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Decisão
Israel rejeita apelos para investigar mortes durante um protesto na Faixa de Gaza
Milhares de palestinos participaram da chamada Marcha do Retorno, a primeira de uma série de manifestações programadas para durar seis semanas. O protesto terminou em violência
Estadão
02/04/2018 | 11:26

O ministro da Defesa de Israel rejeitou neste domingo, 1.º, os pedidos de uma investigação independente solicitada por ONU e União Europeia (UE) sobre a violência registrada durante um protesto na sexta-feira na Faixa de Gaza, no qual 15 palestinos morreram e cerca de 1,4 mil ficaram feridos.

“Fizeram o que tinham de fazer. Acredito que nossas tropas merecem reconhecimento. E não haverá investigação”, disse o ministro da Defesa do país, Avigdor Lieberman. “A maioria era terrorista”, completou ele, garantindo que 10 dos 15 mortos eram membros do movimento islâmico Hamas, que governa Gaza.

Lieberman considerou que o pedido de investigação é hipócrita e defendeu a atuação dos soldados, repetindo o discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que alegou estar tomando “medidas firmes para defender a soberania do país”.

Manifestação
Milhares de palestinos participaram da chamada Marcha do Retorno, a primeira de uma série de manifestações programadas para durar seis semanas. O protesto terminou em violência. A comunidade internacional e algumas ONGs condenaram o uso excessivo da força por parte dos soldados de Israel.

O Exército israelense afirma que os manifestantes lançaram objetos incendiários contra as tropas e ultrapassaram o limite de 300 metros estabelecido na fronteira, uma área restrita. Por isso, os militares teriam respondido com munição real e gás lacrimogêneo.

Os palestinos, por outro lado, acusam os soldados de atirar contra manifestantes que não representavam nenhuma ameaça. O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, defenderam uma investigação “independente e transparente” sobre os fatos.

No sábado, o governo americano bloqueou um projeto de resolução do Conselho de Segurança da ONU que recomendava moderação e pedia uma investigação dos confrontos na fronteira de Israel com Gaza.

As ONGs Al-Mizan e Adalah pediram a Israel acesso à área depois de identificarem, na sexta-feira, dois corpos caídos a 150 metros da fronteira. Neste domingo, o comandante-geral, Yoav Mordejai, responsável pelo órgão militar que controla a região, identificou os mortos como Masab Salul, membro do braço armado do Hamas, e Mohamed Rabaya. O general afirmou que não devolverá os cadáveres até recuperar os restos mortais de israelenses que o Hamas mantém desde 2014.

Sucesso
O dirigente do Hamas, Ismail Haniyeh, considerou que o protesto de sexta-feira foi um sucesso. De acordo com os organizadores, 40 mil pessoas participaram da manifestação. “A Marcha do Retorno é um grande ato e um dia de glória na história da Palestina e da luta popular e civilizada”, disse Haniyeh.

Pelo terceiro dia seguido, novos distúrbios foram registrados neste domingo na Faixa de Gaza. O caso mais grave é de um palestino que ficou ferido após levar um tiro na cabeça, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

Vestígios do último conflito

O último confronto aberto entre Israel e Hamas, em Gaza, ocorreu em julho de 2014. Três jovens israelenses haviam sido assassinados – crime atribuído ao Hamas. Em resposta, Israel prendeu militantes e fechou instituições palestinas. A tensão aumentou quando extremistas judeus assassinaram o palestino Mohamed Abu Khdeir. Radicais de Gaza lançaram vários foguetes contra o sul de Israel e o governo de Binyamin Netanyahu optou pela ação militar. Em sete semanas, morreram 2 mil palestinos. Do lado israelense foram 67 soldados e 6 civis mortos.

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