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Combate
Presos se unem contra a Covid-19 na maior prisão da América Latina
Com 9,3 mil presos, a prisão de Lurigancho, em Lima, capital do Peru, teve apenas 31 mortos por covid-19, enquanto a pandemia se espalha pelo país
R7
23/06/2020 | 10:02

Armados com termômetros infravermelhos, fumigadores e máscaras feitas por eles mesmos, os mais de 9,3 mil detentos da prisão peruana de Lurichango, a mais populosa da América Latina, se uniram para erradicar a Covid-19 de suas celas e evitar que o novo coronavírus arrase com seus 24 pavilhões superlotados.

Não havia nenhum sinal de que esta penitenciária de Lima, projetada para abrigar 2,5 mil presos, reagiria com solidariedade para controlar o surto de covid-19 que começou em abril, uma ameaça que dois meses depois parece estar perto de desaparecer, segundo a equipe da EFE pôde comprovar durante uma visita.

Ainda que o coronavírus ainda esteja dentro do presídio, os casos estão diminuindo e a calma voltou às celas e corredores, depois que o pânico levou os detentos a participar uma onda de motins que atingiu várias penitenciárias do Peru em abril, tentando sair para se salvar da doença.

No país todo, 2.606 presos foram infectados pelo coronavírus, dos quais 249 morreram. Há ainda 52 internados e 1.530 já estão recuperados.

Momentos críticos

Em Lurichango, que atualmente abriga 9.322 presos (quase 10% dos mais de 94 mil que formam a população carcerária do país), 31 foram mortos pelo coronavírus. Foram realizados 322 testes, dos quais 158 deram positivo. O médico Jorge Cuzquén, chefe da área de saúde da prisão, suspeita que o número real de casos foi bem maior.

“A situação chegou a ser muito crítica”, disse ele à EFE. Segundo ele, houve um princípio de rebelião em 28 de abril, um dia depois que os detentos se amotinaram na prisão Miguel Castro, a apenas um quilômetro dali, após o registro de nove mortes pelo coronavírus no local.

“Explicamos a eles tudo o que tínhamos planejado fazer e eles encerraram o protesto”, disse o presidente em exercício do Intituto Nacional Penitenciário do Peru (Inpe), Rafael Castillo, que assumiu o cargo em meio à onda de rebeliões.

Resposta urgente

Lurigancho precisava de uma resposta urgente. Muitos presos têm doenças que poderiam colocar sua vida em risco se contraíssem a covid-19. Um pavilhão inteiro abriga 500 detentos com tuberculose. Outros 280 têm HIV e outros 353 estão em grupos de risco por diabetes, pressão alta ou idade avançada.

“Tínhamos muita preocupação que o vírus se espalhasse, mas graças aos protocolos o número de infectados diminuiu”, contou Gustavo Martínez, encarcerado no pavilhão 2, que agora faz parte de um grupo de prevenção que se encarrega de avaliar seus companheiros para detectar possíveis contágios e avisar as autoridades.

Cada pavilhão tem uma brigada desse tipo. Ter os detentos como aliados na prevenção é parte da nova estratégia do Inpe para combater a covid-19 nas prisões e transformou Lurigancho em um modelo para as outras 67 unidades carcerárias do Peru.

“Se cada um agir apenas pelo seu lado, não vamos conseguir vencer essa doença. Temos que trabalhar juntos”, disse Castillo.

Caçando a covid-19

No corredor central de Lurigancho, chamado “rua da união”, assim como a rua principal do centro histórico de Lima, os presos que fazem parte das brigadas tomam conta das entradas dos pavilhões.

Se protegem dos pés à cabeça com trajes de biossegurança e apontam com um termômetro eletrônico a cabeça de todas as pessoas que querem entrar nos prédios. Os aparelhos são desinfetados com frequência.

“A população do presídio sabe que pode chegar para conversar conosco se tiver algum sintoma ou doença”, comentou Martínez que, como os outros encarregados das brigadas, recebeu treinamento para utilizar aparelhos como o oxímetro de pulso, que mede a oxigenação do sangue.

Surtos evitados

O caso do pavilhão 2 é exemplar, pois até agora só teve um caso de covid-19. “Foi detectado a tempo e, por sorte, foi leve. Não é nada em comparação ao que se vê nas ruas”, disse à reportagem Alberto, um prisioneiro que esperava para ser examinado.

Nesse pavilhão os presos também produzem suas próprias máscaras. Elas são tecidas na antiga sapataria do presídio e ajudam a proteger a população do local.

“Diante da necessidade, tivemos que mudar e nos adaptar à situação. Transmitimos nossas preocupações às autoridades, para ver de que maneira poderíamos ajudar a todos”, disse Segundo Vidarte, encarregado da sapataria.

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