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SUS
Rede básica de saúde só cobre 60% de Natal, denuncia Sinmed
Segundo presidente do Sindicato dos Médicos, Geraldo Ferreira, capital potiguar deveria ter uma equipe de saúde para cada 4 mil habitantes
Redação
20/01/2020 | 04:00

Cerca de 40% da população de Natal está desassistida pela rede de atenção básica em saúde, segundo o presidente do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed RN), Geraldo Ferreira. De acordo com a entidade, a lacuna corresponde à diferença entre o número de equipes médicas que deveriam estar atuando em Natal e o que realmente está funcionando.

Atualmente, afirma Geraldo Ferreira, Natal tem 130 equipes do Programa de Saúde da Família, enquanto deveria ter algo em torno de 220 (90 a mais), já que ultrapassou a marca dos 880 mil habitantes – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nas contas do presidente do Sinmed RN, a capital potiguar deveria ter uma equipe de saúde para cada 4 mil habitantes. Na distribuição atual, porém, cada equipe tem de cobrir uma área com aproximadamente 6,7 mil pessoas. “É uma cobertura insuficiente”, afirmou, em entrevista nesta sexta-feira, 17, ao programa Manhã Agora, da rádio Agora FM (97,9).

Geraldo Ferreira acrescentou que, para agravar esse quadro, recebeu a informação nesta semana de que, das 130 equipes atuantes hoje em Natal, 27% estão incompletas – ou seja, com a necessidade de mais profissionais. “A maioria dos problemas da saúde da capital deriva dessa desassistência. As pessoas procuram assistência; não encontram; sobrecarregam as UPAs; as UPAs ficam superlotadas; e os pacientes acabam sobrecarregando os hospitais. Para completar, a gente enfrenta desde o ano passado a ameaça de fechamento de leitos”, completou o presidente do Sindicato dos Médicos.

“A perda nos leitos do SUS é enorme. Infeliz de quem precisa de um internamento em Natal, porque vai enfrentar filas significativas. Natal tem 40% de sua área descoberta, na atenção básica”, acrescenta Geraldo.

No fim de 2019, os médicos de Natal fizeram uma greve de 40 dias para cobrar melhores condições de trabalho e o pagamento de gratificações – que correspondem a cerca de metade da remuneração total dos profissionais. A paralisação foi encerrada após a costura de um acordo com a Prefeitura do Natal.

Segundo Geraldo Ferreira, o Município se comprometeu a pagar a dívida – em torno de R$ 50 mil por médico – em 18 parcelas, a partir de junho de 2020. Além disso, os pagamentos das gratificações que vencerem de agora em diante deverão ser normalizados a partir de fevereiro.

Falta de insumos

Semanalmente, o Sinmed RN tem visitado unidades de saúde para averiguar a situação dos atendimentos, as condições de trabalho dos médicos e o nível de estoque dos produtos. O que tem se visto, de acordo com Geraldo Ferreira, é um cenário de falta de insumos básicos.

Uma das mais recentes inspeções aconteceu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Potengi, na Zona Norte de Natal. Na farmácia, os médicos receberam os relatos de “faltas continuadas de insumos elementares”.

“Isso causa uma desarrumação no atendimento. É bem verdade que essas faltas acontecem durante um ou dois dias e depois são solucionadas, mas o ideal é que haja um planejamento para haver continuidade do atendimento e os pacientes não serem prejudicados”, finalizou Geraldo Ferreira.
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