Pandemia
Covid-19 trouxe novo vocabulário; entenda as expressões mais usadas
Pandemia de Covid-19 trouxe para o dia a dia palavras e expressões que antes ficavam restritas ao ambiente médico e científico
Por R7 - Publicado em 01/08/2020 às 09:20

A pandemia de Covid-19 trouxe para o dia a dia palavras e expressões que antes ficavam restritas ao ambiente médico e científico. Agora, elas estampam o noticiário e estão na boca do povo. Mas, ainda assim, podem gerar dúvidas e confusão. O R7 selecionou alguns exemplos para facilitar a compreensão de seus significados, com base em entrevistas já concedidas por especialistas. Confira a seguir:

Teste rápido de farmácia: o teste rápido liberado para venda em farmácias pela Anvisa no final de abril detecta a presença de anticorpos para combater o novo coronavírus no sangue. Por isso, é capaz de dizer se a pessoa já teve contato com o vírus ou não, mas não serve para diagnóstico da infecção. Ele é feito a partir de uma amostra retirada de um furinho no dedo.

No entanto, especialistas alertam que ele não pode ser usado como atestado de imunidade. “O simples fato de ter anticorpo não quer dizer que você está protegido. O que dá para dizer é que o sistema imune foi capaz de responder eficientemente ao vírus, mas a proteção é sempre uma combinação [da ação] de células e fatores solúveis dos sistema imune. O principal deles é o anticorpo”, afirma Alessandro dos Santos, professor do Instituto de Biologia e Coordenador da Frente de Diagnóstico da Força-Tarefa de enfrentamento ao novo coronavírus da Unicamp.

Teste rápido sorológico: exame de sangue que detecta a presença de anticorpos contra o coronavírus. Permite alcançar resultados mais confiáveis do que o teste rápido de farmácia porque analisa o soro (parte líquida) do sangue, e não a sua totalidade, mas ainda pode falhar. “Detecta anticorpos específicos e tem uma sensibilidade maior, mas a precisão varia, chega no máximo a 82%”, explica Jean Gorinchteyn, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

Anticorpos: proteínas produzidas pelo sistema imunológico quando algum agente invasor, como vírus ou bactérias, por exemplo, entram no organismo. Têm a função de protegê-lo contra uma infecção provocada por esse invasor. No caso do novo coronavírus, a ciência ainda não têm uma resposta definitiva sobre o tempo que esses anticorpos permanecem no organismo.

Anticorpos IgM e IgG: os testes rápidos podem detectar dois tipos de anticorpos. O IgM é o primeiro a ser produzido, desaparece depois de um certo tempo e indica que a pessoa está infectada ou teve infecção recente. Já o IgG é o mais abundante e demora para ser produzido. Ele indica que a pessoa está recuperada, mas não necessariamente imune.

Linfócitos T e Bsão tipos de células que compõem o sistema imune. Elas produzem uma resposta personalizada para cada agente invasor, chamada de imunidade adaptativa. Os linfócitos T são capazes de identificar e matar células infectadas pelo novo coronavírus, o que é chamada de resposta celular. Já os linfócitos B fabricam anticorpos, a resposta humoral.

Teste RT-PCR: esse tipo de teste é considerado “padrão ouro” pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para diagnosticar a infecção pelo novo coronavírus. Isso porque detecta a presença do material genético do vírus em amostras de saliva e outras secreções retiradas do nariz ou da boca com um instrumento que se parece com um cotonete gigante chamado swab. A sigla RT-PCR significa “reação em cadeia da polimerase acoplada a transcriptase reversa”. Na prática, significa que o RNA, material genético do vírus, é transformado em DNA para depois ser detectado. “O PCR é uma técnica que permite detectar poucas moléculas de DNA. Ele identifica e aumenta essa quantidade”, descreve o virologista Flávio Guimarães, do Centro de Tecnologia em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Imunidade de rebanho: é a proteção que se alcança quando a maior parte da população já teve contato com algum vírus ou foi vacinada e, por isso, se tornou imune a ele. Essa situação seria capaz de barrar a transmissão do novo coronavírus”. Se você tem o vírus e entra em contato comigo, mas eu estou imune e a maioria das pessoas também, a corrente de circulação [do vírus] quebra em você”, explicou Gesmar Segundo, coordenador do Departamento Científico de Imunodeficiências da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia). Especialistas afirmam que é preciso que 70% da população fique imune para alcançar essa condição. Mas novos estudos têm sugerido que esse percentual é menor no caso do novo coronavírus.

Curva de contágio: a curva de contágio de uma epidemia indica o número de novas pessoas infectadas em um determinado período de tempo. Ela varia conforme a fase de transmissão em que cada país se encontra, de acordo com o infectologista João Prats, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. A curva muda conforme a capacidade que um indivíduo tem de infectar outros. Ela vai ficar cada vez mais elevada e depois irá se estabilizar em algum momento, quando atingir seu pico. Esse momento de estabilidade no número de casos por um período longo de tempo é chamadoplatô.

Oxímetro: aparelho usado para medir a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue. O nível normal seria entre 95% e 99%, de acordo com especialistas. O mínimo aceitável para manter as células do corpo saudáveis é de 89%, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Entretanto, em suas experiências diárias, os profissionais de saúde têm observado pessoas que não reclamam de falta de ar, mesmo estando com quadros avançados de pneumonia e nível de oxigênio no sangue abaixo do normal.