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Economia
Persistência: segredo de quem vende alimentação pronta em Natal
Um restaurante popular, um delivery e um bistrô mostram que manter-se de pé não tem sido fácil nesses dias de carne cara e bolsos vazios
Redação
11/12/2019 | 00:08

“Lá de nóis” é uma expressão do interior de gente amistosa, amiga e solidária. É também o nome do restaurante popular aberto há sete anos por Maria Odete da Costa, 58 anos, na Praça das Flores, em Petrópolis, um dos bairros mais nobres de Natal.

Em meio a um intenso comércio e prédios residenciais, apesar da concorrência que sempre existe, o esperado era que o restaurante da caicoense Odete, como é mais conhecida dos fregueses, desse um bom lucro ao fim do mês.

Afinal, seria o prêmio para quem entra no serviço às 6 da manhã e termina todos os dias depois das 19 horas, servindo café da manhã, almoço e jantar. Porém, esta não é a realidade dela nem da maioria dos restaurantes populares e marmitarias de Natal.

No caso de Odete a situação começou a piorar nos últimos três anos, agravada pelos “fiados” de muita gente que trabalha nos arredores, cujos nomes ela diz que levará para o túmulo. “Afinal, nunca se sabe se um dia eles voltarão para pagar”, diz ela com uma ponta de esperança.

Não é pouco. Pelas contas da cozinheira, que trabalha com uma única ajudante, os fiados já ultrapassaram os R$ 8 mil e alguns deles datam de três ano atrás.

Uns ela diz que conseguiu receber, mas outros imediatamente tomam o lugar, “já que eu não posso deixar as pessoas passando fome”, explica.

É claro que, numa situação dessas, Odete vive no vermelho. “Vivo para cobrir a conta do cartão de crédito e dou graças a Deus de ainda estar conseguindo”, lembra enquanto faz sua refeição num prato de sobremesa depois que todos os clientes já foram embora.

Diz que já houve época de servir quase 100 refeições por dia, mas hoje não faz nem 30 a R$ 10,00 cada. “A pessoa serve o que couber no prato e ainda pode escolher dois tipos de carne de uma variedade de três”, descreve.

O que salva o dia, assegura Odete, são os docinhos que vendem muito. “Na verdade, aqui não há lucro, há giro; e como a gente, muitos outros vivem de giro nesse setor de restaurante”, conta.

A poucos metros do negócio de Odete, atendendo um público de mais alta renda, o Julius Bistrô tem um variado cardápio à base de filé mignon (R$ 50,00 o quilo no varejo) e camarão, onde estão seus carros-chefes.

Com um valor máximo de R$ 75,00 por um serviço à la carte para duas pessoas, mais os 10% do garçom, o Julios logo percebeu que precisaria manter a estrutura funcionando e abriu para pratos executivos de R$ 12,90, mais 10% de serviço, com duas opções à disposição, sendo cada uma com apenas um corte de carne ou frango.

São pratos elegantes, com uma pegada gourmet, bem decorados, apresentáveis, mas baratos. Com azeites de qualidade e vinagre balsâmico à disposição na mesa, o cliente se sente valorizado, pagando pouco, num ambiente mais refinado. Com uma cutelaria mais fina e ar condicionado, a fórmula não dispensa muitas pesquisas de preço.

“De fato, a gente pesquisa muito nos frigoríficos e desenvolve receitas que agreguem valor à carne ou ao crustáceo”, diz Andrey Maxciel, o homem por trás da caixa registradora.

Não muito longe de Petrópolis, nas Rocas, Deguste é o nome de um delivery que já completou 10 anos, servindo entre 150 a 200 refeições por dia.

Com dois atendentes e dois cozinheiros, que começam a preparar a comida quando o sol nasce, às 5 da manhã, o segredo desse negócio são os preços: R$ 6,00 o marmitex com uma opção de carne e R$ 11,00 com duas opções de proteína.

Francisca Emídio, irmã da dona do Deguste e auxiliar de cozinha, diz que a palavra de ordem ali é manter os preços atuais qualquer custo para não perder clientes. Mas houve um recuo: de 10 opções de carne que estavam no cardápio no ano passado, hoje há só cinco, pelo menos enquanto os preços continuarem altos.

Entre as misturas mais pedidas estão a costela e carnes de sol transformadas em paçoca. E o delivery, que tem dois motoqueiros, funciona só até às 14 horas para economizar energia.

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