Editorial
Imprensa potiguar
Por Redação - Publicado em 26/03/2020 às 00:10
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N o dia 4 de março de 1918, um soldado da base militar de Fort Riley, nos Estados Unidos, fi cou de cama, com sintomas de uma forte gripe. Esse acampamento no Kansas treinava cidadãos americanos para a Primeira Guerra Mundial.

Na mesma semana, mais de 200 soldados adoeceram e, em apenas 14 dias, mais de 1 mil deles foram parar em hospitais, numa epidemia que se alastrou rapidamente por outros acampamentos. Logo, não era mais um ou cem; eram 1.500 militares atingidos num único dia.

A doença, que logo se espalhou pelos EUA, embarcou junto com os saldados para a Europa, onde eles foram lutar na Primeira Grande Guerra. Assim, ganhou o mundo. E a pandemia só foi chamada de Espanhola, pois, sendo a Espanha um país neutro no conflito, tinha uma imprensa livre para noticiá-la.

O resultado é o que se sabe: entre 50 a 100 milhões de mortos no planeta. E poderia ter sido muito mais se não fossem os veículos de comunicação da época. A imprensa, que o presidente Jair Bolsonaro reitera incansavelmente odiar, é o último bastião entre a ignorância produzida pela alienação e o senso crítico patrocinado pelo conhecimento. Ela não é perfeita. Não é santa, erra.

Mas tem na sua tradição mais fundamental a verdade como pressuposto indiscutível. Em outras palavras, imprensa não é doutrina, mas informação é a base para que a sociedade estruture seus debates. E é por isso que precisa ser apoiada pelas instituições de maneira responsável, especialmente quando as informações falsas inundam as redes sociais de maneira avassaladora, disparada ou não por robôs.

Hoje, no auge da pandemia que o presidente da República insiste em ignorar, indo contra a orientação da quase totalidade de países do mundo, inclusive agora a Índia, na qual cabem dezenas de Brasis em matéria de população, a imprensa revela-se como instituição a ser apoiada, o que jamais retirará o direito das pessoas a criticá-la.

Neste momento, os veículos de comunicação do Rio Grande do Norte – todos – precisam do apoio dos setores da sociedade, do empresariado e do governo, que em épocas de paz usufruem do intercâmbio de informações e conseguem, por meio da mídia, expor suas plataformas e ações. Esta semana, a governadora Fátima Bezerra foi criticada nas redes sociais justamente por esboçar esse apoio, que reflete a sensibilidade de uma governante que não ignora a relevância dos veículos de comunicação.

Mais uma vez, a crítica pequena, mesquinha, parece ter triunfado sobre a necessidade de se manter ativos setores fundamentais da sociedade, de importância decisiva, entre os quais modestamente se inclui a imprensa potiguar – toda ela. É preciso entender com clareza as difíceis semanas e meses que teremos pela frente, quando o conteúdo local produzido na internet e na forma impressa desempenhará papel fundamental sobre as decisões da comunidade.

E a imprensa potiguar faz parte desse processo. Toda ela.

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