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Entrevista

Fábio Dantas confirma disputa ao Governo: “Quero ser uma alternativa”

Agora rompido politicamente com o governador Robinson Faria e de malas prontas para o PSB, Fábio Dantas sugere que será candidato para defender realização de reformas
Redação
05/03/2018 | 23:00

Agora rompido politicamente com o governador Robinson Faria (PSD), o vice-governador Fábio Dantas confirmou que será candidato ao Governo do Estado nas eleições de outubro. Fábio registra que pretende concorrer à sucessão para ser uma “alternativa”. Na opinião do vice, o Estado precisa realizar reformas para conter o desequilíbrio fiscal.

Nesta entrevista exclusiva, o vice-governador fala também que conversa com os mais diversos atores políticos do Estado com vistas à eleição de 2018 e que não descarta nenhum tipo de aliança.
Confira a entrevista na íntegra:

Vice - Governadaor - Fábio Dantas (96)

AGORA JORNAL – Como foi o seu rompimento político com o governador Robinson Faria?
FÁBIO DANTAS – Eu me desliguei politicamente do órgão central do Governo. Eu não posso romper com o próprio Estado, pois eu sou vice-governador. Nenhum desligamento é ameno. Discordo de várias coisas do Governo do ponto de vista econômico. Desde o início do governo, todas as minhas entrevistas foram pautadas na necessidade de fazermos as reformas necessárias para mudar o que era previsível e terminou sendo inevitável.

AJ – O senhor reconhece que o Governo fracassou ao não conseguir aprovar o ajuste fiscal?
FB – Foi extemporâneo. As propostas têm que ser colocadas no momento certo, assim como a conciliação com a sociedade. Não adianta impor aos servidores e à sociedade aquilo que não foi discutido.

AJ – Após o rompimento, como ficará a situação dos cargos indicados pelo senhor? Serão exonerados?
FB – Eu não tenho cargo. Quem tem cargo é o governador. É ele quem nomeia e exonera. Mas, vinte dias antes de eu me desligar do Governo, eu pedi a Estela Dantas [secretária de Relações Institucionais] que me desse uma lista de todas as pessoas que a deputada Cristiane Dantas [esposa do vice-governador] poderia ter no Estado. E autorizei a exoneração de todos, se tivesse algum. Eu não sei até hoje quem é esse povo que estão dizendo que eu botei no Governo. Eu não tenho ninguém. Vice não nomeia ninguém.

AJ – Pessoalmente, o senhor fez alguma indicação?
FB – Nenhuma. Nem eu mesmo. O governador queria que eu fosse chefe da Casa Civil e secretário de Planejamento, e eu não quis. Vice é vice, tem que cumprir o papel. Agora, sugestões o governador várias vezes me pediu. Não se nomeia quem não se pode exonerar. A nomeação é do governador. Na Ceasa, que dizem ser indicação minha, a nomeação foi do PCdoB, não foi minha. E por mim já estava exonerado.

AJ – O senhor vai mesmo ser candidato a governador?
FB – Sim, quero ser uma alternativa.

AJ – Quais serão os candidatos ao Senado na sua chapa?
FB – Primeiro eu vou conversar com a sociedade, com a classe política, com os servidores. Depois que a gente amadurecer a ideia, a gente forma a chapa. Eu fui procurado por todas as agremiações partidárias.

AJ – Qual será a sua proposta durante a campanha?
FB – Desde o início do mandato eu digo que a gente tinha que ter uma diretriz financeira, senão ia acontecer o que aconteceu no final do ano passado e que vai acontecer de modo muito mais grave no final deste ano. Nós temos uma situação de desequilíbrio fiscal que vai aumentar. É preciso que se entenda isso.

AJ – O senhor enfrentaria o governador Robinson Faria nas urnas ou tem resistência a essa ideia?
FB – Eu não vou enfrentar ninguém. Eu vou apresentar minhas propostas para o Estado. O governador Robinson, se for candidato, tem toda a legitimidade, todo o direito de ser candidato. A eleição tem dois turnos…

AJ – E com relação à senadora Fátima Bezerra? O senhor tem conversado com ela?
FB – Eu converso com todos. Não tenho problema com ninguém. Não tenho problema com o PT, com o empresariado ou com nenhuma camada eleitoral. Eu vou procurar e conversar com todos. O importante é ter uma diretriz para que a sociedade possa ter uma gestão que sirva a ela. É para isso que eu quero ser governador.

AJ – Sobre o quê o senhor conversou com o prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, na sexta-feira passada?
FB – Falamos sobre problemas do estado e do município e aproveitei o ensejo para convidá-lo para o meu ato de filiação ao PSB no dia 17.

AJ – Há possibilidade de aliança entre vocês dois?
FB – Eu tenho um desprendimento total. Converso com todos sobre aquilo que é importante para o Estado. Carlos Eduardo é um dos atores de todo esse processo.

AJ – O senhor poderia apoiar Garibaldi Filho e José Agripino para o Senado?
FB – Eu não vou adentrar em uma hipótese que eu nem sei se vai existir. Eu tenho um caminho a ser trilhado, de construção de uma candidatura. Eu vou ter parceiros, mas eu não sei quem vão ser. Nem sei também o que os parceiros vão demandar. Eu tenho que ouvir a sociedade. Quero fazer o caminho de baixo para cima.

AJ – Então o senhor não descarta a aliança com os dois?
FB – Eu não conversei com eles sobre aliança. Como eu vou dizer que tenho? Eu não digo nem que descarto nem que acato, pois eu não vou falar de conjecturas, coisas que não existem. Até porque eles já têm uma chapa formada, que é apoiando Carlos Eduardo para o Governo.

AJ – E se a chapa estudada por eles não se concretizar?
FB – Eu prefiro aguardar 7 de abril, quando teremos a renúncia ou não de Carlos Eduardo. Eu respeito a chapa deles e vou buscar a minha chapa. Vou buscar, por exemplo, o empresário Luiz Roberto Barcelos para ser senador comigo e vou buscar outros nomes para compor.

AJ – O deputado Ezequiel Ferreira faz parte do projeto?
FB – Também vou procurá-lo. Ele tem os compromissos dele com o Governo do Estado, que eu respeito. Vou aguardar.

AJ – Ele já lhe manifestou interesse de ser candidato a senador?
FB – Até o momento ele não demonstrou isso. Se for, ele vai ter que avisar.

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