Editorial
Razões para não hibernar
Por Redação - Publicado em 02/04/2020 às 05:00
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D urante a Segunda Guerra (1939/1945), muitas empresas donas de marcas tradicionais do mercado tomaram uma péssima decisão: hibernaram. É comum nas crises segmentos de negócio pensarem no curto prazo, demitindo pessoas e suspendendo seus investimentos em propaganda. Passaram cinco anos até o fi m do conflito e, quando essas mesmas empresas, que adotaram o comportamento dos ursos, resolveram voltar ao mercado, crentes de que um novo dia ensolarado se abriria para elas, já era tarde demais.

Os fiéis consumidores da marca de anos antes simplesmente haviam se esquecido das empresas sumidas, buscando ancorar-se àquelas que durante toda a guerra se mantiveram firmes e vivas nas mídias da época que, como ainda é hoje, eram o rádio e os jornais – já que a televisão ainda vivia seus primórdios. A pandemia do coronavírus, igualmente trágica para as pessoas e as economias mundiais, não deve durar a fração de tempo que levou a Segunda Guerra para acabar.

E, tenham absoluta certeza disso, vai descortinar caminhos inteiramente novos para muitas organizações, estejam elas na indústria, varejo ou serviços. Não é suposição, é pura realidade. Ao economizar investimento em publicidade, sem ao menos negociar, empresas consolidadas ou iniciantes, profissionais liberais, entidades de classe, de diferentes ramos e tamanhos, mas sempre disputando seu espaço com concorrentes, abrem uma porta perigosa para a perda de competitividade futura.

Agora mesmo, uma pesquisa realizada pela Kantar Insights, uma empresa global especializada em medir graus de sustentabilidade das organizações, com 25 mil consumidores em 30 países, descobriu que apenas 8% dos consumidores acreditam que as marcas devem parar de anunciar devido à crise do coronavírus. E mais: as pessoas ouvidas disseram conhecer a importância da publicidade em dar sustentação à mídia profissional em tempo difíceis como este da pandemia do coronavírus.

Afinal, é onde elas podem contar com informação confiável numa época de fake news disparadas por robôs para confundir a população. Além disso, a mesma pesquisa apurou que mais de 50% dos entrevistados também acreditam que as marcas devem anunciar como sempre fizeram, enquanto 50% pensam que as empresas devem falar sobre sua própria marca de maneira mais leve que o habitual. Surpreendentemente, apenas 30% gostariam de ver suas marcas oferecendo descontos e promoções. Precisa dizer mais? Claro que não.

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