BUSCAR
BUSCAR
Entrevista
“Não é populismo, é tentativa de proteger as pessoas”, diz vereadora sobre ivermectina
Vice-presidente da Câmara Municipal de Natal, Nina Souza comenta ação do prefeito Álvaro Dias, que mandou distribuir medicamento sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus
Redação
15/07/2020 | 23:47

Para a vereadora Nina Souza (PDT), vice-presidente da Câmara Municipal de Natal, o prefeito Álvaro Dias está tentando “proteger as pessoas” ao determinar a distribuição gratuita, na capital potiguar, do antiparasitário ivermectina. Segundo ela, a gestão municipal se baseou na opinião de estudiosos para fornecer o medicamento nas unidades de saúde, que apontam benefícios da droga contra o novo coronavírus.

O prefeito vem sendo criticado pela medida pelo fato de não existir comprovação científica de que o medicamento é eficaz contra o coronavírus. Nesta terça (14), o Agora RN mostrou que o Ministério Público vai apurar se a distribuição da ivermectina foi usada por Álvaro como propaganda eleitoral antecipada. Críticos apontam que Álvaro Dias faz “populismo” com a entrega dos remédios. Na avaliação de Nina Souza, “ele (Álvaro Dias) não poderia é estar de braços cruzados”.

Confira a entrevista completa com a vereadora:

AGORA – Como a senhora avalia a ação da Prefeitura do Natal no combate à Covid-19?

NS – Está se saindo bem. No início de tudo, em março, havia muitas inconsistências e informações desencontradas. Naquele momento, a prefeitura optou, assim como o Governo do Estado, pelo isolamento social, haja vista que a rede de saúde não estava preparada para absorver uma demanda maior que a que já existia. O prefeito (Álvaro Dias), então, convocou 100 profissionais de um concurso que ainda estava em vigor, instalou um hospital de campanha, contratou inúmeros outros funcionários e adquiriu equipamentos. Eu acho que foi uma atividade digna de aplausos. Os dados apontam que o trabalho está tendo bons resultados. As filas estão diminuindo, as pessoas estão tendo maior assistência e o trabalho profilático avançou.

AGORA – A senhora considera que é o momento de autorizar a reabertura do comércio?

NS – Existem alguns tipos de comércio, como lojas de calçados, de roupas e de material de construção, em que não há aglomerações. O que deveria ter sido feito era o seguinte: os ambulantes, todos eles cadastrados, deveriam estar em casa recebendo um salário mínimo pelo menos por quatro ou cinco meses. No comércio de rua é que há aglomeração. Mas simplesmente fechar tudo e não dar nenhum aporte é muito complicado. As pessoas que precisam daquele recurso para comer ficam desesperadas.

AGORA – E quanto aos templos religiosos?

NS – Eu acho essa uma discussão desnecessária. Os líderes religiosos têm um discernimento apurado. Eles podem decidir quando voltar as atividades na igreja, sem que o governo precise intervir. O governo precisa dar as orientações básicas e deixar que as pessoas se organizassem.

AGORA – O prefeito Álvaro Dias tem sido acusado de “populismo” por determinar a distribuição de um medicamento sem eficácia comprovada contra a Covid-19 (a ivermectina), para que a população se “previna” contra o coronavírus. Qual é a sua opinião em relação a essa medida?

NS – Se o gestor não faz, é irresponsável ou incompetente. Quando faz, é populista. Não vejo uma ação populista no fato de ele estar entregando uma medicação. Qual é o medicamento que tem eficácia comprovada contra a Covid-19? Nenhum. Mas está todo mundo procurando subsídios para minimizar os efeitos. Se toma vitamina C, vitamina D, ivermectina… O prefeito não está errando sob nenhuma hipótese. Ele não poderia é estar de braços cruzados. Existem estudiosos que dizem que a ivermectina causa um efeito positivo, e eu acho que tem se apostar nisso. Não vejo como ação populista. Vejo como uma tentativa de proteger as pessoas.

AGORA – As eleições estão se aproximando, e o projeto de revisão do Plano Diretor ainda não chegou na Câmara. A senhora considera que há clima para votar o projeto ainda este ano, caso ele chegue a tempo?

NS – Fazer a discussão do Plano Diretor agora eu acho extremamente temerário. É um tema extremamente polêmico. Vai depender de como chegar. Não vai ser uma matéria votada a toque de caixa. Não vamos ter agonia nem pressa. Vamos abrir uma ampla discussão, sem permitir que campanhas (eleitorais) intervenham no processo. Se depender de mim, vai ser votada este ano, mas com responsabilidade e transparência, que são imprescindíveis nesse processo.

AGORA – Como a senhora analisa os efeitos dessa crise sanitária que vivemos?

NS – São avassaladores. Temos inúmeras pessoas desempregadas e empreendedores com as portas fechadas. Como será essa retomada? Vários hábitos foram modificados e o medo está instalado nas pessoas. As pessoas precisam analisar em quem vão votar. As pessoas eleitas em 15 de novembro são as pessoas que vão nortear o processo de reconstrução. Os prefeitos e vereadores precisam ser pessoas que estejam em conexão com esse olhar de retomada. Precisamos votar em pessoas que tenham compromisso público e que tenham capacidade de ouvir e de criar estruturas para que a gente possa sair desse momento de crise e colocar esse trem nos trilhos.

AGORA – As eleições de 2020 foram adiadas para novembro. Qual a sua avaliação?

NS – Uma irresponsabilidade muito grande. O Brasil é um país continental. Cada estado tem características distintas. Há estados em que a doença está bem avançada e existem estados em que ela está em fase inicial. Além disso, o País está envolto em uma crise econômica enorme. Como é que o País não tem dinheiro para avançar no combate à doença vai ter R$ 10 bilhões para usar em eleições? Seria o momento de adiar as eleições, cogitando até a hipótese de nivelar na mesma data (da eleição presidencial, em 2022), para que o recurso fosse usado para várias outras atividades imprescindíveis, como na retomada da economia e no aporte a estados e municípios que estão em dificuldade. Ao meu ver, era para ser postergado para mais adiante, para quando a crise tivesse diminuído e a situação estivesse mais estabilizada. Hoje, não há clima para se falar em eleição.

AGORA – Prefeitura do Natal e Governo do Estado têm emitido mensagens diferentes na ação de enfrentamento ao novo coronavírus. Por que não há um discurso único, na sua opinião?

NS – Tanto a Prefeitura do Natal quanto o Governo do Estado pregaram o isolamento. Várias ações foram conjuntas. No percurso do combate é que houve algumas opiniões divergentes, e isso é normal. A Prefeitura construiu várias ações e estruturou a rede. Ele (Álvaro Dias) viu condições de começar a retomada. Já o Governo deu passos mais lentos. Como deu passos mais lentos, tem medo de reabrir. Há uma diferença. A Prefeitura caminhou mais rápido. Hoje Natal tem condições de retomada, diferente do Estado.

AGORA – A senhora é cogitada para ser candidata a vice-prefeita na chapa de Álvaro Dias. A senhora aceitaria um eventual convite?

NS – Eu sou do PDT, e o partido marcha unido. Essas escolhas são debatidas dentro do partido. Qualquer membro do partido pode ser indicado a vice. O que for indicado vai aceitar o chamado porque é uma decisão partidárias. Temos o sentimento de fazer o melhor para Natal.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.