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Entrevista
Fátima precisa adotar “medidas impopulares”, defende deputado
Em entrevista ao Agora RN, Gustavo Carvalho também falou sobre os trabalhos do Legislativo, além das discussões de projetos enviados pelo Estado, como a Proposta de Emenda Constitucional
Redação
30/05/2019 | 07:49

O deputado estadual Gustavo Carvalho (PSDB) defende que, em razão da atual crise econômica que aflige o Rio Grande do Norte, o Governo do Estado adote plano de recuperação e de venda de ativos. Ele sugere, inclusive, a comercialização de empresas públicas, como a Caern, e do Centro de Convenções de Natal.

O parlamentar também defende a federalização da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN). Segundo ele, em razão do custo anual de R$ 360 milhões da instituição de ensino, o Estado deve entregá-la para o Ministério da Educação.

Em entrevista ao Agora RN, Gustavo Carvalho também falou sobre os trabalhos do Legislativo, além das discussões de projetos enviados pelo Estado, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que limita o teto de gastos estaduais.

Leia a entrevista:

AGORA RN – Que avaliação o senhor faz do governo Fátima Bezerra

GUSTAVO CARVALHO – Acho que teríamos de já ter medidas muito mais impactantes do que as que foram tomadas pelo Poder Executivo até agora. Se o governo não tomar providências muito maiores do que as que vem tomando, ele vai deixar o Estado ingovernável. Acho que, até o final do ano, poderemos comprovar (essa tese), embora eu não torça por isso.

AGORA – O senhor acha que isso está acontecendo por falta de maturidade do governo?

GC – Eu estou sentindo o governo sorridente, vibrante, com a vontade de quem chegou ao poder. Estão muito confiantes e ainda festejando a chegada nesse patamar. O perigo é estarmos numa situação de ingovernabilidade quando o governo abrir os olhos.

AGORA – O que o senhor sugeriria ao governo?

GC – O Estado precisa tomar medidas impopulares. Não são medidas politicamente agradáveis para a sociedade, mas o Estado precisa rever posicionamentos fortes com relação a Uern. Acho que deveria haver uma tentativa de federalização. A Uern é cara, custa ao Estado quase R$ 360 milhões ao ano. O Rio Grande do Norte precisa fazer também um plano de recuperação, de venda de ativos, de venda da Caern, privatização da Ceasa, do Centro de Convenções… o Estado moderno é isso.

AGORA – O senhor acha que o governo está perdendo tempo com relação à reforma da Previdência?

GC – Sim. Cinco meses é muito tempo. Essa matéria já deveria ter chegado na Assembleia. Eu não sei qual vai ser o posicionamento da governadora em relação a essa reforma. E não sei se a reforma de Previdência vai dar aos estados esse conforto, de não precisar mandar (a proposta de) um aumento de alíquota (de contribuição à Previdência) para a Assembleia. Se não houver isso, o Estado quebra.

AGORA – Qual a sua opinião em relação ao projeto que aumenta os salários dos procuradores do Estado?

GC – Estamos em um momento de extrema dificuldade. Não é bom. Mas o governo encaminhou isso. E, se encaminhou essa matéria, é porque pode pagar. Então, eu não vou votar contra.

AGORA – Diante dos atrasos de salários dos servidores, isso não é um contrassenso?

GC – Totalmente. Mas infelizmente nós recebemos essa mensagem vinda do Executivo.

AGORA – Em relação a PEC do Teto de Gastos?

GC – Eu estou na comissão, e, inclusive, vou presidir. Nós vamos começar a estudar essa matéria a partir de quinta-feira, com assessoramento técnico da Casa. Depois deveremos ter uma segunda reunião, e nós temos na instituição dessa comissão um prazo de 30 dias para concluir o trabalho. Acho que é um prazo muito generoso.

AGORA – Sobre a Previdência. O que se discute é a nacional, qual sua posição sobre como o RN deve participar desse processo?

GC –Se vier de cima, ótimo. Se não vier, eu creio que a governadora vai ter que tomar uma providência e encaminhar. Ela precisará contar com o apoio da base na Casa. Eu não tenho nenhum problema de votar de forma favorável, porque sei que é um problema do Brasil e dos Estados.

AGORA – Qual seria, no caso do RN, o encaminhamento para a resolução do problema?

GC – Eu acho que vai haver um acordo a nível federal da aprovação da reforma ser extensiva também aos Estados.

AGORA – Como estão as bancadas na Assembleia?

GC –São cinco meses e a gente ainda não conseguiu definir. Eu acho que a matéria em que poderemos definir isso será a da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que é algo que está na Casa. Aí, nesta votação, eu acredito que poderemos visualizar realmente o que é bancada do Governo e de oposição.

AGORA – Como você vê o posicionamento político da governadora frente ao Governo Federal?

GC – Ainda está prevalecendo a questão ideológica. É muito duro para todos nós. É triste, inclusive. Eu acho que os governos têm que, após as campanhas, desarmar os palanques. É assim que eu penso.

AGORA – Qual avaliação que você faz hoje do quadro político na Casa?

GC – Inerte. Não teremos eleições estaduais no ano que vem, apenas municipais, e como a vida é uma realidade local, essa coisa está acontecendo muito mais nos municípios do que em nível de Estado. Acho que a Casa está muito madura, consciente do seu papel, tem consciência da situação que vive o Estado, e o que for bom para o Governo vai ser votado e aprovado pelos deputados.

AGORA – O que o Legislativo tem feito neste ano e que a colocava como protagonista?

GC – A Assembleia já teve alguns gestos. A antecipação dos royalties e a matéria da reforma do Estado – que apesar de algo muito discreto a Casa também aprovou, mesmo eu lamentando a diminuição da estrutura da área da Secretaria de Agricultura. A Emater sempre foi ligada à Agricultura e está hoje na Sedraf [Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar]. Acho que isso foi um equívoco – foram gestos enormes do Legislativo, mas vejo o Governo com matérias de muito pouca eficiência em relação ao que é necessário para o Estado.

AGORA – PT e PSDB sempre foram partidos antagônicos nacionalmente. Mas no RN houve uma união através do presidente do partido com a atual governadora, e isso pode ter reflexos nas eleições municipais?

GC – Eu não acredito. Acho que o PSDB foi maduro quando tomou a decisão de que os seus filiados e os deputados eleitos pudessem tomar a decisão que achassem ser a mais correta. A minha posição não foi igual à do presidente – e nem por isso perdi o respeito. Hoje o momento é de agir.

AGORA – Mas há uma possibilidade de união no palanque?

GC – Não, não vejo isso. Acho contraditório. Não vejo essa possibilidade.

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