Editorial
Adaptação é preciso
Por Redação - Publicado em 03/04/2020 às 05:00
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O que vem atrasando o governo federal em sua tarefa primordial de fazer o dinheiro chegar rapidamente às mãos dos brasileiros mais pobres ainda é um pequeno mistério. O presidente Jair Bolsonaro assegurou nesta quinta-feira (2) que se começará a pagar na semana que vem o “coronavoucher”, apelido dado ao auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores informais, autônomos, microempreendedores individuais e outros afetados pelos efeitos da pandemia da Covid-19.

O problema é que até o momento desta declaração, ele já havia demorado 48 horas para sancionar a medida, apesar da pressão do Congresso e de setores da sociedade civil. Finalmente assinou, mas que demorou, demorou. E agora que finalmente houve a sanção presidencial, as hesitações do governo, que esbarram, em parte, na burocracia anacrônica vigente no País, ainda revelam a inexperiência da atual equipe econômica numa matéria para a qual sabidamente ela não tem experiência – a de transferir renda. Sabe-se que o Bolsa Família reúne 14 milhões de brasileiros, com dados fundamentais como o CPF, entre outros.

Por que já não se começou o trabalho por aqui, é uma boa pergunta. Mas há ainda 35 milhões, dos quais pelo menos 11 milhões o governo não sabe por onde andam. Depois de realizar o expurgo de ONGs que exerciam a conexão com parte desses bolsões de pobreza – alguns até com razão, pois desviavam recursos -, o fato é que a equipe econômica não estava preparada para desempenhar essa magnífica tarefa.

“É como um time de craques do futebol sendo convocado para jogar baquete”, descreveu um jornalista esta semana. Depois de anunciar bilhões de investimento na economia, descobriu-se que alguns anúncios foram repetidos e cifras sobrepostas, o quer confundiu até os mais experientes analistas desse tipo de número.

Mas dinheiro que é bom, até agora, nada – embora prazos corretos para as liberações já fosse um bom começo. O tsunami do coronavírus varreu todos os planos da equipe econômica. Em seu primeiro ano, o governo Bolsonaro se beneficiou muito da herança deixada pela reforma trabalhista levada a cabo no governo Michel Temer, extensiva ao campo previdenciário, pode-se dizer assim. Contudo, nem antes da pandemia, frise-se, as coisas para o atual governo não vinham exatamente bem, embora pragmaticamente o ministro Paulo Guedes tenha obtido vitórias, reduzido o rombo fiscal deixado pela era Dilma Rousseff. Era algo do qual o atual governo se orgulhava até ser colhido pelas ondas gigantescas da pandemia.

Agora que não há mais retorno possível, é bom que o governo se adapte rapidamente ao novo momento.

Mas que vai ser difícil, ah vai.

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