.

AGORA – Que ação de seu mandato a senhora destacaria?

NILDA – Implantamos, pela primeira vez na história de Parnamirim, em 60 anos de emancipação política que nós temos, o “Gabinete no Bairro”. Passamos duas semanas em cada bairro de Parnamirim, fazemos um mapeamento das necessidades e dos serviços oferecidos, e aí voltamos para cá, para transformar as reivindicações dos moradores em ofícios e indicações. Por fim, encaminhamos as reivindicações para as secretarias e para o Poder Executivo.

AGORA – Você acha que por ser oposição isso dificulta o seu trabalho?

NILDA – Eu acredito que não. Acredito que trabalho de acordo com o que a população almeja. O que a população quer é médico na UBS, professores na escola, iluminação pública, videomonitoramento dentro das escolas, manutenção dos espaços destinados ao esporte, também nas praças, os ginásios. É o básico.

AGORA – Como a senhora avalia a formação da oposição em Parnamirim

NILDA – Nós temos muitas pessoas excluídas, tanto na situação como na oposição. Esse povo tem muito a contribuir com o crescimento econômico cultural do nosso município. Independente de situação ou oposição, quem não concorda com a forma que o prefeito vem administrando a nossa cidade, e almeja algo melhor e diferente, deve se unir.

AGORA – O que a senhora defende para a oposição no ano que vem? Vê algum nome que tem se destacado?

NILDA – Tem Airene Paiva, Carlos Augusto, Daniel Américo, Ricardo Gurgel… Minha preocupação não está sendo com quem vai se candidatar, minha preocupação é trabalhar em defesa do povo. Me preocupo em trabalhar.

AGORA – Como tem sido a relação do Legislativo com o Executivo?

NILDA – Para a bancada do prefeito, tem sido uma relação boa e normal. Mas, para a bancada que defende os serviços públicos de qualidade em nosso município, está difícil. Das emendas que o prefeito vetou, quatro foram do meu mandato, atendendo aos servidores da saúde, em relação ao Plano de Cargos e Salários. Mas a gente não desiste, em nome do povo, da coletividade e do bem comum.

AGORA – A senhora realizou uma audiência pública sobre o IPTU na última semana. O que motivou essa audiência?

NILDA – As inúmeras denúncias que o mandato tem recebido. Em Nova Parnamirim, em um mesmo condomínio, um apartamento paga R$ 1.400 e o outro paga R$ 800, sendo que os dois têm a mesma dimensão por metros quadrados. Outro ponto que chama a atenção é a falta de transparência em relação à planta genérica de valores do nosso município. Muitos cidadãos não sabem quanto custa o metro quadrado da sua casa. Percebi que a política tributária em relação ao IPTU precisa de discussões. É algo que mexe com o desenvolvimento econômico do município; com toda a população.

AGORA – A Câmara foi, recentemente, alvo de críticas da imprensa e da população sobre a polêmica com os gastos das diárias. A senhora acha que essas críticas foram justas?

NILDA – Não acho que as críticas foram justas. Acho muito importante se buscar conhecimento com a capacitação profissional. É por meio do conhecimento que você adquire argumentos. Estas diárias custeiam a ida dos vereadores para uma capacitação, para um congresso. Nós não estamos abusando destas diárias. Muito pelo contrário, estamos indo com responsabilidade. Como foi dito pelo Ministério Público, a demanda está sendo averiguada desde 2015, quando eu ainda não era vereadora. É bom especificar quem é quem, quem está fazendo o quê. Se tem algo errado cabe à Justiça averiguar. Eu estou tranquila.

AGORA – O que a senhora presenciou nesses congressos?

NILDA – Tenho aprendido muito nestes congressos. Fiz cursos em João Pessoa e em Fortaleza, e aprendi muito sobre a Lei Orçamentária, sobre políticas púbicas, Lei de Responsabilidade Fiscal. Participei de inúmeras palestras, e, em todas as vezes que eu fui, quem estava na relação estava presente.

AGORA – Por fim, que avaliação a senhora faz da gestão do presidente Irani Guedes?

NILDA – Irani é uma pessoa boa. Ele ouve. Não é um ditador. Ele faz as reuniões, chama os vereadores para tomar todas as decisões e escuta a todos. Mas é lógico, se você está como presidente em alguns momentos a palavra final é sua. Acho ele democrático. Sabe dizer sim e sabe dizer não.

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