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Vaticano
‘Precisamos parar de tratar LGBTs como leprosos’, diz jesuíta consultor
Nos eventos católicos que conduz, o jesuíta norte-americano recebe abraços de homossexuais e seus familiares, muitas vezes às lágrimas
Redação
03/06/2018 | 18:45

Depois de anos de experiência com o tema, Martin lançou na Itália na última semana seu mais polêmico – e muito elogiado – livro: ‘Un Ponte da Costruire: Una Relazione Nuova Tra Chiesa e Persone LGBT’, algo como ‘Uma ponte a ser construída: um novo relacionamento entre a igreja e as pessoas LGBT’, em tradução livre.

James Martin nasceu na Pensilvânia e tem 57 anos. Desiludido com o mundo corporativo depois de trabalhar por seis anos no departamento financeiro de uma multinacional, em 1988, Martin entrou para a Companhia de Jesus, mesma ordem religiosa à qual pertenceu o Papa Francisco. Ele foi ordenado padre em 1999 e vive em Manhattan, Nova York. Em 2017, Martin foi nomeado pelo papa Francisco como consultor de comunicação do Vaticano.

Sobre sua grande bandeira, uma melhor aceitação das pessoas LGBT pela Igreja Católica, ele conversou com a BBC Brasil.

BBC Brasil – O Catecismo da Igreja Católica, a publicação que compreende toda a doutrina, diz que as pessoas homossexuais não devem ser marginalizadas. Documentos recentes de Francisco – e mesmo o texto final do Sínodo dos Bispos Sobre a Família – também clamam para que a comunidade LGBT seja recebida com dignidade no dia a dia da Igreja. No seu livro, o senhor diz que a doutrina não é suficiente. O que é preciso, então?

Martin – É preciso compreender que a doutrina não é simplesmente aquelas poucas linhas do Catecismo, mas o Evangelho como um todo. E, no Evangelho, nós vemos que Jesus constantemente ia ao encontro daqueles que sofriam porque estavam marginalizados. É aí que a Igreja é chamada a ser Igreja. E hoje ninguém é mais marginalizado em nossa igreja do que as pessoas LGBT. Então precisamos simplesmente seguir Jesus em seu caminho.

BBC Brasil – O documento final do Sínodo dos Bispos Sobre a Família, de outubro de 2015, apesar de pedir dignidade aos LGBT, reiterou a impossibilidade do casamento gay na Igreja Católica. Acredita que um dia a Igreja poderá celebrar uniões homossexuais?

Martin – Está claro que a doutrina da Igreja é contra o casamento homossexual. Ao mesmo tempo, muitos bispos, inclusive o cardeal Christof Schonborn, arcebispo de Viena, têm afirmado ver o lado bom que existe em tais relacionamentos. Em uma entrevista, Schonborn disse, sobre um casal gay que ele conheceu: “Eles compartilham uma vida, eles compartilham suas alegrias e seus sofrimentos, eles ajudam um ao outro. É preciso reconhecer que essas pessoas deram um importante passo para seu próprio bem e para o bem dos outros, a despeito do fato de que certamente esta não é uma situação que a Igreja pode considerar ‘regular'”.

 

 

Fonte: BBC

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