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Entrevista
Fernando Pinto: “Estamos nas mãos de incompetentes em pânico”
Pré-candidato à Prefeitura do Natal, advogado e empresário Fernando Pinto (Novo) fala sobre momento de pandemia e medidas para enfrentar problema
Redação
24/03/2020 | 05:00

Confira a entrevista completa com Fernando Pinto, pré-candidato à Prefeitura de Natal, concedida ao Agora RN.

AGORA: Como o senhor analisa o atual cenário de pandemia?

FERNANDO PINTO: É uma guerra contra um inimigo invisível. As bombas de efeito moral são jogadas pelo próprio Estado contra nós, com informações inseguras e insuficientes para que, por meio do pânico paranoico, o sistema de saúde entre em colapso mais lentamente. Sem sinais de Covid, todos passam a desconfiar que são covidianos.

AGORA: Qual sua análise das medidas que vêm sendo adotadas até agora?

FP: Estamos nas mãos de incompetentes em pânico. Há a iminência real de uma fila da morte pela Covid-19. Mas temos que lutar contra as decisões erradas que nos empurram bovinamente para outra fila pior, a fila da morte pela miséria. Segundo dados do Datasus, estima-se que morreram até agora neste ano em torno de 1.360 pessoas de fome. Esse número pode acelerar de forma estúpida se as estratégias políticas forem estúpidas. Se continuar assim, a estimativa é de 40 milhões de desempregados, segundo dados da XP. O turismo em Natal emprega 50 mil pessoas e pode fechar completamente em abril. Vão viver do quê? Erram na economia e erram na saúde.

AGORA: Os prefeitos e governadores estão indo no caminho errado?

FP: Temos que ter cuidado com a saúde das pessoas com Covid-19 e sem Covid-19. Se nos tornarmos uma África, as mortes serão muito mais abundantes, por miséria absoluta. Não há Bolsa Família que sustente o Brasil nessa situação. O que se desenha é selva. O coronavírus talvez mate menos pessoas que a gripe espanhola, pois temos muito mais tecnologias no mundo. Entretanto, pode ser uma crise muito mais devastadora economicamente.

AGORA: Não temos saúde financeira para enfrentar a crise?

FP: Proporcionalmente não temos a saúde econômica da Espanha, da Itália, muito menos dos Estados Unidos, do Reino Unido, da Coreia do Sul e do Japão. As reservas da China eram em janeiro de 3,1 trilhões de dólares. O Brasil não vai mandar cheques para os cidadãos, como os EUA. Quem vai pagar conta? Fátima Bezerra, Álvaro Dias e seus infinitos assessores com salários em dia? Eles vão cortar os salários deles para dar conta? Só sugam.

AGORA: É um dilema entre economia e saúde?

FP: O dilema é a quantidade de vidas que perderemos com medidas erradas na saúde e na economia. Como dizia o filósofo Paracelso, “a diferença entre o veneno e o remédio é a dose”. Temos que ter equilíbrio e as decisões devem ser estudadas.

AGORA: Vamos perder ou vencer essa guerra?

FP: A vitória seria perdermos o menor número de vidas pelo corona com a perda do menor número de vidas pela miséria.

AGORA: Para você, qual é o maior inimigo? O Covid-19 ou a miséria?

FP: Não há dados confiáveis sobre o coronavírus. Dados temos de outro inimigo real, que é a miséria, que poderá ser muito, muito maior, pois o que temos hoje são políticos alinhados com o que existe de pior na humanidade. São mais mortíferos do que a gripe espanhola e o coronavírus. A governadora Fátima Bezerra e o prefeito Álvaro Dias estão sendo expostos ao nível de abutrismo deles, que priorizam privilégios, festas e farras com o esforço do cidadão ao invés de hospitais, escolas e segurança. A Covid-19 está abrindo a barriga do Brasil para vermos uma situação escatológica.

AGORA: Mas eles foram eleitos pelo povo, e eles dão a solução para Covid-19. Não é assim na democracia?

FP: Sim. De fato, foram eleitos, mas isso não significa que não enganaram o nosso povo, como faz um vírus em mutação. Numa analogia, digo que temos dois elementos patogênicos hoje: a politicalha brasileira e a Covid-19. Temos que nos livrar da politicalha brasileira, que se comporta como um organismo patogênico que se disseminou com carga viral mutante e com nível de mortalidade maior do que qualquer outro vírus na história.

AGORA: O que fazer no RN diante do tamanho do problema?

FP: É prudente aumentar a quantidade de leitos de UTI em hospitais improvisados, navios ou áreas próprias. No RN, a situação dos leitos de UTI do SUS equivale à do Irã. Lá, são 82 milhões que possuem um pouquinho mais de 1 leito de UTI para 10 mil habitantes. Temos no RN 0,96 leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. No Irã, há o relato de abertura de valas do tamanho de campos de futebol vistos do espaço. Pessoas sendo enterradas com cal para evitar a transmissão e limão, sobrepondo- -se às covas coletivas. Não se sabe o que está ocorrendo de fato naquela ditadura, e o RN parece outra ditadura, a dos coronéis oligarcas, da ptralhada e dos oportunistas de plantão. Temos, atualmente, menos leitos de UTI na rede do SUS do que no Irã. E dinheiro não faltou.

AGORA: Que soluções específicas você apontaria?

FP: Agir rápido. Passar orientações para a população, principalmente para os mais vulneráveis; convidar as pessoas imunes e já curadas para ajudar, mediante indenização, servindo como voluntários; e, ao invés de fechar os estabelecimentos comerciais e industriais, determinar que sejam realizados exames prévios para entradas, como medição de temperatura e outros sintomas afins, além do fornecimento de máscaras e álcool 70%, etc.

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