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Entrevista
“A política é o segundo maior desafio da minha vida”, diz Luiz Roberto Barcelos
Empresário da Agrícola Famosa, maior exportador de frutas frescas do Brasil, quer se credenciar ao Senado pelo Rio Grande do Norte
Marcelo Hollanda
25/01/2018 | 01:00

A primeira grande aventura de Luiz Roberto Maldonado Barcelos na vida começou 24 anos atrás. A exportadora que ele dirigia não resistiu à desvalorização do dólar na época e faliu, impondo um desafio inimaginável para um advogado de São Paulo, que nada entendia do agronegócio, exceto pelo que lia nas páginas de economia dos jornais. Em 1995, surgia a Agrícola Famosa, hoje a maior exportadora de frutas frescas do Brasil.

A segunda grande aventura de Luiz Roberto começou há poucos meses quando empresários potiguares passaram a sugerir, até com certa insistência, que ele poderia postular uma das duas vagas ao Senado pelo RN. Logo, legendas políticas iniciaram conversas com o empresário que ainda tem um mês a meio para se decidir se repetirá o mesmo gesto tomado há mais de duas décadas atrás: iniciar uma trajetória totalmente nova na vida.

Nessa entrevista ao Agora RN, Luiz Roberto Barcelos fala o que tem motivado sua postulação a uma vaga ao Senado pelo Rio Grande do Norte, já que seu peso empresarial se estende por outros estados da região, e  do crescimento da Agrícola Famosa, cujas operações colocaram o RN de volta ao topo na exportação de melão do Nordeste.

Entrevista

Jornal Agora RN: Há muitas informações nos blogs sobre sua postulação ao Senado. O que moveu o senhor a considerar essa possibilidade longe da sua área de conforto pessoal?

Luiz Roberto Barcelos: Eu tenho sido sondado pela classe empresarial tendo em vista a história vitoriosa da Agrícola Famosa e isso já ocorre há algum tempo. Depois, alguns personagens da política começaram a buscar conversas nesse sentido. Não vou dizer quais, mas posso adiantar que eu não tenho a menor vaidade pessoal nessa possibilidade. A primeira grande empreitada da minha vida, como todos sabem, foi a Agrícola Famosa. Foi quando realmente deixei minha zona de conforto pessoal. Comecei sem capital e conhecendo pouco sobre o setor. Deu tão certo que essa segunda empreitada tem para mim o sentido de um segundo grande desafio.

JARN: Todos sabem a real situação econômica do RN, com os menores indicadores do País e enrascado com sérios problemas fiscais. Como o senhor vê essa situação?

LRB: Como você já disse, o problema está posto. Mas, quando eu empreendi algo completamente novo na minha vida, há mais de duas décadas, os desafios também pareciam insuperáveis. Eu acho que não existe cenário pior do que já está dado. E quando a sociedade e as instituições começam a reagir. Eu me considero um produto dessa reação. Tenho a experiência de muitos anos para enfrentar este novo desafio de frente. E, como cidadão, estou legitimamente analisando as minhas possibilidades.

JARN: Quais são os parâmetros objetivos que animariam sua postulação do pondo de vista de um partido político?

LRB: Já foi o tempo em que príncipes eram cortejados e sinalizavam com suas decisões magnânimas. Graças a Deus, não funciona mais assim. Tenho ouvido empresários, políticos e pessoas do meu convívio, entre elas gente simples e pessoas que trabalham na empresa. Ouço minha família. Tenho um mês e meio para resolver isso.

JORN: Entre possíveis escolhas de um partido, qual estaria mais próximo ou distante de uma escolha sua nessa hipótese?

LRB: Eu penso que não gostaria de associar-me a um partido relacionado a problemas de corrupção, mas também é preciso pensar numa sigla estruturada, com fundo partidário e condições de enfrentar uma disputa acirrada nas eleições.

JARN: O senhor então se definiria como uma candidatura produto do empresariado?

LRB: Diria que sim e que me orgulho dessa condições que me referenda junto a meus pares, empresários preocupados com saídas para a crise que, como se vê, atingiu seu ápice. Essas pessoas poderiam buscar investimentos fora do país, em outros estados, mas desejam viver e criar seus filhos aqui. Isso me deixa muito gratificado.

JARN: Com quantos partidos o senhor já conversou?

LRB: Com meia dúzia, pelo menos.

JARN: A vida política para o empresário é sempre mais dura porque lida com questões peculiares da própria política. Como o senhor pretende lidar com isso?

LRB: Com alinhamento, puro e simples. Hoje, posso dizer que trabalho com duas linhas: a de ser candidato e a de não ser. É dentro desse parâmetro até meio obvio que as coisas funcionam na vida. E a gente deve estar pronto para qualquer coisa. Quem me conhece sabe que eu não gosto de colocar o carro antes dos bois.

JARN: Existe uma notável diferença entre um empresário e um político na sua opinião?

LRB: Ambos precisam frequentemente recorrer à informação, à estratégia e também à intuição. Em última análise, é o processo que define um político e a solidez de sua candidatura.

JARN: O fato de sua empresa ter relevância em outros estados nordestinos atrapalha na hora de postular no Rio Grande do Norte?

LRB: Tenho lido algumas críticas ao fato de não ser originariamente do RN e por ser bem sucedido. De fato, não posso negar nenhuma das duas coisas. Imagino que esse tipo de observação não possa ser levada a sério. A avareza, a mesquinhez, a deslealdade e falta de ética, estas sim, são dignas de crítica.

JARN: Como o senhor analisa a situação crítica pela qual passa o RN?

LRB: A situação pela qual passa o estado é um retrato em miniatura do que passa o país, com o agravante de que o Governo Federal pode arcar com um déficit de R$ 157 bilhões, já o estado…Vejo que a situação do RN chegou ao ápice e precisa de um planejamento e etapas a partir de acordos amplos. Mas, desde já, o estado precisa de investimentos, muitos investimentos.

JARN: Depois de muito tempo, o RN voltou a liderar as exportações de melão no Nordeste. A Agrícola Famosa tem a ver com esse crescimento?

LRB: É com muita alegria que eu digo que sim. Até pelos problemas hídricos no Ceará, já que o RN tem ainda uma certa folga em relação a isso. Nossa expectativa é continuar crescendo 5% ao ano – já crescemos dois dígitos anuais no passado – e contribuir para a economia do estado e de toda a região.

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