Editorial
A psicologia explica; leia o editorial do Agora RN desta terça (19)
Por Redação - Publicado em 19/05/2020 às 03:46
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V ista do alto, de helicóptero, a manifestação em frente ao Palácio do Planalto deste último domingo, sempre com a presença do presidente Jair Bolsonaro, parecia menos portentosa do que em outras oportunidades.

Os cartazes de cunho antidemocrático, pedindo o fechamento do Congresso e do STF, por recomendação do próprio presidente, estavam mais minguadas, mas ainda assim tudo ao redor parecia obedecer a um padrão de organização normalmente precedido por financiamento.

Por exemplo, os caminhões que produziram um buzinaço infernal são da mesma marca e, ousa-se dizer, do mesmo ano. Os fogos de artifício também indicavam uma sincronia típica de uma regência profissional. Barracas de manifestantes todas padronizadas e por aí afora.
Esse tipo de organização também acontecia nos tempos do PT, quando a mão invisível do Estado brasileiro parecia onipresente em manifestações atribuídos aos movimentos sociais da época.

Nenhum “coletivo” jamais foi responsabilizado por atos de vandalismo por não terem identidade jurídica; eles só apareciam com CNPJ quando o assunto era beliscar uma verba pública.

Contudo, vivemos um déjà-vu, ao que parece.

A expressão francesa, cuja tradução literal quer dizer “já visto”, é usada para indicar um fenômeno que acontece no cérebro quando alguém é acometido pela sensação de já ter visto algo pela segunda vez, sem a lembrança da primeira.

A expressão foi aplicada originalmente por Emile Boirac (1851-1917), um estudioso interessado em fenômenos psicológicos.

Estamos vendo tudo novamente com Bolsonaro.

E a experiência não é boa. Indica intimidação de caráter autoritário oriunda de uma personalidade ciclotímica, um transtorno de humor em que a pessoa experimenta momentos de depressão ou euforia subitamente, tornando árdua a convivência com as pessoas. Que o digam os ex-ministros recém-despachados.

Seja como for, as manifestações na frente do Planalto tendem a se perpetuar, num exercício canhestro da democracia tal como a que vivemos hoje. Com requintes de velório da República em meio a pandemia mais devastadora do século.

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