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Problemas
Arsenais nucleares ainda moldam a política internacional, 75 anos depois de Hiroshima
Apesar da redução do número de ogivas operacionais, nações gastam trilhões de dólares para modernizar suas armas, e se veem diante do enfraquecimento dos mecanismos de controle
OGlobo
06/08/2020 | 05:58

Às 8h15 da manhã do dia seis de agosto de 1945,  um artefato denominado “Little Boy” era  lançado do bombardeiro americano Enola Gay, e detonado a 580 metros de altitude sobre a cidade japonesa de Hiroshima. O impacto equivalente a 15 mil toneladas de trinitrotolueno (TNT) destruiu tudo em um raio de 1,6 quilômetro, provocando setenta mil mortes de forma instantânea e centenas de milhares nos anos posteriores. Três dias depois, um novo ataque, em Nagasaki, provocaria destruição e morte em escalas similares.

Mais do que ataques sem precedentes contra um país já em ruínas, as bombas americanas moldariam todo período do pós-guerra em torno de quem possui (e quem não possui) seus próprios arsenais. É um clube hoje restrito a nove países, nem todos sujeitos às ferramentas de controle estabelecidos ao longo dos anos — mecanismos que estão diante de um processo de enfraquecimento ou mesmo eliminação, diante das mudanças no cenário internacional.

O principal deles é o Tratado de Não Proliferação (TNP), de 1968, que impôs limites ao acesso às armas nucleares e trazia a premissa de um eventual desarmamento das potências atômicas então reconhecidas. Mas os arsenais aumentaram exponencialmente nas décadas seguintes, em uma tendência só revertida nos anos 1980, depois de uma série de acordos e compromissos entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.

Esse processo hoje está em risco sob Donald Trump. Pouco afeito ao multilateralismo, Trump acusou a Rússia de violar alguns dos tratados em vigor, e fez disso argumento para abandoná-los.

Em 2018, o presidente americano anunciou a saída dos EUA do Tratado de Forças Intermediárias, que reduziu os estoques de mísseis balísticos com alcance entre 500 km e 5 mil km. Em 2020, também alegando violações russas, ele deixou o Tratado dos Céus Abertos, sobre o monitoramento de atividades militares na Europa e América do Norte. Agora, põe em xeque a renovação do Novo Start, que estabelece limites para as ogivas nucleares de longo alcance e expira em fevereiro de 2021.

— Isso é incrivelmente perigoso e desestabilizador — afirmou ao GLOBO Geoff Wilson, analista do Centro de Controle de Armas e Não Proliferação, em Washington. — Em um momento em que quase todo Estado nuclear está expandindo ou atualizando seu arsenal, os EUA mandaram um sinal errado, de que nós também colocamos mais valor em desenvolver essas amas do que em reduzir sua presença no mundo.

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