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Problema
Falta de eletricidade agrava crise dos hospitais da Venezuela
Estruturas dependem de geradores elétricos para o funcionamento de áreas como terapia e emergência, mas muitas dessas estruturas - quando existentes - não funcionam e outras tiveram falhas técnicas
Agência Estado
11/03/2019 | 13:22

A filha de 8 anos de María Rodríguez está recebendo tratamento para hidrocefalia em um hospital de Caracas, mas desde o início do blecaute de 7 de março só é atendida parcialmente porque o centro de saúde, que agora depende de uma usina elétrica própria, opera com limitações.

“Minha filha precisa de um tratamento de drenagem que dura seis horas que eles dão durante momentos, quando o andar chega a ter alguma luz. O pessoal nos diz que a prioridade é a terapia intensiva”, disse a mãe, de 36 anos. Segundo ela, também tem faltado água e durante três dias os pacientes só comeram arroz e grãos.

Os hospitais da Venezuela já estavam em crise devido à falta de insumos e falhas de equipamentos, e nos últimos dias a situação foi agravada pelo apagão.

Agora eles dependem de geradores elétricos para o funcionamento de áreas como terapia e emergência. Médicos consultados disseram que, embora existam instalações, algumas não funcionaram e outras tiveram falhas técnicas ou lhes faltou combustível.

“O plano de contingência funcionou, se surgiu alguma falha foi corrigida, e os pacientes que o pediram foram transferidos”, disse o ministro da Saúde, Carlos Alvarado, na televisão estatal, acrescentando que o governo garantiu combustível e água.

Mas a organização não governamental Médicos pela Saúde denunciou que os problemas de abastecimento de energia e as limitações da ajuda provocaram a morte de 17 pessoas em hospitais públicos de Caracas e outras localidades.

“A primeira coisa que devemos entender é que esta crise acontece quando os hospitais já estavam com uma capacidade operacional reduzida. Não é a mesma coisa uma crise com hospitais que funcionam corretamente”, disse Julio Castro, um médico da ONG, em entrevista com o líder da oposição Juan Guaidó.

Um grupo dos Médicos pela Saúde foi a um dos hospitais de Caracas, que atende principalmente crianças, ao meio-dia de domingo para obter mais detalhes da situação do local, mas policiais os barraram.

Mães que estavam dentro do hospital gritavam que não tinham comida e pediam aos agentes que permitissem a entrada dos médicos, mas sem sucesso, segundo testemunhas da Reuters.

Horas depois, a diretora do hospital, Natalia Martinho, disse na TV estatal que “as crianças estão estáveis e a reação a esta contingência foi um sucesso (…) demos alimentação às crianças e às mães”.

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