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Opinião
Editorial: Reinventar a roda
Redação
17/12/2019 | 05:00

Refundar a República é uma dessas expressões que entraram na moda sem mais e nem menos. Parte da sociedade brasileira, não se sabe de onde, tirou a ideia de que tal feito seria possível sem que a jovem democracia fosse violada e todas as conquistas de pouco mais de um século, atiradas pela janela.

Nem os militares, que assumiram o controle do País por golpe em 1964, ousaram imaginar semelhante feito, embora a Ato Institucional 5 tenha materializado a necessidade autoritária de impor uma vontade sobre as demais. Isso durou 20 anos e acabou não pela via da refundação, mas por pura e simples exaustão, fadiga de material.

Desde as manifestações de 2013, no entanto, a ideia de sair demolindo todas as instituições para depois reconstruí-las à imagem e semelhança de alguns puros trouxe de volta o imaginário que um dia habitou algumas hostes autoritárias do passado. Como ontem, quem quer as mudanças hoje são aqueles que se consideram proprietários-interprétes da verdade.

Como sempre, uma parte do tecido social assumiu essa incumbência de mudar a história achando que, com isso, extirpará a corrupção e mudará pura e simplesmente os costumes corrompidos, substituindo-os por outros a serem restaurados à imagem e semelhança desse novo poder instituído.

Não é a primeira vez que isso acontece no mundo.

Grandes genocídios foram patrocinados pelos mesmos ideais: na Alemanha nazista de Hitler; na Rússia sob o comunismo de Stalin; na China de Mao-Tsé-Tung; na ditadura chilena de Augusto Pinochet; sob o comunismo de Fidel em Cuba e Kim Jong-um na Coreia do Norte.

Além disso, há centena de califados absolutamente cruéis e regimes falsamente democráticos para mostrar que não há nada melhor do que uma boa democracia, agora e sempre. Com liberdades individuais refletidas em segurança jurídica, consubstanciadas em liberdades econômicas e civis que garantam a livre manifestação de opiniões e assim por diante.

É ruim? Muito pior sem isso.

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