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Violência
“Mataram um inocente”, diz mãe de jovem morto em abordagem de PMs em SP
Rogério Ferreira da Silva foi baleado no dia do aniversário de 19 anos por policiais na zona sul. Eles estava sem capacete e não estava armado
Redação
10/08/2020 | 16:09

Para a mãe de Rogério Ferreira da Silva Júnior, morto no dia do aniversário durante uma abordagem policial na zona sul de São Paulo, os PMs devem responder pelo crime: “Eles atiraram nele porque estava sem capacete. Eu sei que é errado. Estou sentindo muita dor. Que a justiça seja feita. Agiram errado e mataram um inocente”, afirmou Roseane Ribeiro, à Record TV. 

Rogério completou 19 anos neste domingo (9). Participou de um almoço preparado pela mãe, mas nem teve tempo de cortar o bolo e cantar parabéns. Como de costume, ele foi passear de moto pelo bairro, mas, desta vez, se deparou com policiais da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas).

De acordo com a polícia, um homem, em atitude suspeita, estava dirigindo uma moto sem placa na avenida dos Pedrosos, na altura do número 227, quando foi abordado, mas não parou. Segundo o boletim policial, ocorreu uma perseguição, durante a qual o suspeito teria tentado derrubar uma das motos da patrulha.

Ao ser parado, os agentes afirmaram que o suspeito desceu da motocicleta e colocou a mão na cintura, simulando estar armado. Neste momento, um dos policiais disparou contra o homem. O jovem chegou a ser socorrido por pessoas que estavam no local, mas não resistiu.

No entanto, imagens de câmeras de segurança mostram o jovem com as duas mãos na direção da moto, encostando na via até que cai no chão. 

Nas redes sociais, colegas da vítima alegaram que o tiro ocorreu sem que o jovem fizesse qualquer menção de reação. A situação causou tumulto até que a vítima fosse levada ao hospital.

A mãe afirmou que recebeu a notícia de que o filho tinha sido baleado por policiais cerca de 10 minutos depois que ele saiu de casa. Para Roseane, a polícia dificultou o socorro: “Os policiais não disseram nada e não deixou socorrer. Depois de mais de 30 minutos, com a aglomeração, deixaram pegar ele e levar de carro pro hospital. Quando o Guilherme chegou, ele tava agonizando. Talvez se tivesse socorrido imediatamente, ele ainda poderia estar aqui”.

De acordo com o boletim de ocorrência, houve tumulto e os policiais teriam sido hostilizados e uma viatura depredada. Nenhum policial se feriu.

De acordo com Roseane, o filho “saiu de casa na hora errada”. Ele não tinha antecedentes criminais e nem estava armado. O jovem foi descrito por ela como honesto e trabalhador: “Conheço a índole do meu filho. Rogério era um menino muito amado, por isso, quando aconteceu tudo, o bairro chegou junto”.

O caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). O amigo de Rogério, Guilherme, prestou depoimento nesta manhã. O corpo do jovem ainda estava no IML (Instituto Médico Legal).  

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