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Orientação
Tomar ivermectina não é passaporte para largar isolamento social, diz infectologista
Médico que atua no Hospital Giselda Trigueiro, em Natal, diz que ivermectina pode ser consumida pela maior parte da população, mas ressaltou que a ingestão deve ser orientada por um médico e que o consumo não elimina cuidados básicos
Redação
09/06/2020 | 14:58

O consumo de ivermectina não garante proteção contra a Covid-19. Por causa disso, pacientes que tomaram o medicamento não devem descuidar das medidas de higiene e da prática do isolamento social, única estratégia eficaz, segundo os especialistas, para evitar a infecção pelo novo coronavírus.

Esse alerta é do infectologista Alexandre Motta, que atua na linha de frente do combate à pandemia no Hospital Giselda Trigueiro, em Natal, referência no atendimento aos casos de coronavírus.

Segundo o médico, apesar de existirem alguns resultados promissores em laboratório, não há confirmação científica de que a ivermectina, um antiparasitário usado há décadas contra o piolho, seja realmente eficiente para combater a Covid-19 ou mesmo para prevenir a doença, como têm dito alguns entusiastas do uso da droga.

“Isso é algo especulativo. Não há comprovação científica de que isso vai funcionar. Eu conheço pessoas que estavam tomando ivermectina e agora estão doentes. Eu conheço pessoas que estão doentes, tomaram ivermectina e isso não mudou o curso da doença”, revela o infectologista.

Alexandre Motta diz que, pelo fato de ter poucos efeitos colaterais conhecidos, a ivermectina pode ser consumida pela maior parte da população, mas ressaltou que a ingestão deve ser orientada por um médico e que o consumo não elimina os cuidados básicos.

“Como ela tem poucos efeitos colaterais, é possível que as pessoas possam usar sem os riscos que, por exemplo, a hidroxicloroquina pode oferecer. Se o médico quiser prescrever (ivermectina), tudo bem, mas isso não pode ser um passaporte para que as pessoas deixem de praticar o isolamento social. Esse, sim, já é comprovado como única ferramenta que funciona”, explica o médico.

De acordo com o infectologista, o “medicamento” realmente eficaz – o isolamento – está sendo negligenciado por uma parcela relevante da população. “Ou por desinformação ou porque são conduzidas ao erro por parte de alguns profissionais que fazem crer que o uso de determinados medicamentos possa fazer que não seja preciso o isolamento social”, diz Alexandre.

O médico do Giselda Trigueiro reforça que há indícios de que a ivermectina possa controlar a replicação viral e que seu uso continuado – mesmo por quem não tem sintomas – poderia proteger contra uma futura infecção por ficar presente nas mucosas do organismo. “Mas nada é mais eficaz que o isolamento social”, aponta.

NOVO PROTOCOLO EM NATAL
Na semana passada, a Secretaria de Saúde de Natal lançou um novo protocolo para orientar médicos e pacientes sobre como acolher pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado para a Covid-19. O protocolo traz desde instruções sobre o acolhimento de casos suspeitos nas unidades de saúde até terapias medicamentosas para casos graves confirmados.

O documento, aprovado pelo secretário de Saúde, George Antunes, e pelo prefeito Álvaro Dias, recomenda o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina até para pacientes com sintomas iniciais da doença. Além disso, indica especialmente a ivermectina como medida de prevenção. Não são citados estudos que comprovem a eficácia de nenhum dos remédios para conter a Covid-19.

“Considerando seu perfil de segurança farmacológico (poucos efeitos colaterais), larga experiência de uso clínico em outras doenças, custo e comodidade posológica, esse medicamento (ivermectina) revela-se como uma opção a ser utilizada não somente para tratamento, como também para a profilaxia, somada a outras intervenções não medicamentosas”, diz o documento.

De acordo com o protocolo, nesses casos (prevenção), a droga deve ser usada por quem está altamente exposto ao vírus, como profissionais de saúde e da segurança, e por quem está no grupo de risco para a doença.

A utilização por pacientes jovens e saudáveis não é recomendado, assim como por crianças com menos de 5 anos, gestantes e lactantes.

Apesar de o protocolo trazer toda a forma de uso, incluindo dosagens, o documento diz que o uso deve ser orientado por um médico.

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