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Internacional
Coronavírus: corruptos tiram vantagem de medo da pandemia
Sem licitações transparentes, alimentos e material médico estão sendo vendidos a preços exorbitantes em muitos países do mundo
Estadão Conteúdo
28/04/2020 | 08:19

Quando as autoridades do seu Estado começaram a fornecer pacotes de alimentos às famílias afetadas pelo isolamento imposto pelo coronavírus na Colômbia, o deputado Ricardo Quintero ficou impressionado com os preços exorbitantes cobrados pelos vendedores. Por isso, fez uma visita à mercearia local.

Ali, ele adquiriu os mesmos produtos por cerca da metade do preço – supostamente de atacado – que o governo do Estado de Cesar estava pagando. A comparação deu origem a uma das atuais 11 investigações criminais em curso na Colômbia. O país é um dos muitos no mundo que apresentam um aumento das acusações de corrupção. “Sempre há corrupção”, afirmou Quintero. “Mas o que mais impressiona é vê-la em uma época como esta”.

Países grandes e pequenos estão desembolsando trilhões de dólares para combater a pandemia e suas brutais consequências econômicas nesta que os economistas definem como a maior reação financeira a uma crise global. Enquanto os governos correm para conseguir desde alimentos a máscaras faciais, eles priorizam a rapidez em relação à transparência, abandonando as licitações e outras salvaguardas a fim de acompanhar o ritmo da doença.

A maioria não tem outra escolha. Dada a rapidez da crise que continua se desenrolando ou compram rapidamente ou põem em risco a vida de milhões de pessoas. Mas já cresce a preocupação com a porcentagem de dinheiro dos contribuintes que forra os bolsos de burocratas corruptos, das fornecedoras beneficiadas e dos sindicatos do crime.

“Certos casos estão acontecendo neste momento, em tempo real,” afirmou Max Heywood, um dos diretores da Transparência Internacional, organismo de monitoração da corrupção. “Olhando as falhas dos sistemas e a quantidade de dinheiro que está sendo devidamente injetado no combate ao problema, nada mais correto do que afirmar que estamos muito preocupados”, disse.

A ajuda em alimentos aos trabalhadores que lutam com dificuldades, afastados de seus empregos, está se revelando um alvo particularmente atraente. Quando, neste mês, o governo de Bangladesh lançou uma iniciativa para a distribuição de arroz a seus cidadãos em condições mais vulneráveis, sumiram quase 300 mil quilos.

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