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Vírus
Representante dos agentes de saúde de Natal denuncia subnotificação de dengue
Sindicalista afirma que os índices divulgados pela SMS não são reais, e que a omissão dos casos dificultam a adoção de medidas
Junior Lins
16/09/2019 | 07:55

O presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do Rio Grande do Norte (Sindas/RN), Cosmo Mariz, denunciou uma suposta epidemia de dengue em Natal. Mariz acredita que os dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) estão omitindo a real situação do número de casos da arbovirose na cidade.

De acordo com Cosmo Mariz, a capital potiguar passa por uma epidemia de dengue, zika e chikungunya. O sindicalista afirma que os índices divulgados pela SMS não são reais, e que a omissão dos casos confirmados de doenças ocasionadas pelas arboviroses dificultam para que medidas correspondentes à gravidade da situação sejam tomadas.

“Natal passa por uma epidemia de dengue atualmente. Aliás, não só de dengue, das outras duas arboviroses também. A não divulgação dos números reais de casos, que estão sendo escondidos pela secretaria, só dificulta que seja feito o trabalho de controle na cidade. Os agentes de saúde que visitam as residências sabem qual a realidade da situação: o número só cresce”, contou Mariz em contato com a reportagem do Agora RN.

Segundo o boletim epidemiológico das arboviroses, divulgado pela SMS, até o dia 31 de agosto de 2019, já foram notificados 12.064 casos na capital potiguar. Já em todo o Estado, conforme informado no boletim do Ministério da Saúde, até o dia 24 de agosto foram confirmados 171 casos no Rio Grande do Norte, sendo 162 de dengue com sinais de alarme e nove de dengue grave.

No boletim da 35ª semana epidemiológica, o aumento de casos de dengue notificados, em comparação ao da semana anterior, foi de 592 ocorrências, crescimento 658% superior em relação ao da 33ª semana para a 34ª, em que o acréscimo foi de 78 casos notificados.

O presidente do Sindas-RN conta que muitos casos passam despercebidos nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e não são documentados na contagem oficial dos números da Secretaria de Saúde. Outro alerta de Mariz é o registro de casos em hospitais e pronto atendimentos da rede privada, que, para ele, também passam de forma que a secretaria não os note em muitos casos.

“Muitos casos não são documentados. Diversas vezes o paciente chega à UPA com alguma arbovirose e o médico manda pra casa repousar. Aquele caso não é registrado. Se quiser comprovar que estamos em um momento de epidemia, basta ir a uma UPA de locais como Nazaré e Bom Pastor. Será possível ver como lá de 100 pessoas, 80 estão com dengue, zika ou chikungunya. Isso sem falar dos casos que a rede privada recebe, pois, quem quer passar duas horas numa fila de um posto de saúde morrendo de dor?”, explicou.

Para Cosmo Mariz, a divulgação das informações é essencial para que medidas cabíveis sejam tomadas. O presidente do Sindas-RN avalia que a falta de acesso aos dados atrapalha o trabalho dos agentes de saúde.

“Precisamos divulgar, alertar as pessoas que estão doentes e realizar o bloqueio daquela região com o carro fumacê, e um controle mais especializado. Não podemos esconder estes dados, pois os agentes não podem adivinhar quem está doente ou não”, concluiu.

Em contato com a reportagem do Agora RN, a assessoria de imprensa da SMS informou que descarta a possibilidade de epidemia. Segundo a pasta, o surto da doença só pode ser considerado após uma sequência de seis semanas em alta.

Com relação ao modelo apresentado em seu boletim, a SMS explicou que a ausência dos dados de casos confirmados se dá devido a um protocolo do Ministério da Saúde, junto à dificuldade para averiguar a veracidade dos casos. Segundo a secretaria, isso também influi, pois atrapalharia no momento da apuração e divulgação.

De acordo com a SMS, após 72 horas da contaminação, o arbovírus não é mais constatado no exame de sangue. Os casos notificados são de pessoas que realizaram avaliação clínica, com um médico definindo a ocorrência como suspeita de alguma das arboviroses.

Até o ano de 2017, a secretaria apresentava em seus boletins um índice de incidência de casos a cada 100 mil habitantes da cidade, mas os informativos daquele ano pararam no mês de maio e, desde 2018, até a data presente, estes dados não são mais apresentados.

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