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Entrevista
“Mundo da política é muito machista”, diz Fátima sobre participação da mulher
De acordo com a governadora do Rio Grande do Norte, única mulher a comandar um estado no País, “sub-representação” das mulheres na política é resultado da “cultura do patriarcado”
Redação
06/03/2020 | 16:45

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, única mulher a comandar um estado no Brasil, afirmou que o “mundo da política é muito machista”. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo publicada nesta sexta-feira (6), por ocasião do Dia Internacional da Mulher – comemorado no próximo domingo (8) –, ela defende que as mulheres ocupem mais espaços na política nacional, por serem “mais da metade da população”.

De acordo com a governadora, a “sub-representação” das mulheres na política é resultado da “cultura do patriarcado”. Ela lembrou que, além de ela ser a única mulher governadora do País, é baixo o número de deputadas estaduais no Rio Grande do Norte (apenas 3 de um universo de 24) e de deputadas federais (77 eleitas em 2018) e senadoras (11 em atuação).

“O mundo da política, infelizmente, é um mundo muito machista. É só olhar os números aí. Somos muito poucas nos chamados espaços de poder. (…) Evidente que isso se deve a toda uma questão do ponto de vista cultural que permeia isso que é a cultura do patriarcado. É muito desafiador a mulher galgar esses degraus. É muito difícil, mas temos que ousar. Sou um exemplo disso”, afirmou a governadora.

Fátima Bezerra lamentou, ainda, ataques sexistas a mulheres. “Infelizmente, houve um crescimento (do sexismo) no País. Você vê as atitudes eivadas de toda misoginia, desrespeitos à questão da mulher. É mais do que lamentável. É revoltante. Acho que, infelizmente, esse clima de polarização, essa coisa toda, esses ataques às mulheres, acaba alimentando o fenômeno do feminicídio, que tem crescido em nível nacional”, acrescentou.

Ainda de acordo com a governadora, as cotas femininas não são suficientes para reverter a sub-representação. “Elas foram importantes, são necessárias, mas são insuficientes. Temos que avançar no país e lutei muito quando estava no Congresso. Essa luta continua no sentido de garantir não apenas o direito de a mulher ser candidata, mas garantir que nós tenhamos uma quantidade x de assentos”, afirmou.

 “Eu, particularmente, comungo com a tese do meu partido, o PT, que é a tese da paridade. É o correto. Nós, mulheres, somos mais da metade população e somos sub-representadas. Isso não é saudável”, emendou.

Fátima minimizou o fato de ter apenas cinco mulheres em cargos de primeiro escalão no seu governo. Ela apontou que, além das secretárias, há mulheres ocupando cargos como a presidência da Agência de Fomento (Márcia Maia) e a chefe da Polícia Civil é uma mulher: a delegada-geral Ana Cláudia Saraiva. “Apesar de não serem secretárias, eu diria que estão exercendo determinadas funções que têm uma repercussão do ponto de vista da vida social e econômica das mulheres e dos homens maior do que determinadas estruturas de secretarias”, argumentou.

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