Entrevista
Secretário de Finanças do RN cobra apoio federal: “Sozinhos, estados não dão conta”
Economista Aldemir Freire, secretário de Planejamento e Finanças do RN, fala sobre ações do governo estadual para enfrentar a pandemia do novo coronavírus e cobra mais apoio da União: “As redes estaduais serão as mais estressadas”
Por Redação - Publicado em 25/03/2020 às 05:00

O secretário de Planejamento e Finanças do Governo do Rio Grande do Norte, Aldemir Freire, defendeu nesta terça-feira (14) que o governo federal apoie as gestões estaduais na crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus.

“As redes estaduais serão as mais estressadas. Sozinhos, os estados não dão conta de toda a demanda que vai vir. Você precisa de suporte da União”, disse o secretário, em entrevista à Rádio Agora FM (97,9). “Nesse momento, nós acreditamos que é hora de o Governo Federal agir nesse suporte à economia. O Governo Federal tem muito mais que os estados para fazer isso. Os estados já vão estar sobrecarregados para fazer isso. A União tem capacidade de ampliar seus déficits por si mesma”, complementou.

Aldemir Freire explicou que haverá uma desaceleração brusca e acentuada da economia do País por conta da paralisação de serviços. “Por enquanto, as indústrias ainda estão funcionando, mas você tem setores importantes da economia parando. Naturalmente haverá um choque de oferta. Em um primeiro momento, a economia como um todo desaba. Ela desacelera significativamente”, afirmou ele, registrando, ainda, a necessidade de apoio às famílias com menos renda.

O secretário de Finanças do RN observou, ainda, outros impactos causados pela diminuição ou paralisação do faturamento das empresas. “Em um cenário de incertezas, você não sai fazendo compras. Tudo isso leva a economia a uma queda. Necessariamente, as receitas públicas também cairão. A arrecadação de impostos dos estados, do município, da União, vai cair nesse cenário. Cairão em um cenário em que você tem justamente um aumento da necessidade de recursos para a saúde. É uma equação que é difícil de ser resolvida. Os estados e municípios não tem condições sozinhos de equacionar esse problema, porque você tem de um lado a necessidade de recursos para a saúde e, do outro, um período de retração de receita”, explicou o secretário.

“E se o estado não arrecadar, como vão pagar servidores? Como é que vai pagar fornecedores? Como é que vai suportar o aumento de gastos com saúde?”, questionou ele.

PACOTE DE AJUDA

Na última segunda-feira (23), o presidente Jair Bolsonaro anunciou em sua conta oficial do Twitter um pacote de ajuda para Estados e municípios, com acesso a novos empréstimos, suspensão de dívidas e transferências adicionais de recursos. Segundo o presidente, o plano envolve R$ 85,8 bilhões em recursos, embora a soma das ações publicadas em rede social resulte no total de R$ 88,2 bilhões. Entre as medidas, estão transferência para a saúde (R$ 8 bi), recomposição FPE e FPM (R$ 16 bi), Orçamento Assistencial Social (R$ 2 bi), suspensão das dívidas dos Estados com a União (R$ 12,6 bi), renegociação com bancos (R$ 9,6 bi) e operações com facilitação de créditos (R$ 40 bi).

PLANO DE CORONAVÍRUS NO RN

O secretário Aldemir Freire contou que uma das providências do governo estadual no combate ao coronavírus foi o aumento de dotação orçamentária para a saúde. Foram remanejados R$ 40 milhões, que servirão para a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI), ampliação da quantidade de leitos de UTI e para a compra de equipamentos de diagnóstico e de laboratório.

“Nós enfrentamos um problema de oferta. Apesar de tentarmos comprar e termos os recursos, já há uma indisponibilidade de EPIs, de equipamentos de diagnóstico, de leitos, de respiradores. A dificuldade de você adquirir isso no mercado, não é só no Brasil, mas no mundo inteiro, porque todo mundo está correndo atrás desses equipamentos”, explicou.

“Não é hora de desistir, é hora de muita atenção. É hora de a população ouvir as recomendações que está recebendo. Que a gente evite o máximo o aumento do contágio para que protejamos aqueles grupos (de risco), sobretudo os idosos, que são os mais vulneráveis ao vírus. Que a gente se prepare. O Governo do Estado está fazendo tudo que está ao seu alcance nesse momento tão difícil”, encerrou o secretário.