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Entrevista
João Amoêdo aposta no “boca a boca e na sola do sapato” para chegar ao Planalto
Sem muito dinheiro - já que seu partido se nega a usar recursos do Fundo Partidário por entender que verba pública não deve ser usada em campanhas -, Amoêdo quer gastar “sola do sapato”
Redação
25/03/2018 | 09:30

Pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo, legenda recém-criada e que participará pela primeira vez de eleições gerais no país, o economista, empresário e administrador João Amoêdo abre nesta segunda-feira, 26, em Natal, o Fórum Caminhos do Brasil. O evento, organizado pela Federação das Indústrias (Fiern), vai dialogar com presidenciáveis sobre os rumos do país e discutirá com os postulantes ao Planalto sobre ideias para retomar o desenvolvimento.

Nesta entrevista ao Agora RN, Amoêdo expõe algumas de suas ideias e explica quais serão as estratégias do Novo para a eleições. O partido, que, como o nome sugere, desponta como “novidade” no cenário político, tem se destacado pelos métodos originais de escolha de pré-candidatas e pelo fato de se recusar a utilizar verba do fundo partidário.

Confira na íntegra:

AGORA RN – Ideologicamente, como o senhor se define?

JOÃO AMOÊDO – Sou um cidadão que nunca se envolveu na política, mas que está decepcionado há muitos anos com a falta de representatividade que temos. Por isso, resolvi montar um partido com o objetivo de devolver poder ao cidadão. Precisamos fazer com que o governo e o Estado passem a trabalhar pelo cidadão, e não o contrário. Acredito num viés mais liberal, em que o Estado tem poder limitado.

AGORA – E no campo dos costumes? Quais são os seus posicionamentos?

JA – Sou uma pessoa conservadora, no sentido clássico. Sou casado, católico, contra a legalização das drogas e a favor do aborto apenas nos casos previstos em lei. Porém, eu prezo muito pela liberdade das pessoas. Não acho que a minha posição pessoal deva interferir ou determinar o que as outras pessoas devam fazer.

AGORA – O posicionamento do Novo vai se traduzir obrigatoriamente em candidatura à Presidência nas próximas eleições?

JA – Esse é o principal objetivo. O Novo sempre entendeu que deveria ser uma instituição, com princípios e valores muito definidos e claros. A pré-candidatura à presidência tem como principal objetivo expor e colocar em debate essas propostas, que são corte de privilégios e não uso do dinheiro público para manutenção do partido.

AGORA – Como o senhor, que é um nome desconhecido na maior parte do país, pretende fazer campanha sem usar dinheiro público?

JA – Usaremos a mesma estratégia utilizada nas campanhas para vereador de 2016 e a mesma ideia que temos adotado para a manutenção do partido. A gente tem usado dinheiro do cidadão que se interessa e apoia as ideias do Novo e temos usado intensamente as mídias sociais, além de um grande volume de reuniões e visitas pelo país. O partido hoje é mantido pelos filiados, que contribuem com R$ 29 por mês. [A campanha] vai ser no boca a boca, na sola do sapato e nas mídias sociais.

AGORA – O fato de a campanha deste ano ser mais curta – apenas 45 dias – vai prejudicar?

JA – A campanha muito curta prejudica a renovação. É normal que as pessoas que já estão em evidência e que já são políticos há muitos anos tenham um reconhecimento mais fácil.

AGORA – Antes do lançamento de sua pré-candidatura, o nome de Flávio Rocha foi cogitado no Novo. Atualmente, há negociações neste sentido?

JA – Nunca tive conversa com Flávio sobre candidatura. O que acontece é que o Flávio Rocha tem um alinhamento grande com as ideias do Novo. Ele participou de eventos do partido em 2015 e 2016 e tínhamos uma proximidade maior com ele. Mas depois ele foi tocar o projeto do Brasil 200 e não tivemos proximidade recentemente.

AGORA – De que maneira o senhor analisa o cenário de pré-campanha atual? Temos mais de uma dezena de pré-candidatos à Presidência.

JA – O quadro ainda está pouco claro. Teremos naturalmente uma redução no número de candidatos. Acho que nem todos irão se viabilizar. Alguns partidos vão deixar as candidaturas à Presidência até porque os recursos são limitados. Como há uma demanda muito grande da população por renovação, eu acho que o quadro poderá ter mudanças relevantes nos próximos meses.

AGORA – Qual é a sua opinião a respeito da doação de empresas privadas para campanhas?

JA – O Novo defende liberdade com responsabilidade. As empresas são, na verdade, um agrupamento de indivíduos. Por isso, eu sou favorável que haja doação de empresas. Até porque a doação, seja ela feita através de um CPF ou de um CNPJ, no fundo é sempre decisão de algum ou alguns indivíduos. Acho, no entanto, que a empresa que está doando deveria ter algumas limitações em termos de relacionamento com o Governo.

AGORA – A doação privada não favorece a corrupção?

JA – O fato de o Estado ser muito grande e atuar em várias áreas é o que propicia a corrupção. É o que dá margem para que empresas que não têm interesses que não são legítimos comprem favores [ao doar para candidatos]. Mas isso pode acontecer com indivíduos também. E isso [doação de empresas] foi feito para dar mais transparência ao processo, para que isso não seja feito de forma ilícita [caixa dois].

AGORA – Há uma inflação de pré-candidatos de centro e de direita. Não seria o momento de unir pessoas que pensam igual?

JA – Nos países onde há mais liberdade econômica é onde existe maior geração de riqueza e qualidade de vida. Então, esse claramente é o caminho a ser seguido. No Brasil, nós tivemos anos de doutrinação na direção contrária, de que o Estado ia resolver todos os nossos problemas. A gente paga mais impostos para ter menos saúde e menos educação. É bom que as pessoas que pensam assim se alinhem.

AGORA – O senhor defende, portanto, união com Flávio Rocha?

JA – Não podemos delegar essa missão [pregar Estado mínimo] a uma única pessoa. Flávio Rocha tem muita identificação com as ideias do Novo, com essas práticas. É um nome muito bem-vindo para ajudar no processo de disseminação dessas ideias.

AGORA – Em “lados opostos”, Jair Bolsonaro e Lula defendem uma linha contra a reforma da Previdência. Como o senhor analisa isso?

JA – É um risco grande. Os partidos, ao longo do tempo, deixam de ser instituições e passam a ser apenas legendas eleitorais onde a agenda é ditada pelo interesse de renovação dos mandatos dos mandatários que têm maior relevância no partido. Lula e Bolsonaro várias vezes votam na mesma linha por acreditar que existirá um salvador da pátria ou que o Estado possa fazer muitas coisas por nós. O que a gente tem de mostrar é que o Estado mais nos atrapalha que nos ajuda. Ele impõe uma carga tributária que leva 153 dias do nosso ano só para pagá-la e não nos devolve quase nada em troca.

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